Todas as palavras que eu disse deixaram de se minhas.
Espalhei-as, lancei-as ao vento,
E o vento levou-as tão longe que não mais as alcancei.
Tomaram pernas e fugiram,
Tomaram asas e voaram,
Para lá dos montes
Para lá do horizonte.
As palavras eram tudo o que me restava.
As palavras eram as minhas armas.
As palavras eram o meu património.
As palavras eram a minha memória.
As palavras eram o meu passado.
As palavras eram tudo o que eu tinha.
As palavras eram eu próprio.
E, agora, as minhas palavras são de quem as leu,
De quem as ouviu,
De quem as utiliza novamente.
Anda na boca dos outros,
E na minha boca ficou a ausências
Das palavras.
Na minha boca restam apenas as tuas palavras.
As tuas palavras ditas com paixão.
Resta a tua palavra - Amor.
Essa mora no meu coração.
João Norte
Publicado por João Norte em abril 5, 2004 06:00 PM