janeiro 06, 2004

Durrão Simpático-Explicação

No meu texto anterior, pela preocupação de não ser extenso, fui pouco claro,
tendo causado perplexidade a alguns leitores.
Por isso, vou tentar, embora correndo o risco de ser extenso, explicar-me
melhor.

Não achei oportuna a comunicação( repetida) do P. Ministro a vir dizer com falinhas muito meigas, que vai tudo melhorar, tentando talvez dar um pouco de ânimo aos portugueses, que estão desmoralizados, no momento em que já se sabia que o P. Da República ia fazer uma comunicação porque se sentia ofendido. O país não está bem, está revoltado, por muitas razões, sendo uma delas a trapalhada do processo casa pia e respectivo desenvolvimento judicial. Isto não quer dizer que o P. Ministro tenha responsabilidade directa no processo. Não achei aquela comunicação e aquela cara de sorriso oportuna. (É a minha opinião).
A questão das intenções políticas.
Já nesta página escrevi um texto em que defendia os jornalistas pelo facto de trazerem a público factos que deveriam ser julgados. Porem, não sou ingénuo e sei que os jornalistas e os “meios de comunicação também não”. E mesmo depois de hoje o subdirector do J N vir dar explicações continuo a pensar da mesma maneira.
O que veio a público era que, uma carta anónima existente no processo implicava Jorge Sampaio e António Vitorino. Ora soubemos depois que e referida carta continha também nomes de personalidades ligadas ao PSD e ao PP. A minha pergunta é esta:
Porque é que não se falou dos nomes todos?
Mas mais.
Durante alguns dias as televisões (todas) deram a “notícia”, chamaram comentadores, e em pano de fundo, apresentaram sempre António Vitorino numa reunião com o Sr.P. da República. Ora os srs. Jornalistas sabem, porque estudaram,( eu também estudei) o efeito psicológicos das imagens .Por isso elas não estavam ali por mero acaso. Quem teve acesso à carta viu os nomes todos. Para além da violação do segredo de justiça, do relevo dado a um papel anónimo, há esta discrepância que não é ingénua. Só quem esteve atento e viu os números ( 2 pessoas do PS 5 do PSD, 2 do PP) compreendeu, mas para quem só ouve são os nomes que foram falados e as imagens permanentes que perduram na memória.
Não sou criança nem ingénuo. E se, de início, achei que Ferro Rodrigues não teria razão, hoje já ninguém me faz acreditar na normalidade de todos os procedimentos de muitas pessoas envolvidas naquele complicado processo.

Publicado por João Norte em janeiro 6, 2004 02:28 PM
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