maio 21, 2004

Os Pregadores

Blogues com ou sem nome.

Já muitos escreveram, de certo melhor do que eu, sobre este assunto e também sobre os blogues admitirem ou não comentários.
São portanto, as minhas opiniões sobre estes dois casos próximos mas com algumas diferenças.
O universo dos blogues tem hoje uma dimensão que muitos de nós, bloguistas, não prevíamos quando iniciámos estas páginas.
Para muitos de nós elas eram e são apenas um divertimento, um passa tempo ou uma simples página pessoal onde se descarregam desabafos e emoções como quem escreve papéis e os arruma na gaveta.
Para outros, são um local onde, a coberto de um pseudónimo dão largas à sua imaginação poética, erótica ou literária. Coisas pessoais, sem intenções de análise, crítica ou intervenção político social. Para esses admite-se o anonimato, ainda que nada deva existir sem alguns limites apenas ditados pelo bom senso e tendo em conta que esta ”gaveta” não tem chave e o seu acesso é incontrolável. Do outro lado no espaço electrónico estão crianças e adolescentes cuja personalidade é ainda demasiado plástica, demasiado frágil para todas as leituras e observações.
Porem, quando o blogues é usado também como página de crítica ou opinião política as coisas são diferentes. Quem opina e critica deve assumir as suas opiniões e responsabilizar-se pelas suas críticas.
Pior e lamentáveis são os blogues anónimos ou os que, embora com nome, não admitem comentários.
A estes autores eu chamo pregadores . Não são jornalistas nem comentadores, nem criadores. São pregadores como os sacerdotes de qualquer religião ou seita, que do seu próprio púlpito pregam a sua dogmática doutrina sem admitirem discussão ou contra argumentação.
Alguns há que aos seus textos acrescentam os chamados “textos de leitores”. Presume-se que estes textos tenham sido enviados por e-mail permitindo-lhes uma selecção, publicar quem concorda, sonegar quem discorda.
Sem querer ofender, eu atrevo-me a dizer que há aqui uma dose de cobardia. Usa-se o blogue como o jornal do partido que se envia aos filiados. Só que no espaço electrónico não há endereços pré definidos, nem destinatários seleccionados.
Resta-me dizer que continuo a entender o blogue como espaço de liberdade individual. Mas mesmo este conceito, muito respeitável, não é ilimitado.

Publicado por João Norte em maio 21, 2004 06:10 PM
Comentários
Uma coisa é satirizar, outra literalizar, ainda outra poetar... agora quando se preconizam teorias políticas, e não se concede a liberdade democrática de ouvir as opiniões dos outros concordo contigo... é cobardia... Afixado por: Tales em maio 21, 2004 09:36 PM
Subscrevo inteiramente, embora também já o tenha abordado. É evidente que independentemente daquilo que possamos dizer discordando com o procedimento dos autores dos blogues que não permitem o comentário, nada conseguirá modificar a sua postura de cobardia. Afixado por: congeminações em maio 21, 2004 09:51 PM
Meu caro João Norte: não posso estar mais de acordo. "Da discussão nasce a luz", diz o povo sabiamente. Mas mente(s)captos(a)s não entendem isso. Deixo um forte abraço. Afixado por: LetrasAoAcaso em maio 21, 2004 10:08 PM
Nos meus tempos, de “inventor” de tratados de comunicação, tinha por costume, guardar, na gaveta do esquecimento, as prosas que a mente me ditava. A revolução de ideias e as vivências diárias, levaram a que utiliza-se os chamados jornais de parede, onde botava o que sentia e lia o que a coragem dos outros emanava. Com a descoberta da Net, o sentimento de prisão evaporou-se, daí o estar de pleno acordo com o teu post. E tendo como principio, que tudo quanto produzimos em local público, é para o público. Não aceito que alguém, sob que manto se oculte, não permita a opinião livre dos outros. A crítica é um modo de expormos os nosso sentimentos e contradições, quem não se pretender sujeitar à crítica, deveria fechar-se na sua concha. Afixado por: jgonçalves em maio 21, 2004 10:43 PM
hoje estou deprimida e dorida...tivémos um acidente...Abraço, WB Afixado por: whiteball em maio 23, 2004 12:32 AM
João Há pouco falámos sobre este assunto que considero pertinente. O Orlando do Letras com Garfos foi o primeiro (que eu desse conta) a tratar o assunto. e que muito bem distinguiu, um blogue de uma página pessoal e de um site. Reafirmo que prefiro blogues cujos autores de identificam e que permitam comentários. No entanto existem 3 princípios que poderão entrar em contradição: A liberdade do autor; o direito à privacidade; o direito de propriedade (o aceeso reservado a convite). E é perante isto que não consigo, por mais perto que me sinta da sua opinião, ter uma posição definitiva. Abraço Afixado por: carlos a.a. em maio 23, 2004 09:04 PM
Eu sei que este assunto é complexo e não tenho a ilusão de ter a verdade. Mas ver por partes. A liberdade da autor. Ninguém põe em causa este princípio. Mas o autor de um livro não é mesma coisa que o autor de um artigo de opinião. Mesmo o livro fica sujeito à crítica. O artigo de opinião pretende formar pensamentos sobre um assunto que geralmente interessa à sociedade.`É aqui que não pode fugir ao contraditório. O direito à privacidade não existe quando se publica o nosso pensamente num órgão publico e a a intenet é publica e é por ser publica que o blogue lá é publicado. O direito à propriedade é outra coisa. Um artigo ou texto não pode , não deve ser plagiado. Isto é que é o direito à propriedade. Ora eu não ponho nenum destes direitos em causa. O que ponho em causa é que alguém ( eu ou outro) publique opiniões sobre assuntos públicos, que dizem respeito a nós todos sem que qualquer pessoa possa dizer " não assim, é diferenre" por isso eu disse que para aqueles blogues que escrevem piadas, anedotas, poemas textos literários(coisas que não pretendem fazer opinião, esses sim que o façam como queiram. Agradeço a todos que têm deixado a sua opinião. E respeito a de todos, mesmo que não concordem em nada comigo. Afixado por: João Norte em maio 24, 2004 01:06 PM