Do interior que me é inerente, e a partir dele, contornos desmaterializados saem para o espaço exterior. A sensação de limitação corpórea levou a uma reacção orgânica que se foi tornando real, numa temporalidade onde o percurso linear nem sempre foi um facto. Fraquezas, algumas delas nem sequer hercúleas, acorrentaram a libertação de vácuos alojados no meu ser. Mas a ultrapassagem acabou por vingar. E nessa capacidade, uma fuga cheia de vontade de fazer o retorno com ímpetos (totalmente) reforçados, aliados a espaços onde o racional consegue, também, dominar. A debilidade provocada por partes de um eu de mim que sai, acaba por ser fortalecida, com um retorno vitamínico e angulosamente corajoso. Um boomerang que no percurso se modifica. Penso-me num outro estádio mental. Vejo-me para além do olhar. Sinto-me numa amplitude orgásmica até aí absolutamente desconhecida. E estremeço. E movimento-me. E deslizo no espaço que me acolhe e nos objectos que me sustentam.. A possibilidade chegada de visualizar infinitos pontos de luz faz-me, pelo excessivo rigor, despertar. Acordar e aperceber-me da viagem. Acordar e aperceber-me do sonho. Acordar e juntar, nessa diferente lucidez, os eus de mim que, em convulsão, se queriam separar.
( Sandra Almeida, VOID )
Os meus agradecimentos à autora.
Publicado por João Norte em março 22, 2004 11:36 AM