Hoje, dia de S. Martinho, não venho falar do santo.
Mas da Vila de S. Martinho do Porto.
"Escolhi passar férias em S. Martinho do Porto. (...)
Achara a baía bonita, a vila acolhedora e as águas calmas, quase
sem ondas.(...)
Naquele mar, apesar de não ser grande nadador, não era provável
afogar-me. (...)
Na Segunda-feira meti-me num combóio pachorrento, daqueles que
param em todas as estações e apeadeiros, como o burro do moleiro
da minha aldeia, que parava em todas as portas.
Ao cair da noite lá cheguei.
Tinha sido uma tarde quente, de calor sufocante, daquelas que nos
põem moles como se nos consumissem todas as energias.
O combóio, que deveria ser mais velho do que a invenção do ar
condicionado, só não se assemelhava a uma tortura do Tarrafal,
porque circulava com as janelas e as desengonçadas portas todas
abertas.(...)
Compensou-me desse sacrifício, o vento fresco e a beleza do fim de
tarde, oferecida pela baía, iluminada pelo sol poente que, em enorme
disco vermelho reflectindo na água raios oblíquos, dava à vila tons
dourados de labaredas, enquanto as moradias e os edifícios junto à
praia se avolumavam, se recortavam se matizavam em tons ocres ou
metálicos, projectando sombras, e o céu se desdobrava na baía em
reflexos de arco-íris."
Trecho do meu segundo romance. "AMORES EM TEMPOS TROCADOS" ainda
em fase de acabamento.