Disse isto ao mesmo tempo que lhe puxava o rosto e a beijava. Corou, susteve a respiração e tremeu tanto que entornou o sumo. Tirei-lhe o copo da mão, pousei-o na mesa e, então, beijámo-nos sôfrega e demoradamente. Tremia mas não fugia nem recusava a minha boca e as minhas carícias. Abracei-a com meiguice. Sem qualquer brusquidão retirei a parte superior do bikini. Pressionei o meu peito contra os seus rijos seios enquanto a beijava e ficamos assim por momentos envolvidos numa ternura mútua. As minhas mãos desceram no corpo dela e o calção caiu. O meu também desapareceu. E não sei dizer se foi só a minha mão que o tirou ou se foi também alguma das dela. Continuámos abraçados, as bocas coladas num beijo doce, terno e sôfrego. Lá fora o mundo parara. O silêncio ali era total. Só o arfar dos nossos peitos que subiam e desciam se ouvia. A respiração de um queimava no rosto do outro. Deitei-a sobre o sofá. Os braços dela cercavam-me numa tenaz, as unhas dela cravavam-se nas minhas costas. O seu corpo tremia como agitado por um vulcão interior, mas não fugia do meu. Fizemos amor numa entrega mútua e total. O seu corpo entregava-se com doçura e abria-se como uma flor se abre de pétalas ao Sol. Eu mergulhava no corpo dela todos os meus sentidos. As minhas mãos perdiam-se nas ondas e nos recônditos do seu corpo. O seu cheiro, o veludo da sua pele, o sabor dos seus beijos, o calor do seu interior, de tudo me encharcava, me enchia, me saciava de uma fome de amor e sexo, que me transportava nas nuvens de um espaço sem limites, onde só o desejo contava, onde o meu espírito e o meu corpo se diluíam se fundiam no corpo dela.
Após o clímax do amor, ficámos, por momentos enlaçados. Eu beijava-lhe os olhos, a face, o pescoço e mantinha o meu corpo sobre o dela. Ela pareceu acordar de um sonho, sentiu-se nua como se só naquele momento tomasse consciência da sua nudez. Afastou-me e queria tapar-se com os braços sem saber onde os colocar. Entrei no meu quarto ali mesmo em frente e atirei-lhe o meu roupão de banho. Vestiu-o e foi tomar chuveiro.
- Espera! Tenho de ligar o esquentador. Disse eu.
- Não precisas tomo banho frio!
Eu enrolei-me numa toalha e tomei banho a seguir. Quando saí da casa de banho, estava vestida. Deu-me um beijo rápido e disse:
- Até logo. O tempo passou, estão à minha espera em casa.
Correu escada a baixo sem me dar tempo para me vestir também. Vesti-me e fui almoçar. Levava nas narinas o cheiro dela, na boca o doce dos seus beijos, nas mãos o veludo da sua pele.
Trecho do meu romance "Amores em tempos trocados"
Publicado por João Norte em janeiro 23, 2004 04:58 PM