No meu texto anterior, pela preocupação de não ser extenso, fui pouco claro,
tendo causado perplexidade a alguns leitores.
Por isso, vou tentar, embora correndo o risco de ser extenso, explicar-me
melhor.
Não achei oportuna a comunicação( repetida) do P. Ministro a vir dizer com falinhas muito meigas, que vai tudo melhorar, tentando talvez dar um pouco de ânimo aos portugueses, que estão desmoralizados, no momento em que já se sabia que o P. Da República ia fazer uma comunicação porque se sentia ofendido. O país não está bem, está revoltado, por muitas razões, sendo uma delas a trapalhada do processo casa pia e respectivo desenvolvimento judicial. Isto não quer dizer que o P. Ministro tenha responsabilidade directa no processo. Não achei aquela comunicação e aquela cara de sorriso oportuna. (É a minha opinião).
A questão das intenções políticas.
Já nesta página escrevi um texto em que defendia os jornalistas pelo facto de trazerem a público factos que deveriam ser julgados. Porem, não sou ingénuo e sei que os jornalistas e os “meios de comunicação também não”. E mesmo depois de hoje o subdirector do J N vir dar explicações continuo a pensar da mesma maneira.
O que veio a público era que, uma carta anónima existente no processo implicava Jorge Sampaio e António Vitorino. Ora soubemos depois que e referida carta continha também nomes de personalidades ligadas ao PSD e ao PP. A minha pergunta é esta:
Porque é que não se falou dos nomes todos?
Mas mais.
Durante alguns dias as televisões (todas) deram a “notícia”, chamaram comentadores, e em pano de fundo, apresentaram sempre António Vitorino numa reunião com o Sr.P. da República. Ora os srs. Jornalistas sabem, porque estudaram,( eu também estudei) o efeito psicológicos das imagens .Por isso elas não estavam ali por mero acaso. Quem teve acesso à carta viu os nomes todos. Para além da violação do segredo de justiça, do relevo dado a um papel anónimo, há esta discrepância que não é ingénua. Só quem esteve atento e viu os números ( 2 pessoas do PS 5 do PSD, 2 do PP) compreendeu, mas para quem só ouve são os nomes que foram falados e as imagens permanentes que perduram na memória.
Não sou criança nem ingénuo. E se, de início, achei que Ferro Rodrigues não teria razão, hoje já ninguém me faz acreditar na normalidade de todos os procedimentos de muitas pessoas envolvidas naquele complicado processo.