novembro 02, 2003

Silêncio aos mortos

Hoje quero partilhar este poema com todos os que já perderam alguém.
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Com medo agarro as cordas do passado,
E remo o meu barco de papel.
O mar de vento em tropel,
Rebenta em castelos salpicado,
As ondas de aromas acordados.
Teimoso, calo os ruídos da memória,
E fecho os olhos ao que vai à minha volta,
Na luta incessante e sempre nova,
Da esperança que, a cada passo, se renova,
Na procura do triunfo ou da glória.
Alento do pobre condenado
Ao ritmo do tempo modelado
Pelo sopro da maré inconsciente,
Que sempre marca a vida lá na frente.
No futuro tento a fuga do presente,
Silencio os mortos sepultados.
Com as mãos tapo os sulçcos desta terra,
Calo as vozes que gritam do passado.
O medo, sempre o medo, bem colado
Nas veias do viver inacabado.
Agarro o ferro da cama enferrujado,
Enquanto o mar do tempo vai batendo,
No meu quarto escuro e pequenino...
Meu pai... Forte!... e Corajoso!....
Dorme ao lado.
No esquife que, para ele, foi talhado.

Publicado por João Norte em novembro 2, 2003 10:10 AM
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