Os tempos que vivemos são demasiado conturbados, demasiado mediatizados. Para lá do corre corre do ganha-pão, a nossa atenção é solicitada diariamente por assuntos que, pelo seu aspecto mais negativo é mais mediático. Vamo-nos entretendo com os escândalos da pedofilia, do futebol, as atrocidades do Iraque, os deslizes dos governantes. Tudo , sem dúvida, assuntos importantes.
Entretanto, outros assuntos, quiçá tão ou mais importantes mas que, por falta de hábito democrático, por falta de informação dada por quem devia e não faz, ficam esquecidos, não debatidos, e sem que lhes prestamos atenção vêm alterar as nossas vidas como factos consumados. Refiro-me, por exemplo, às eleições europeias.
Quantos de nós poderão dizer:- estou atento, estou elucidado, sei o que vou votar, porque vou votar e em quem vou votar. Se retirarmos a prática puramente clubista de votar no partido mais à esquerda ou mais à direita, naquele em que o amigo vota, naquele em que, disfarçadamente, o Sr, padre manda votar, a percentagem que fica será muito reduzida.
É interessante, a este respeito, um debate, isto é, um poste, no “Aduf”e os respectivos comentários. Nele, o Rui coloca uma dúvida pertinente. Face aos candidatos, poucos dos quais sem defeitos, ou com qualidades para defenderem os interesses do país e não os deles, e aos partidos concorrentes, em que partidos votar mais à esquerda ou mais à direita, voto nos grandes partidos ou nos pequenos, e até a abstenção, o voto nulo etc.
Não venho aqui defender a votação em nenhum dos partidos. Não sou candidato, não me deixo levar por outras cabeças que não a minha.
Todavia, há algo que me permite emitir opinião, a minha idade e a minha experiência.
Infelizmente, a nossa democracia é muito imperfeita. Mas não temos outra. Abstrairmo-nos dela é negar a nós próprios a participação num acto pelo qual lutámos durante cinquenta anos. A Abstenção não é, como alguns defendem, uma atitude, é a falta dela. É a negação do próprio acto de cidadania. Os votos brancos e nulos não têm qualquer significado porque o voto é secreto.
Resta-nos, para que exerçamos o nosso dever de cidadão, votar num dos partidos que se apresentam. E aqui é como na guerra, a boa estratégia é a que melhores resultados apresentará.