O medo é irmão da esperança. Isto que eu acabei de dizer, porque ao dizê-lo acabei por pensá-lo, parece um absurdo. Será?!... O pensamento, às vezes, é um vento que sopra desordenado, sem nexo nem lógica e nós compreendemos que, aquilo que acabámos de pensar não tem lógica. Mas, para compreendermos o que pensámos, é necessários organizar o pensamento logicamente, analisando o que pensámos. O medo assusta-nos, por vezes tolhe-nos os movimentos, prende-nos ao chão, retira-nos as forças, bloqueia-nos os movimentos, retira-nos as capacidades. Outras vezes dá-nos forças que desconhecíamos, impulsiona-nos, empurra-nos, imprime-nos velocidades, aclara-nos os pensamentos. Catapulta-nos.
A esperança, essa não tem nada de negativo. Sendo que negativo aqui é considerado aquilo que nos tolhe. A esperança é sempre alegre. A esperança canta e dança na nossa cabeça, pula e brinca na nossa frente, chama-nos, abre-nos caminhos, constrói-nos castelos, cria-nos ilusões, dá-nos novas forças, traça-nos projectos.
Então, o que eu pensei não faz sentido!... Mas eu pensei-o . Se não faz sentido porque é que eu o pensei?
Quando é que sentimos medo? Quando ainda temos esperança. Medo e esperança convivem no mesmo espaço e no mesmo tempo pessoal. Temos medo quando temos alguma coisa a perder: O Amor; os que amamos, a saúde , a segurança, o emprego, os bens; a Vida. Algo que queremos conservar. O medo é, assim, o sentimento da perda possível. É a posse ou a perspectiva da perda dessa posse que nos provoca medo. Quem não tem nada a perder não tem medo. Mesmo os condenados à morte continuam a ter medo enquanto têm vida. Por isso se diz “ enquanto há vida há esperança”
Teremos de perder o medo?... Não!
Só há medo enquanto há esperança. Por isso, ultrapassemos o medo, agarremos a esperança.