Esta sociedade cada vez mais complicada em que vivemos, parece começar agora a acordar para um problema que, há muito vem emergindo e pondo em choque quem estava demasiado distraído. Refiro-me à violência e, mais exactamente, ao sexo e a violência.
Segundo os manuais da psicologia e da psiquiatria, o sexo sempre esteve aliado à agressividade, a força da “libido” a energia criadora. Todavia, é necessário diferenciar agressividade e violência. A agressividade é um atributo, é criativa, construtiva, a violência é brutalidade, necessidade de destruir, de vencer, de dominar, de humilhar. É um acto covarde.
Somos o único animal dotado de uma característica especial – a emotividade. E também o único em que o sexo não está apenas ligado à continuidade da espécie, mas à emoção e ao prazer. Como somos o único animal cujo comportamento sexual não é apenas resultado da força natural criativa mas também da educação. E esta resulta de múltiplos factores que seria impossível aqui referir sem tornar este texto muito chato.
A violência banalizou-se na nossa sociedade de tal maneira que deixámos de a ter em atenção nos seus efeitos imitativos. Assiste-se à violência na televisão, no cinema, nas revistas, na estrada e em casa. Se juntarmos as disfunções do comportamento humano, as taras, os traumas, a necessidade de vencer, de dominar, com os maus exemplos da educação , ou falta dela, encontraremos o caldo onde fermenta muita da violência sexual.
Não sou um especialista em psicologia, sou professor de uma disciplina que pouco tem a ver com isso. Tenho é uma larga experiência com crianças e adolescentes, e não resisto a contar aqui um caso ilustrativo.
Um dia cheguei à sala de aula e deparei com um grupinho de adolescentes muito atentas a ler uma revista. Mandei que arrumassem para começar a minha aula. Porém, os alunos insistiram para que eu visse a revista. Fiquei chocado. Era uma revista pornográfica. (tratava-se de adolescentes com 12/13 anos). Como sempre tive capacidade de dialogar com as crianças e adolescentes, chamei-lhes a atenção para os perigos que corriam. Muito educadamente as alunas pediram-me que lhes explicasse algumas coisas porque, diziam, os adultos só sabiam repreender e ninguém lhes explicava nada. Assim prestei-me a uma aula de educação sexual. Com muita calma e cuidado fui tentando fornecer explicações científicas para as dúvidas que me foram postas e alertando para os perigos de ordem psicológica física e social que o sexo pode trazer, sem fugir às respostas. Devo dizer que foi uma experiência interessante pelo comportamento respeitoso que os alunos mantiveram e como aceitaram as explicações. Mas um dos alunos, o mais indisciplinado da turma, manteve-se sempre calado. Eu perguntei-lhe:- e tu não tens dúvidas? Resposta do aluno (12 anos).
Eu... Stor, passo os serões dos Sábados a ver filmes pornográficos com o meu pai.