“Vós mulheres, estai sujeitas aos vossos maridos, como convém ao Senhor”
“Vós, maridos, amai as vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas”
“Aos colossenses, cap.3, versículos 18 e 19.”
(in blogue mocho)
Em comentário, prometi escrever sobre isto. Por isso as palavras que se seguem. O meu comentário no blogue “o mocho” foi apenas :- ultrapassado.
De facto, para pessoas com alguma instrução, com um mínimo de inteligência e sensibilidade, estes ensinamentos bíblicos estão ultrapassados. A bíblia mesmo para os não cristãos pode ser e é um livro de referência se for lida e entendida no contexto da sociedade judaica e no tem em que foi escrita. Pena é que os cristãos, tanto os católicos, como as outras seitas ou religiões como queiram chamar-lhe, continuam a interpretar a bíblia à letra. Outros povos, nomeadamente os muçulmanos, são ainda muito mais radicais, mesmo desumanos ( ver Pública de domingo 02-05) no tratamento despótico em que o homem exerce o seu poder sobre a mulher, quer se trate do marido ou do pai. A mulher é vista como um ser servil e, o que é muito pior, pecaminoso. Ao lermos relatos que são feitos por mulheres muçulmanas arrepiamo-nos de tanta barbaridade. Todavia, nós ocidentais, não estamos assim tão afastados duma mentalidade parecida. Na igreja católica e na nossa gente mais dependente da religião, o patriarcado é um valor e uma prática com laivos de poder subjugante. A Igreja ainda não admitiu o direito à mulher de dispor de si própria, e muito menos lhe reconhece o direito ao prazer. O sexo é um pecado para o qual foi criado o dogma do pecado original. Partindo deste dogma estende-se todo o conceito de submissão feminina. A laicização das sociedades, a integração da mulher no trabalho não doméstico e o cada vez maior acesso da mulher à instrução, têm criado, nas sociedades ocidentais, um conceito de igualdade que colocam aqueles versículos ultrapassados.
Há ainda muito por fazer. E são muitas vezes as mulheres, confundindo igualdade com inversão dos papéis, isto é , - até aqui eram eles que impunham, agora somos nós-, que retardam a verdadeira igualdade. Há, por outro lado, muito medo na cabeça de muitos homens. Medo de ser ultrapassado, medo do ridículo, medo de não corresponder aquilo que lhes disseram ser “um homem”.
Nos versículos transcritos existem dois conceitos que vale a pena reter “estai sujeitas” “ amai” como se às mulheres fosse impedido de amar e para os homens isso fosse uma obrigação.
Muito mais haveria para dizer, fica para outro texto.