junho 05, 2004

Os Media e as Eleições

São poucas as vezes que concordo com o José Pacheco Pereira, especialmente desde que ele virou acérrimo defensor de todas as asneiras feitas pelos americanos.
Hoje, porém, Pacheco Pereira tem no seu Abrupto um artigo sobre o interesse dos jornalistas apenas pelos assuntos de ”fofoca” e insulto pessoal e o desinteresse pelas questões importantes, nomeadamente pelas questões que estão em causa nestas eleições europeias.
Este desinteresse de alguns jornalistas (digo alguns) pelas coisas importantes é notória nas notícias diárias. Tenho muito respeito pela profissão de jornalista, mas como cidadão gostava que os media fossem utilizados no esclarecimento do público e não na seu maior obscurantismo.
Entendo competir ao jornalista como pessoa informada e com uma missão de informar saber escolher e dar ao público aquilo que realmente interessa ao país e não a (insultonovela) da baixa política.
De facto pouco tenho visto nos jornais e muito menos nas televisões, esclarecimentos ou debates sobre o que está em causa na EU e para que servem estas eleições. Isso sim contribuiria para diminuir a abstenção.
Dir-me-ão que compete ao cidadão estar informado. Eu digo o contrário. Compete ao jornalista informá-lo, sob pena do seu trabalho não ter sentido.

Publicado por João Norte em junho 5, 2004 04:10 PM
Comentários
E não é o que está já a acontecer. Faz algum sentido que alguém consiga ser mínimamente esclarecido ou informado pela nossa comunicação social que tendenciosamente vai fazendo o seu papel por forma a tentar manter esta coligação na governação. Por isso é que cada vez mais há menos gente a comprar jornais. Afixado por: congeminações em junho 5, 2004 05:37 PM
De alguma forma respondi a esta questão no fórum do jornal. O que já foi um contra-poder é nesta altura PODER. Na verdade a informação está na mão de grandes grupos económicos, sendo portanto natural que defendam interesses corporativos, em lugae de informarem. Se é certo, que os leitores saem a perder, não é menos certo que os jornalistas estão literalmente castrados. Há censura na informmação. Tem outro nome. Agora deram em chamar-lhe "critérios editoriais". Tenho de facto a honra de trabalhar para alguém que nunca se deixou engajar e dobrar aos poderes instituídos. A factura para ele tem sido pesada. Para o jornal idem. Todavia, contra ventos e marés continuamos a falar de forma isenta, sem telhados de vidro. Um bem haja ao amigo João Norte pela visita ao nosso humilde mas honrado espaço. Abraços amigos. Afixado por: LetrasAoAcaso em junho 5, 2004 11:56 PM