E faço esta afirmação com orgulho e com muita esperança que assim vá continuar. Óbidos é para mim uma vila vizinha, terra de familiares mas é sobretudo uma Pérola Histórica bem conservada. Passear pelas ruelas históricas de Óbidos é rever a História em cada canto, em cada pedra, em cada arco encrostado nas paredes existentes e ali religiosamenmte conservado, nos quadros da Josepha. Óbidos é as saudades dos tempos passados no Bar do Montez, onde se conversava pacatamente de tudo incluindo política antes do 25 de Abril de 1974, onde escrevi muitas, e das melhores, das minhas poesias. Óbidos é a bica tomada quase com devoção no bar da Pousado do Castelo. Óbidos é as noites da ginginha na Cave do vale. Óbidos são tantas recordações da minha infância que posso sintetizar dizendo que Óbidos faz parte de mim próprio.
Por tudo isto, sinto orgulho da candidatura que Óbidos vai apresentar a Património da Humanidade. Para mim Óbidos já é Património da Humanidade. A equipe de cientistas e investigadores que vai preparar a candidatura não podia ser melhor. Nela estão grandes figuras da investigação universitária.
Mas não há bela sem senão.
Óbidos e os concelhos vizinhos esperam há muito pela construção do IP16 que ligará o A8 a Peniche e a toda a zona do Baleal e Praia d’El Rei que se encontra em grande desenvolvimento.
Finalmente, o primeiro ministro veio ao Oeste, com pompa e circunstância, inaugurar um troço do IP16,
É uma ligação há muito esperada, há muito planeada, e muito discutida. Pelas palavras de Durão Barroso e do seu colega de partido o presidente da Câmara de Óbidos (Óbidos agora está também na moda política) até parece que o IP16 é obra deste governo e que, com ela, vêm fazer um favor ao Oeste. Quando foi construído o primeiro troço do A8, inaugurado por Cavaco Silva, já previa a construção do IP16 como prova a saída logo construída. O que o primeiro ministro e o seu colega presidente da câmara não disseram é que este projecto se arrastou há anos pela discussão do seu traçado e pela sua largura, (uma ou duas faixas) Por esse arrastamento, por essa discussão ou por erro de visão, esta obra tem sido feita ao contrário. O troço agora inaugurado vai de Peniche até à Serra d’ El Rei. Isto é, não liga coisa nenhuma a coisa nenhuma. Vejamos:
O grande tráfico comercial de Peniche faz-se para o A8 ou para a nacional nº8 ligando para Lisboa via sul, Santarém via interior Espanha ou para Leiria via Norte. Não estando feito o troço entre a Serra d’ El Rei e o cruzamento da Dagorda, o que está feito não serve para nada. O mesmo se pode dizer do movimento turístico que é feito em sentido contrário. As praias de Peniche, Baleal e El Rei, o campo de golfe e o Hotel de cinco estrelas no empreendimento turístico d’ El Rei atraem milhares de turistas. Mas estes vêm do sul ou do norte pelo A8 e do interior pelo A15. Sem a ligação a estas vias ficam com os mesmos constrangimentos. Vamos assistir (aqueles que se arriscam, eu não) no verão ainda a maiores filas de trânsito no cruzamento da Dagorda. O que deveria ter sido feito em primeiro lugar era o troço que continua por fazer. Esse sim, permitia o acesso e regresso do fluxo turístico das vias principais à paria d’ El Rei, Baleal e depois Peniche, porque é exactamente na serra d’ El Rei que se separam os respectivos destinos. O que está feito será importante quando estiver acabado. Até lá, o Sr. Primeiro Ministro e o Sr. Presidente da Câmara de Óbidos bem podiam e deviam ficar calados.