Acabaram-se as férias. Como sempre foram curtas. Antes de mais, quero agradecer a todos que aqui me deixaram os seus votos de boas férias. Espero que elas tenham sido de bom descanso para todos.
Durante as férias desliguei, ou quase, das notícias e especialmente da política portuguesa. Férias são férias e o seu objectivo é o descanso e a quebra da rotina diária. Retomado o vício das notícias, entre muitas palavras, a brutalidade das imagens da televisão sempre igual na sua ânsia de ver quem mais choca mais vende, deparei-me, pela mão da Ana Sá Lopes, de quem me orgulho ter sido professor, com uma coisa de veras interessante:- a discussão sobre as comemorações do 25 de Abril, que uns querem que seja Revolução outros Evolução.
Pensava eu que este país era povoado por um menor número de idiotas. Enganei-me!...Como me enganarei sobre muitas coisas. Em 25 de Abril de 1974 eu era um jovem estudante. Ingénuo mas não tanto que não estivesse atento ao que se passava. Deu para compreender que a chamada “primavera” marcelista não passava de uma hipocrisia, que só alterava o nome das coisas, para que tudo continuasse na mesma. A guerra nas colónias continuava com as mesmas esfarrapadas justificações, a censura a tudo que era comunicação, jornais teatro, cinema continuava e, para não dar mais exemplos, direi apenas que nunca antes a PIDE tinha invadido as Universidades com a brutalidade e o desrespeito pela liberdade de estudantes e professores como nessa ocasião.
Não havia nenhuma intenção no governo de Marcelo Caetano de acabar com a guerra, descolonizar, acabar com a censura ,permitir a liberdade de expressão e movimentação dos cidadãos portugueses, permitir o estabelecimento de partidos ou a realização de eleições livres. O país estava mergulhado no total descrédito internacional. As eleições em 69 foram uma vergonha.
Querer separar A liberdade, o fim da guerra, a descolonização ou mesmo a evolução económica da Revolução de Abril é como querer separar a Luz os objectos e as sombras. Mesmo para aqueles que não viveram antes do 25 de Abril, só os que não pensam acreditam que Portugal pudesse ter evoluído sem a revolução de Abril. Nenhum país tinha entrado tanto por um beco sem saída. Nem sequer se trata de Esquerda ou Direita. É claro que houve exageros! Nenhuma revolução foi isenta deles.
O que mais “chateia” é ver o primeiro ministro, ainda por cima com um passado revolucionário, embora agora se queira livrar dele por compadrio político ou submissão ao PP e à sua ideologia de direita saudosista, alinhar nesta idiotice.