julho 08, 2004
Saudades da minha Infância.
É certo que se não tivéssemos vivido não seríamos hoje aquilo que somos. Não seríamos nada. Ser alguma coisa, boa ou má, rica ou pobre, simples ou complexa, sábia ou ignorante, implica ter vivido.
Cada momento que vivemos deixou a sua marca, o seu traço, o seu caracter na escrita de cada página deste livro que é a nossa vida.
O passado, embora haja quem diga que não existe, o meu passado sou eu.
Não vale a pena arrependermo-nos nem querer voltar a trás. Não há movimento para trás. Não há retorno nem retrocesso, nem sequer podemos reduzir a velocidade, para descansar, fazer uma pausa.
Resta-nos esta maravilhosa faculdade da memória. É uma riqueza incalculável de que dispomos podermos evocar, na nossa mente, momentos distantes no tempo mas presentes em nós.
Como é bom poder estar hoje a ouvir música enquanto escrevo estas linhas e nelas vou registando, partilhando com quem vier a lê-las as lembranças da minha infância.
A quinta com os seus vales e outeiros, as cores, a multiplicidade de cores que o campo nos oferece, os animais que fazem parte da família, a frescura do ribeiro, a música da corrente, o chilrear dos pássaros, a luz de cada manhã de primavera, o silêncio das noites do campo apenas quebrado pelo estridular dos grilos. Os cheiros, os aromas da natureza, da terra, das plantas, das flores e dos frutos. O cheiro da noite, da terra húmida, do orvalho da manhã.
Lembro os livros que li. Não os livros nem os seus autores, nunca decoro o nome dos autores, o que eu lembro é o prazer que dava ler, às escondidas do meu pai, os livros que um amigo mais velho me emprestava. Aquela leitura escondida fazia de mim um ser importante, lia coisas que os outros não liam, corria a minha mente por tempos e espaços que eram só meus, falava com aquelas personagens como se fossem minhas amigas elas faziam parte do meu mundo.
Os primeiros amores, a perda da inocência, natural e pura como toda a natureza.
A Ernestina. Com que saudade eu lembro a Ernestina! Aquela manhã em que juntos almoçávamos pão com chouriço junto do ribeiro, à sombra dos salgueiros por onde a luz da manhã passava em reflexos de arco-íris.
A Ernestina era mais velha do que eu.
A primeira vez em que acariciei aquele tufo entre as pernas dela e senti o sangue pular-me nas veias e o meu pénis crescia e se tornava tão duro que me doía.
Ela mais esperta do que eu, já sabida, sentou-se em cima de mim e fez com que a penetrasse devagarinho, depois movimentando-se com arte, gemendo de prazer, soltando guinchos, revirando os olhos que eu pensei que ela ia morrer.
Os salgueiros rodavam por cima de nós e eu sentia-me louco naquela nova sensação, até explodir e ficarmos ambos a arfar de cansaço e de prazer.
Publicado por João Norte em julho 8, 2004 05:04 PM
malandro
a inocência da infância que eu sei tu ainda guardas dentro de ti
Olá João
Desculpe ter sido um vouyer nesta sua experiência, mas... foi mais forte que eu, perante tal descrição não consegui deixar de ler até ao fim. Pareceu-me até ouvir os sons... e fiquemos por aqui.
Bela escrita!
A nostalgia, só traduz melancolia, se não ousarmos gritar!
É bom, por vezes, parar e recuar no tempo.
As nossas vivências encerram sempre algo de belo e ao mesmo tempo de misterioso para nós próprios.
Será salutar, poder partilhar com quem nos rodeia, os nossos próprios sentimentos, sem condescendências.
Pois caro João quantas Ernestinas não passaram pela vida de todos nós. E ainda bem que assim foi, porque sem essa experiência não teriamos atingido o conhecimento de que hoje dispomos.
Meu caro João: depois de uma ausência algo substancial, e pela qual peço desde já as minhas desculpas, deparo-me com um texto belo e forte, a remeter-nos a todos/as para as nossas melhores memórias.
A minha, chamava-se Isabel..
Um forte abraço e a renovaçção do pedido de desculpas. Mas tinha atingido um ponto de ruptura no que à exuatão diz respeito.
Abraços fortes e foi bom voltar a visitá-lo
Devo confessar que vim só espreitar pela 1º vez esse teu espaço linkado num blog amigo, quiz espreitar-te e qual espanto o meu... aqui cantam-se saudades. Gostei na verdade amei ler olha meu blog hoje tem um post que é a prenda ao letras ao acaso passa lá.
ps: Eu na sou essa isabellllllllllllll.
sentei-me aqui à espera do novo post ;)
ler-te é sempre uma descoberta
"O que somos hoje é fruto do que passámos e do que fizemos ao longo da vida. Não adianta fugir a essa realidade." Foi algo que escrevi em Maio no blog... acho que aqui se aplica perfeitamente. A nossa infância perseguirá sempre o adulto que há em nós... e o adulto que há em nós recordará sempre a criança que outrora fomos... Gostei do texto. ;) Bjs
A medida quevais ecrevendo eu vou visionando cada cor que o pincel deixa cair na tela, cada som que ecoa no ar... e eu mesma retrocedi no tempo.. Um beijo doce
Oi João, chega a ser belo o teu amor ao que já se foi. É preciso homenagear o tempo numa simbiose perfeita de simultaneidades, a evocar a trilogia, passado , presente, futuro. A fusão de épocas acontece na exaltação de feitos que já se foram, mas que permanecem vivos no exercício da recordação.
Adorei tua visita, assim tive o prazer em ler-te e saber que pensas como eu. Sou movida a saudades também e o que sou hoje é com certeza o resultado do meu passado.
Gostei daqui, de tudo que li e senti.
Um beijinho. Voltarei. e tu voltarás? Assim espero.
Lindo :)
Ah, AH! Mto bem. hum nostalgico e inspirado?