junho 28, 2004

Ainda o momento político

Antes deste post coloquei aqui o anterior em forma de verso que pode dar a ideia de brincadeira. Porém o assunto é sério, muito sério. Muitas vezes discordei de Pacheco Pereira, embora sempre o considerasse pessoa de grande inteligência. E, se em ocasiões anteriores discordei e publiquei a minha discordância, é justo que, agora publique a minha concordância. Possivelmente o Pacheco Pereira não leu nem vai ler o meu blogue. Não é isso que me preocupa. Tenho por costume apenas dar explicações à minha consciência e é isso que vou continuar a fazer.
Neste momento já não é só o Pacheco, dentro do PSD a levantar a voz contra a nomeação imediata de outro primeiro ministro há mais a dizer o mesmo.
Claro que eles querem um congresso no PSD para legitimar a escolha. Ora eu entendo que os mesmos argumentos servem para qualquer português dizer que só eleições gerais poderão legitimar outro governo.
Há que esteja preocupado com a reacção do Presidente da República às manifestações de rua. Eu entendo que o nosso Presidente gosta que o deixem pensar e gosta de fazer cumprir a constituição. Todos lhe reconhecemos essa qualidade. Todavia penso que não tivemos na nossa democracia um momento político exactamente a este.
Por outro lado, se o Presidente iria com certeza ouvir várias pessoas importantes, é bom que ausculte (ou escute) também o povo anónimo.
Como cidadão anónimo mas já velho, que lutou pelo 25 de Abril, acho-me no direito de pedir calma mas não silêncio.
Há outras vozes já um pouco desesperadas apontando todos os que clamam por eleições como comunistas. Esse era o “ferrete” usado no tempo de Salazar para quem discordava.
O tempo é difícil, os apetites são muitos. Vamos manter a calma mas não deixando de fazer ouvia as nossa opiniões.

Publicado por João Norte em junho 28, 2004 10:02 PM
Comentários
Algumas gralhas que não impedem o sentido. As minhas desculpas. Afixado por: João Norte em junho 28, 2004 10:05 PM
O nosso Presidente neste momento de reflexão vai dispondo de diversos indicadores para além das audições que faça a diversas personalidades, para poder ajuizar de forma a tomar a decisão conveniente. Importante também esta-se a tornar a contestação que internamente é feita ao sucessor escolhido que nem sequer tem legitimidade para ser 1º. ministro porque não fez parte da lista que foi sufragada nas últimas legislativas. Desde quando pode ser possível nomear um 1º. ministro um militante de um partido só porque é o seu vice-presidente, muito embora não tenha sido eleito deputado. O nosso Presidente que já nos habituou a tomar decisões seneramente sem precipitações não vai com certeza desiludir-nos. Afixado por: congeminações em junho 28, 2004 11:05 PM