Amor calado é amor redobrado.
É fogo mal apagado,
Coberto de cinza carpida!
É esperança perdida,
D’um bem desejado!
É vulcão que arde abafado,
Nas entranhas da Terra,
É dor que desterra
À ilha perdida!
É mal que dói,
Erosão que destrói,
Os anos da vida.
Fogo sem chama nem fumo,
Que arde sem rumo nem erupção.
Lavra no sangue que em brasa
Consome e arrasa
O meu coração!
Só quem sofreu este amor,
Pode dar valor
A tal sofrimento.
É calar, cá dentro,
O maior sentimento,
Mais digno e mais nobre,
Com manto que cobre
O meu sofrimento!
Maldita é a hora,
Em que o dever
Sobrepõe o querer de um coração!
Alma lasciva e cativa
De tanta paixão!
Se a boca abrir se pudesse,
Talvez se parecesse a enorme vulcão,
Que vasa imprudente,
Pela grande cratera,
Lava incandescente,
Que dentro retera!