Esta novela do barco do aborto ainda vai dando para nos distrair por mais uns dias.
Estava eu aqui numa pausa de trabalho a pensar neste governo que nos vai desgovernando.
Não conheço pessoalmente nenhum dos nossos governantes, são jovens ilustres e não sou nem uma coisa nem outra. Por isso tudo o que digo é por ouvir dizer.
Mas, se bem me lembro, como diria o saudoso Professor Vitorino Nemésio, o nosso primeiro é apelidado nas revistas cor-de-rosa e nos jornais madrilenos de D. Juan a que nenhuma “Lolita” escapava. Não terá nenhuma se esquecido de tomar a pílula?
Já no que respeita ao mui católico ministro do mar não consta nada disso. Consta que é solteiro e logo como bom católico, acérrimo defensor da moral e bons costumes, com certeza virgem. ( submarino que nunca levantou o periscópio). Pena que seja um pouco como as crianças, quando se lhe dão muitos brinquedos pegam sempre no maior.
Assim, se em vez de mandar corvetas, aviões F16, que toda a gente viu a cruzar os ares, e outros meios pesados de guerra (há quem afirme ter visto um exército de freiras de foice em riste) tivesse mandado uma pequena lancha com dois marujos entregar um recado ao barco para se fazer ao largo, nada disto teria acontecido.
Tinha o Sr. ministro um meio muito mais eficaz e discreto: um submarino. Consta que o velho “Barracuda” ainda navega. Ora o submarino, navegando silenciosamente a 250 pés de profundidade, aproximava-se do barco intruso, subia um pouco, punha de fora o periscópio e espreitava. Se houvesse coisa pronta para o aborto, emergia das profundezas tal “ Adamastor” e Alto!... que nestes mares manda El Rei D. Portas! Se não houvesse coisa para o aborto, já que com a propaganda até o bispo concorda, o Barracuda voltava a mergulhar e deslizava para a base e não se falava mais nisso.
Porém, agora o problema já não já não são só os deputados de esquerda que vão para lá fazer barulho que, com as ondas, ninguém ouve, é o Sr. Presidente.
Ora o Sr. Presidente garantiu-nos que ia manter estes governantes de rédea curta. O sr ministro mexeu com o comando supremo, e aí, o Sr. Presidente quer explicações.
Bem diz D. Torgal Ferreira. “ Para quê tanta confusão”.