novembro 30, 2003

Só eu e ela

Uma paixão absorvente.

Geralmente a sós. Eu sentado na minha cadeira e ela à minha frente bem no foco dos meus olhos. Tenho dificuldade em desviar os olhos dela. Ocupa-me o olhar e todos os sentidos. Apaixonado, absorto quase viciado nela, descuido todo o resto. Esqueço as horas de comer e de dormir. Esqueço as tarefas diárias, as reuniões, os encontros com os amigos e até as obrigações familiares. Atento à sua beleza, ao brilho das suas cores que retoco, às suas formas que contorno e afago, ao sentido, a beleza, a sonoridade das palavras que escuto e cuja compreensão procuro interiorizar e melhorar até ao limite do meu saber e da a minha cultura, numa intercomunicação exaustiva.
Uma interdependência mútua. Ela vive de mim e eu vivo para ela, sem nada pedirmos um ao outro. Ela deixa que eu lhe componha a roupagem, a pintura, a linguagem, a enquadre no melhor cenário como se a fosse fotografar a seguir, a exponha à apreciação dos outros sem ciúme, numa dádiva confiante na sua qualidade, na sua consistência e na aceitação e respeito que os outros terão por ela e por mim.
Somos assim, EU E A MINHA ESCRITA:

Publicado por João Norte em novembro 30, 2003 12:11 PM
Comentários
a escrita é sempre uma boa amante. Afixado por: fernando esteves pinto em dezembro 8, 2003 08:18 PM
a escrita é sempre uma boa amante. Afixado por: fernando esteves pinto em dezembro 8, 2003 08:19 PM