maio 26, 2004
Perdi As Palavras
Perdi as palavras,
Giram em ciclos viciosos e rotineiros.
Sinto-me presa!
Fico enjoada só de pensar
No que deixo por descrever.
Mundos nascem a todo o momento
No meu pensamento.
Necessitam de se projectar na realidade,
Para se poderem expandir,
E alcançar o seu devir.
São bolhas que crio,
Elas são fertilizadas por Neptuno.
São ondas de prazer fantástico,
Que crescem sem um só minuto parar.
Então a minha mente transforma-se em útero.
É dele que a vida se projecta,
Mundos desconhecidos,
Embriões que nunca deixam de existir.
Eles apenas exigem criatividade.
Não posso parar de pensar,
Fico inebriada só de relembrar.
Sopro nesses universos paralelos,
Neles as regras mudam,
Alternando realidades mutáveis.
A sua realização apenas a mim foi entregue.
De noite quando adormeço,
Por elas navego.
Publicado por Nadir em 12:10 AM |
Unus Mundus
Os meus agradecimentos à autora.
Publicado por João Norte em maio 26, 2004 02:22 PM
Parabéns a ti, pela escolha! E obrigada por partilhares connosco. Abraço, WB
Belissimo.
Parabéns a ambos.
O meu amigo, já está melhor?
Abraços.
A Nadir tem geralmente bons poemas. Unus mundus é blogue que tenho como preferido.
Espero poder aqui (re)publicar mais coisas dela para meu prazer e dos leitores do intro.vertido.
A minha saúde?! Vai devagar.
Obrigado a todos que se têm interessado.
Por mais que uma vez, abri esta janela de comentários, afim de agradecer as palavras gentis que o João Norte deixou em algumas das minhas postas, e por várias vezes a fechei, sem deixar vestígios da minha presença.
Pelo facto de ter demorado alguns dias a manifestar o quanto apreciei a crítica favorável que o João Norte fez a alguns dos meus textos, aqui ficam as minhas sinceras desculpas, mas como deve calcular, queria responder-lhe condignamente, e isso não é fácil, umas vezes por falta de ânimo, outras por cansaço físico, psicológico, ou mesmo, abatimento moral, por isso fui adiando -- o muito obrigado -- que deseja dirigir-lhe, não podia soar a fácil, e muito menos a falso... as palavras em si mesmas, nada dizem, mas em certas circustâncias podem desintegrar os piores estigmas que perfidamente se colam à pele dos cidadãos, como ácido sulfúrico derramado no rosto de alguém, com intenção, não de matar, mas de mutilar irreversivelmente a genuína expressão individual?
Hoje é sábado (e aos sábados evito trabalhar), mas quem muitos burros quer tocar? -- faz hoje quinze dias fui a Belgais, aproveitei um evento musical que lá decorria, para conhecer o espaço, gostei, e não me sinto habilitado a dizer mais; no sábado passado fiz questão de ir a Lisboa ao 2º Encontro da ATTAC portuguesa, por estar interessado em conhecer melhor a Associação; como ainda não tive oportunidade de ir à Feira do Livro, pretendo lá ir esta tarde; é fácil compreender que a escrita seja inevitavelmente negligenciada, acumulando-se os rascunhos digitais, e também os outros, que rabisco clandestinamente ao longo do dia de trabalho, e acabam empilhados em cima desta secretária, aguardando por melhores dias... as idas à Gulbenkian, e mesmo aqui mais perto, a Leiria, a Alcobaça, cidades situadas a 50 Km do meu domicílio, são sistematicamente adiadas, perdas irreparáveis de acontecimentos culturais artísticos,entre outros, desperdiçio de eniquecimento humano, por excesso de trabalho, por desconhecimento, por falta de meios, etc... a sociedade da negligência e do facilitismo leva os cidadãos a esgotar as suas energias a trabalhar, enquanto, certos senhores, administram a seu bel prazer a vontade alheia, com total desprezo pela liberdade criativa individual; para esses senhores, a ignorância faz bem a alma, e ajuda a ganhar o céu? e não a paciência como habitualmente se crê?
Veja bem, a volta que eu já dei! Agora tenho que lhe pedir desculpa, por não ser capaz de controlar este marulhar idiota de palavras...
Tomei conhecimento, que pode não estar de perfeita saúde, desejo-lhe rápidas melhoras.
Um abraço
Rodrigo Ribeiro