Os atentados de Madrid provocaram um desequilíbrio nas mentalidades, nas consciências, e até nas autoridades que deviam ter a calma suficiente para ponderar e decidir.
Pessoas inteligentes parecem ter, de repente, perdido as suas capacidades. Primeiro foram ilustres analistas políticos da nossa praça que, perante todas as evidências de que não era a ETA, continuaram e ainda continuam alguns a querer convencer-nos da sua verdade. É de tal maneira que ficamos numa enorme dúvida.
São ou não inteligentes? Se não conseguiram compreender aquilo que era fácil para qualquer cidadão atento, não são tão inteligentes como nos fizeram crer até então. Se compreenderam, então são intelectualmente desonestos e não merecem a nossa confiança.
Agora são as notícias alarmistas, é uma precipitação de medidas, algumas apenas para apaziguar o medo dos menos atentos.
Na guerra, porque de uma guerra se trata, é como no jogo, seja no xadrez ou nas moedas, é importante tentar compreender o pensamento do adversário. E este adversário não funciona com o pensamento laico e racionalista do Ocidente.
Já vi algumas tentativas de análise cabalista. Embora forçadas, elas não são despropositadas. Trata-se de mentes em que os símbolos religiosos e isotéricos têm muito peso.
O que não vale a pena é pensar que pedindo ajuda à NATO ou dizer que os F16 vão patrulhar o espaço faz algum sentido. Os terroristas não vêm aí com um exército nem com uma esquadrilha de aviões. Os seus meios são outros contra os quais as armas convencionais nada podem.
Também não me parece correcto, neste momento, mostrar medo, retirar as tropas que nunca deciam ter ido.
Talvez os Serviços Secretos tenham alguma eficácia.
Serenidade e vigilância parecem-me as medidas mais acertadas.