Ministério da Educação garante que o ano lectivo começará a tempo
E marca já a data, 15 de Setembro.
Ora bem, isto é mesmo de quem não sabe nada para quem não sabe como funcionam as Escolas. Nada custa marcar o início do ano lectivo. Mas com quem? Se o ano passado que não houve nada das broncas que tem havido este ano a colocação dos professores foi feita no início de Setembro, alguém acredita que, este ano, os professores sejam colocados antes da data marcada para o início das aulas?!
Para quem não sabe como as coisas funcionam, até parece fácil. As aulas começarão com os professores do quadro permanente das escolas.
Fácil não é?!
Cerca de 30% dos professores rodam de escola. Isto bastaria para que os alunos começassem com um terço dos professores a menos. Mas isto seria apenas um pormenor de pouca importância.
Acrescem muitas coisas que só quem está no Ensino conhece.
Os professores que concorreram vão iniciar o ano numa escola e depois vão para outra. Horários diferentes, turmas diferentes. Com que manuais? Isto seria problema dos professores para os quais o Ministro se “está nas tintas” passe a expressão.
O professor que numa escola trabalha num horário e organizou a sua vida familiar de acordo com esse horário, vai para outra escola, tem outro horário. E a família como fica? Para isto o ministro, (idem está-se nas tintas)
No início do ano, antes de se iniciarem as aulas os professores de cada ano, 7º, 8º, 9º etc, etc, planificam as aulas para o ano todo. Os textos, os objectivos, as estratégias a utilizar. Os conselhos de Turma (conjunto de professores de cada turma, para quem não sabe ) fazem também planificação em conjunto.
Se depois de estes planos feitos os professores mudam, como é, voltam a reunir, voltam a planificar? O professor que chega à escola depois do ano começar vai perguntar aos outros : - o que é que eu faço e como faço? E os que estão no quadro permanente estão dispostos a voltar a reunir, fora de horas, para planificar segunda vez? Ou não vai haver planificação nenhuma?
Claro que para a maioria do público, ser professor é apenas saber fazer “blablabla” na sala de aulas.
Será que os Sr. Ministro pensa o mesmo?
Será que assim vamos reduzir o insucesso?
A culpa será dos professores. Já estamos habituados!