dezembro 06, 2003

Aborto...Contracepção...Igreja.

Já muito se tem falado nestas páginas dos blogues sobre este tema. Eu próprio
fiz uma pequena crítica às palavras de D. José policarpo.
Vou ainda acrescentar algumas palavras. Peço a Você que me Lê algum
esforço para continuar.

Tratava-se não da discussão do aborto de forma generalizada, mas do aborto por deficiência. Ora, hoje a ciência e a tecnologia permitem informar os pais das deficiências e do seu grau de que o filho irá sofrer. Porquê, então, não deixar ao médico e aos pais, a enorme responsabilidade mas também a liberdade de decidirem?
Deixemos, por agora, a análise do aborto na generalidade. Vamos falar da contracepção.
Defender que o sexo é a penas para a procriação é tão ridículo que já nem apetece falar disso. Todavia, continuamos a ouvir e a ler críticas dos senhores da Igreja que nos fazem corar de vergonha pela hipocrisia demonstrada.
Não tenho o dom da verdade nem ninguém tem. Quando Pilatos perguntou a Cristo o que era a verdade, Cristo calou-se.
Procuro apenas pensar sem peias dogmáticas. Gosto de pessoas inteligentes, lamento os estúpidos, não suporto inteligentes cínicos e hipócritas que, por serem inteligentes e informados, usam e abusam da ignorância e falta de inteligência dos outros.
Fica muito bem à Igreja a defesa da Vida. Nem outra coisa se lhe pede. Porém, que vida? Toda e qualquer forma de vida?
Então os senhores da Igreja que deixem de tomar banho, deixem de desinfectar o seu ambiente, tomar medicamentos e vacinas. Deixem-se cobrir de piolhos e pulgas, invadir por vírus, bactérias e micróbios, que também são formas de vida e, segundo a sua teoria, criados pelo mesmo deus.
Mas não precisamos de ir a seres tão pequenos para reflectir. Pensemos apenas no ser humano. A Igreja já esqueceu os milhões de mortes provocados em nome da fé e de deuses na África, na América Latina, nas Cruzadas, nas guerras religiosa de Europa durante vários séculos, ou na Irlanda até aos nossos dias?
Voltemos ao sexo apenas para procriação. Penso que a Natália Correia sintetizou muito no seu soneto ao Morgado a crítica a esta atitude. Porque talvez nem todos conheçam esse episódio, vamos aos factos.
A Igreja abençoa o matrimónio. O casal pratica o sexo sem qualquer controle ( convém lembrar que a falta dessa prática é o único motiva na lei canónica para anulação do casamento). Partimos dos 25 anos da mulher até aos 45, e teremos a hipótese de vinte filhos por casal. O que é que a Igreja quer? Transformar o Planeta inteiro no Biafra ou no Ruanda?!
Algum dos senhores da Igreja, bem anafados, se colocou na pele daquelas crianças a morrer de fome?!
Claro que os casais jamais praticaram isso. Sempre houve o recurso a formas de controle da natalidade. Quando não havia contraceptivos químicos ou os tão criticados preservativos, os casais praticavam o chamado “ coito interrompido” Qual será a diferença entre o impedimento do espermatozóide atingir o óvulo ou derramá-lo nos lençóis?!
Mas há mais a dizer. Os senhores da Igreja estudaram filosofia e psicologia. Sabem perfeitamente que, a prática do coito interrompido leve à perda da afectividade entre o casal, à procura da prostituição pelo marido, à irritabilidade e depressão na mulher. É este o amor conjugal que defendem?
Isto já vais longo, deixo para outro dia a questão sanitária.

Publicado por João Norte em dezembro 6, 2003 02:46 PM
Comentários
os anos passam, o hiv visita-nos e estes meninos ainda falam de sexo para a procriação. confesso que escrevo sem ter ouvido o D. Policarpo. preocupam-se com a morte matando com a nobre política da não contracepção. era preciso a igreja dizer em uníssono: usem preservativo. e depois já podiam opinar sobre o aborto. um dia destes morre um "papa" de sida ( já que sabemos que a grande maioria destes senhores e senhoras praticam sexo), já houve um que pariu na altar não seria nada de fantástico só tinha que se tornar público. Peço desde já as minhas desculpa sinceras a todos os devotos que se possam sentir incomodados...não escrevo para insultar ninguém. é só a minha opnião, considerem-me uma alma perdida Afixado por: Louise em dezembro 8, 2003 10:48 PM
Concordo plenamente com o artigo acima. Fui casado, mas nao deu certo. Nao tinhamos afinidade para vivermos em familia. Minha ex-esposa queria continuar com a vida de solteira. Tivemos um filho, tudo bem, mais ainda no primeiro ano. Quando as coisas vao sendo levadas a contento. Quer dizer, temos que pagar por toda a minha vida por esse erro? Nao existe perdão???? Afixado por: Andre Luiz em março 3, 2004 07:46 PM