dezembro 13, 2003

Aborto..Opinião do Bispo do Porto

Há dias comentei aqui as palavras de D. José Policarpo sobre o aborto por deficiência.

Não comentei o aborto em si mesmo. Isto é de uma forma livre. Não porque a minha opinião seja a favor ou contra o aborto e ponto final. Entendo que é um assunto demasiado melindroso para se ter uma opinião simples. Por isso entendo que, mais do que a nossa opinião, é importante deixar aos pais e aos médicos a decisão de, caso a caso, resolverem em responsabilidade e em liberdade o que devem fazer. Nenhuma mãe deixará de ter um filho se o desejar e tiver condições para o criar feliz. Implica isto que estou contra o facto de serem julgados como simples criminosas as mulheres que, pelos motivos mais variados que só elas sabem, tiveram que recorrer ao aborto.
O que eu critiquei e critico é a posição rígida e sectária da Igreja Católica sem atender a cada caso. Vem, agora, o Sr. Bispo do Porto dizer coisa parecida. Com a autoridade que lhe confere o cargo que ocupa, a sua posição é tão importante, que até dá para desconfiar se não será a própria Igreja que, sentindo a necessidade de abertura, a vai fazendo por figuras importantes, mas sem comprometer o seu chefe máximo.
Não creio que o Bispo do Porto venha a público abrir uma brecha na posição da Igreja num desrespeito ao seu superior.
De qualquer forma é bom que comece a haver opiniões diversas. Assim, os católicos serão obrigados a reflectir.

Publicado por João Norte em dezembro 13, 2003 06:39 PM
Comentários
Boa noite, Quanto a esta questão, não sendo jurista, parece-me que isto faz todo o sentido: A jornalista Fátima Campos Ferreira entrevistou, julgo que no decorrer do ano 2003, uma investigadora da área da genética, na circunstancia sobre a clonagem, dado que na altura se divulgou que um grupo clonou um bebé humano. Quando questionada sobre o assunto, a sra. investigadora disse que a generalidade da classe cientifica considera que sensivelmente a partir do 8 DIA de gestação estamos perante um novo SER HUMANO. Ora, a Constituição da República Portuguesa diz no seu artigo 24º alínea 2 "A vida humana é inviolável", donde qualquer lei que despenalize ou legalize o aborto parece-me inconstitucional. A discussão sobre o aborto está demasiado centralizada no ponto errado: O sofrimento da mulher que faz aborto e a vergonha de ter de ir a tribunal. Em primeiro lugar, se não fizer aborto, não lhe acontece nem uma coisa nem outra; Depois, mais que o sofrimento ou a vergonha de ter de ir a tribunal, é a perda daquele novo ser humano, que perde tudo: A vida. É ridícluo que, num país onde se garante que qualquer criminoso, condenado pelos tribunais pelos piores crimes possíveis, em caso nenhum será condenado à morte, nem tãopouco pode legalmente ser alvo de castigo cruel ou desumano, mas quanto àqueles que são absolutamente inocentes, a estes diz-se "matem-nos"! Afixado por: Ricardo em janeiro 19, 2004 11:30 PM