janeiro 13, 2004

A Travessia do Tejo

Oferta aqueles que todos dias fazem esta travessia.

As minhas idas e vindas de Lisboa para Barreiro tornaram-se rotina diária. Era um tempo aproveitado para ler ou para estudar. Geralmente havia poucos passageiros porque eu fazia o percurso inverso da maioria das pessoas que fazem a travessia para o trabalho. De manhã o grande movimento é de pessoas que moram da outra banda, trabalham em Lisboa e voltam à tarde para o Barreiro. Eu cruzava-me, às vezes com dificuldade e alguns empurrões de multidões apressadas, que saíam dos barcos como correntes da lava empurradas pela força dum vulcão, em autênticas correrias.
Havia uma outra desincidência. De Lisboa para o Barreiro viajava num barco que ostentava o nome de Estremadura, e, no regresso, noutro que dava pelo nome de Algarve. Por isso eu dizia que viajava contra as multidões e contra a geografia nacional.
Algumas pessoas como eu faziam a travessia sempre à mesma hora e no mesmo barco. Havia caras conhecidas com quem se conversava, faziam-se amizades. Foi assim que encontrei a Elsa, como eu trabalhava e vinha estudar para Lisboa. Coincidências ou talvez não! Acasos ou talvez não. É uma força incrível a das coincidências que nós nos esforçamos por ignorar. Mas as coincidências não nascem se não precisamos delas! A vida é feita de coincidências!...

Trecho do meu livro "amores em tempo trocados"

Publicado por João Norte em janeiro 13, 2004 07:28 PM
Comentários
Os barcos com esses nomes mantêm-se. Agora temos outros, com os catamarans (ex: Damião de Góis). Sim, a rotina é aquela que descreves. O vai e o vem diário. As pessoas. Os hábitos... E a minha curiosidade pelos teus romances aumenta... :)*** Afixado por: Sandra em janeiro 13, 2004 08:27 PM