janeiro 16, 2004

Lanço as palavras ao vento

Lanço as palavras ao vento,
Dou um grito à multidão.
Sufoco este lamento,
Sob as grades da prisão.
Quero perder-me na noite,
Na mais espessa escuridão.
Quero mergulhar nas ondas,
No abismo mais profundo,
Quero deixar este mundo,
Voar em qualquer cometa,
Fugir deste planeta.
Quero abrir as minas veias,
Deixar o sangue escorrer,
Descer aquela masmorra,
Agrilhoar este ser.
Quero abafar este grito,
Que me salta das entranhas.
As misérias são tamanhas,
Não quero mais assistir.
Quero morrer ou fugir
E calar o coração.
Quero a selva , quero o mato,
P”ra esconder a solidão.

Publicado por João Norte em janeiro 16, 2004 01:05 PM
Comentários
Que lances mais palavras como estas Ao vento A ti A nós E que no meio do lançamento de belas palavras Não te percas Te encontres E nos prendas Sempre mais Afixado por: D em janeiro 16, 2004 01:52 PM
Obribado pelas palavras bonitas. O poema é a expressão de sentimentos e também uma forma de intervenção. Eu estou bem. Afixado por: Joao Norte em janeiro 16, 2004 03:24 PM
Sem dúvida que estamos perante a sequência de "Dei as palavras ao vento" (http://www.void.weblog.com.pt" (15/01/2004). João: um acentuar da carga romântica (ou neo-romântica), não? Aderiste à corrente? Eheheh... Afixado por: Sandra em janeiro 16, 2004 08:13 PM
Sandra. O poema que te ofereci e este foram feitos na ocasião.Tenho outros na mesma linha. Não é bem a vossa, por isso disse que não eram tão neo era só romântico. Não é uma opção exclusiva, não gosto de ( capelinhas) faço qu sinto no momento. Afixado por: Joao Norte em janeiro 16, 2004 08:34 PM
Não atribuo carga negativa ao facto de um(a) escritor(a) ou um(a) poeta(isa) se enquadrarem em determinada tendência ou escreverem dentro de determinada linha. Isso indica uma especialização que não concebo como depreciativa, antes, como opção literária. Tu preferes uma maior versatilidade, tudo bem :)) Julgo que o que se sente no momento pode ser expresso de formas variadas, com estilos e "formatações" diversas. A própria estrutura do poema não tem que levar à rima, por exemplo. Ou podemos deparar-nos com versos mais ou menos longos ou intercalando. Enfim... Vejo que escreves muito "de ocasião". Agora diz-me: dessa ocasião, em que pensas, passas imediatamente para o papel de forma definitiva ou há um burilar, revisão, aperfeiçoamento posterior? Vá, isto é um desafio: apresenta-te um pouco como escritor de poemas. Depois chegaremos à Prosa. :)**** Afixado por: Sandra em janeiro 16, 2004 09:40 PM
João: para completares/complementares a tua apresentação como escritor/poeta vai até ao "Void" e diz alguma coisa a propósito do post intitulado "Escrita de um "Eu" zangado". É um excerto de um livro (publicado) do Fernando: "Conversas Terminais". :)*** Afixado por: Sandra em janeiro 16, 2004 09:51 PM
Oi, moço, E daí só agora fiquei conhecendo seu espaço - vê só como faz bem, vez ou outra, despedir-se? Abre horizontes também... :) Agora, em pausa, vou ter mais tempo de ler e absorver expressões alheias e belas como as suas... :) Beijo grande. Afixado por: Debora Bottcher em janeiro 17, 2004 02:26 AM
Para a Sandra. A minha poesia é momentânea. Qualquer poema é feito ao correr da pena no momento, sem correcções. Os livros não, esses são trabalhados. Quanto aos estilos sou muito solto, tal como sou pessoalmente, nunca me deixei prender por quaisquer (ismos). ....../...... Para a Deora. Eu sou um leitor seu.O que você escreve é de longe melhor do que o meu. Mas obrigado pelas suas palavras. Volte semçpre. Beijinhos às duas. Joao. Afixado por: Joao Norte em janeiro 17, 2004 11:31 AM