maio 02, 2004
A LIBERDADE
A liberdade é ao mesmo tempo, um conceito tão vasto e tão restrito que é difícil senão impossível traçar-lhe os limites. Para mim há dois aspectos da liberdade que encerram em si quase tudo o que podemos esperar da liberdade ou da falta dela: liberdade de expressão e liberdade de movimentação.
Um nota antes de continuar. Quando falo de liberdade e da cidadão refiro-me à liberdade que assiste ao cidadão livre, honesto cumpridor das regras do respeito pelo outro cidadão. Não falo, obviamente, do criminoso.
A liberdade de expressão não se confina na possibilidade de publicar um livro, escrever nos jornais, transmitir as notícias tal qual como os factos se passaram, estende-se também à liberdade de cada um falar e contactar com quem quer, falar do que quer e onde quiser. Antes de Abril de 74 não era só nos jornais e livros que existia a censura. Ela estava em cada esquina, na sala de aula, na mesa do café, onde quer que estivesse uma terceira pessoa e muitas vezes mesmo no nosso interlocutor não havia confiança e a comunicação era sustida e cautelosa. As conversas à mesa do café terminava logo que alguém desconhecido se sentava na mesa do lado.
É por isso que me custa hoje assistir à invasão da intimidade de cada um nas escutas telefónicas ainda que compreenda que, dado o nível da criminalidade e corrupção elas são um meio de investigação.
Outra característica da liberdade é a liberdade de movimentação. Sou Universalista. Sempre fui, e tive algumas ameaças como professor por ser contra ao estabelecimento de fronteiras políticas. Imaginem um professor de História que no tempo da ditadura dizia que Afonso Henriques não era nenhum santo, que não devia ter havia a Restauração e que a Península Ibérica devia ser uma federação de povos e estados. Entendo que os povos podem afirmar-se pela sua cultura independentemente da limitação geográfica. Isto parece utópico. Talvez seja. Mas que direito tem alguém, que nada me perguntou, de me impedir de passar daqui para ali, à distância de um passo? Quem retalhou o planeta em pedaços, colocou arame, e disse isto é meu e aquilo é do outro, foi Deus? Se tenho documentos que provam que sou um cidadão honesto, porque é que não posso ir visitar o que me apetece se sou eu que pago as viagens?
Duas conquistas do 25 de Abril!....
Publicado por João Norte em maio 2, 2004 02:48 PM
Claro que não devia haver barreiras: são os Homens que, com s asua sede de poder, as fazem...
Abraço, WB
A privação da liberdade, que as acções da justiça impõe, com as escutas telefónicas, são um primeiro passo para a perda de outras liberdades.
Se apenas um homem,lá por ser magistrado, pode ordenar a tal privação de liberdade, estaremos todos sujeitos ás diatribes de um "amigo" qualquer.
Quanto às fronteiras terrenas, não sei se foi "Deus" ou o homem, mas a primeira fronteira, foi establecida, com a da linguagem.
Peço desculpa por cair do céu neste Blog, mas gostaria que alguém
me desse um opinião sobre a seguinte ideia relativa à liberdade de expressão:
Sou um Homem do campo das ciências e, gostaria de obter um comentário
de alguém de outro campo sobre a seguinte afirmação, “A liberdade de
expressão tolerará toda e qualquer ideia, excepto as ideias intolerantes”
R.S
Caro R.S.,
Você, como homem das ciências, não vê que a própria frase (entre aspas) é intolerante, logo passível de ser intolerada.
Espero que não acredite nessa ideia de "alguém"!
Parafraseando alguém famoso "posso não concordar com a ideia de alguém, mas defenderei até à morte a liberdade desse alguém para exprimir essa ideia".
Caro R.S.,
Corrijo o meu segundo parágrafo da mensagem anterior. A idéia não é de "alguém" mas sua.
Peço desculpa pela minha falta de atenção ao ler a sua mensagem.
A.C.
Poderá haver interpretações dúbias em relação a “ideias intolerantes”…
O que se quer dizer na frase escrita anteriormente e, que ideias intolerantes são aquelas que de alguma forma contêm “a” intolerância de não permitir uma vida
de continuar, ou de uma ideia de se propagar, caso contrario haveria a hipótese (limite) não haver vida, bem como a de haver uma só ideia, que em eventualmente deixaria de existir.
Poderá haver interpretações dúbias em relação a “ideias intolerantes”…
O que se quer dizer na frase escrita anteriormente e, que ideias intolerantes são aquelas que de alguma forma contêm “a” intolerância de não permitir uma vida
de continuar, ou de uma ideia de se propagar, caso contrario haveria a hipótese (limite) de acabar com a haver vida, bem como a de haver uma só ideia, que eventualmente deixaria de existir.
Poderá haver interpretações dúbias em relação a “ideias intolerantes”…
O que se quer dizer na frase escrita anteriormente e, que ideias intolerantes são aquelas que de alguma forma contêm “a” intolerância de não permitir uma vida
de continuar, ou de uma ideia de se propagar, caso contrario haveria a hipótese (limite) de acabar com a vida, bem como a de haver uma só ideia, que poderia eventualmente deixaria de existir (caso ela por ser intolerante limite, deixaria de se tolerar).
A ideia contém ainda a seguinte excepção: A ideia inicial não é aplicada a si própria.