Ter um português na presidência da Comissão Europeia não deixará, em termos de imagem de país, um aspecto positivo para Portugal.
Não quero com isto dizer que isso nos traga grandes vantagens, pelo menos vistas já como dado adquirido. Penso que a sua escolha pelos parceiros europeus tem mais a ver com as sua característica ditas dialogantes a que eu chamaria de colaborante. Não vejo que o facto de estar na presidência lhe dê mais capacidade de manobra ou negociação. Antes pelo contrário, terá de ser mais neutro e talvez seja por isso mesmo que os grandes patrões da EU ( França, Alemanha e Inglaterra) o apoiam.
Pelo lado dele, não posso deixar de considerar inteligente. Inteligente e cínico. Por um lado sobe na carreira política, ocupa um lugar onde ganha muito mais, aumenta o seu prestígio. Por outro livra-se de um atoleiro em que estava metido na situação política nacional.
Cínico! ... Após as eleições, ele primeiro ministro, vem dizer ao país que entendeu os resultados das eleições como um desafio para fazer melhor, continua a dizer que não é candidato, que o seu candidato é António Vitorino mas os portugueses não vêem uma vírgula nesse sentido. Será tudo obra do acaso? Em política tenho sempre dúvidas destes acasos.
Consequências internas:
Não sabemos neste momento qual vai ser a posição do Presidente da República, tudo são especulações. A constituição permite-lhe empossar um novo governo desde que tenha o apoio da Assembleia da República.
Ninguém tem dúvidas que o momento político precisava mais de calma governativa do que eleições. Se o Presidente optar por esse caminho ninguém os portugueses compreenderão a sua posição.
Porém, compreender não é aceitar com agrado. Os portugueses nem sequer votaram nesta maioria, votaram num partido que era encabeçado por Durão Barroso e não em qualquer outra figura do PSD.
O povo português já demonstrou, com números mais que suficientes, que não está satisfeito com o governo desta maioria. E ninguém tem dúvidas que um novo governo vai reforçar ainda a posição d a Direita. A direita tem uma particularidade que a esquerda nunca teve, uma vez no governo une-se e a certeza de que não estarão no poder mais do que os dois anos da legislatura dá-lhes essa união.
Seja qual for o primeiro ministro ou o governo que saia desta maioria e mantenha a sua continuidade é um governo que não foi eleito nem é do agrado da generalidade dos portugueses. E penso que as medidas a tomar por um governo desses serão muito mais à direita do que têm sido, contrariando assim o sinal das eleições europeias.