O referendo recusou a regionalização. Porém, será bom lembrar como decorreu a campanha. E a sua análise mostra-nos duas coisas.
Os partidos mudam de opinião logo que os seus interesses, isto é, a sua ânsia do poder, se encontra satisfeita.
O povo, essa entidade tão indefinida, deixa-se facilmente manipular pelos demagogos.
Lembremo-nos de como a direita, mais concretamente o CDS manipulou a opinião dos eleitores. Todos nos lembramos de ver em todos os cruzamentos das nossas estradas, nas ruas das nossas cidades e vilas, o nosso mapa em cartazes rasgado aos bocadinhos. A nossa bandeira cortada em bocadinhos. A demagogia da união do país contra aquilo que chamavam a perda da identidade nacional.
Agora o CDS está no governo e, nem uma palavra contra a divisão do país não em quatro ou cinco regiões, mas, agora sim, em bocadinhos ao sabor dos arranjos municipais ou da cor política dos autarcas.
Não vou analisar sob o ponto de vista económico/funcional se esta partilha, não lhe chamo regionalização, é melhor ou pior do que aquela que foi referendada. Não tenho bases nem conhecimentos de ordem económica. Penso ainda que nenhum estudo sério foi feito nesse sentido. Tento analisar o comportamento dos políticos e do povo. Agora não há referendo nem ninguém pergunta aos munícipes se querem juntar-se aos concelhos a norte, a sul, a este ou a oeste. Decidem os presidentes de câmara como donos do território, e pronto. O povo não é para aqui chamado.
Parece, segundo o que tem vindo a público, que a própria lei nem sequer ainda definiu as competências administrativas desses agrupamentos ( os agrupamentos urbanos).
Estas indefinições, este “faz como puderes) ou entendam-se uns com os outros tem dado azo a peripécias muito engraçadas.
Vou falar apenas de uma que conheço. O Agrupamento Urbano do Oeste, e O agrupamento Urbano de Leiria.
Parece que a lei nem permitia a nomeação de Agrupamento Urbano de Leiria. Mas o caso caricato que mostra como estas coisas estão a ser feitas é o caso da Nazaré. A Nazaré só tem fronteira com o mar e com o concelho de Alcobaça. Está rodeada por Alcobaça. Segundo a lei, um dos princípios de agrupamento é a continuidade. Lógico! Não se vê como um concelho do Algarve pode fazer agrupamento comum do Minho.
Mas os compadrios políticos têm voltas que nem lembra ao diabo. Nesta região o concelho de Alcobaça situa-se numa posição que tanto podia juntar-se a Leiria como os concelhos do sul, ditos do Oeste. Segundo conta, o Presidente da Câmara de Alcobaça foi o único que encomendou um estudo económico a um professor de economia que se pronunciou a favor da sua junção aos municípios do Oeste. Isto obrigaria a Nazaré a ficar no mesmo agrupamento. Mas o presidente da Nazaré devia ter já empenhado a sua fidelidade a Leiria. Agora, os políticos estudam a ridícula possibilidade de a continuidade exigida ser pelo mar, embora nem pelo mar ela exista, isto é, existe tanta como existe entre o Algarve e o Minho.
Assim vai a nossa política.