Se o mundo te pesa, vai de férias.
Vai nem que seja ao fim do mundo,
Onde a terra acaba e o mar começa.
Vai onde ninguém te conheça.
Ali entre o azul do mar
E o verde da serra,
Sente a calma que te espera.
Esquece a vida!
Esquece quem és.
Não digas o teu nome,
Quem quiser que o adivinhe
E se ninguém adivinhar melhor.
Foge donde todos te conhecem
Onde até os objectos sabem o teu nome
Onde cada hora te consome
E as coisas gritam por ti.
Vai!
Esquece o trabalho e o ordenado,
Esquece a curva regular do tempo,
A vertigem das ruas e das praças
Esquece as notícias e as desgraças,
Deste mundo imundo do poder,
Esquece a política.
Esquece os ódios e vinganças.
Esquece o ministro das Finanças.
As perfídias mentiras
O cansaço da miséria
Esquece tudo isto.
Esquece, sobretudo, o teu PRIMEIRO MINISTRO.
João Norte
Abril de 2004