O José Pacheco Pereira, com a arguta inteligência que todos lhe conhecemos, traça hoje na sua crónica habitual do jornal O Público, com a clareza do diamante, a personalidade e o (des) governo autárquico de Santana Lopes. Não transcrevo, mas recomendo vivamente a sua leitura. Para quem não conhece ou tenha memória curta estão ali, pelo menos as megalomanias de Pedro Santana Lopes na Câmara de Lisboa pelas quais podemos fazer uma ideia do dinheiro dos contribuintes que tem sido desbaratado e do que nada tem sido feito.
Todos, mesmo muitos militantes do PSD, temos consciência do imbróglio em que a demissão de Durão Barroso colocou o País.
Porém, os defensores da “estabilidade” afirmam que havendo eleições antecipadas o país estará seis meses sem governo. Têm alguma razão, não toda. Sabemos que um governo de gestão é, por imposição constitucional e moral, um governo que não pode nem deve tomar medidas de fundo. Sabemos também que um novo governo leva algum tempo a pôr em prática o seu programa. Talvez isto somado coloque o país durante seis meses em marcha lenta.
Mas o que ninguém duvida, nem os seus correligionários, é que um governo de Santana Lopes ou outro que saia desta maioria será mais à direita e terá pressa, não em pôr o país a sair da crise, mas em continuar numa desenfreada delapidação dos bens públicos e na entrega às grandes seguradores tudo o que resta economicamente rentável.
Por isso, vale mais seis meses parado do que dois anos em acelerada marcha atrás.
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