setembro 15, 2004

O Autoritarismo confude o cidadão.

O autoritarismo não subjuga completamente o cidadão confunde-o ..”

Começa assim um texto publicado por Rodrido Ribeiro no seu blogue ( O emergir vespertino da quotidiana esterilidade), texto que recomendo. É extenso mas vale a pena ler com atenção.

Este tema desenvolvido pelo Rodrigo coloca-nos no centro de uma questão de muitos portugueses , senão a maioria, parece não ter consciência quando deveria tê-la há muito e, enquanto a não tiver, o nosso país nunca terá um desenvolvimento e uma sociedade democrática.
Falo da consciência de cidadania.
Só a consciência plena deste conceito, do funcionamento que deve ter um estado democrático e das suas regras poderão fazer funcionar a sociedade livre e responsavelmente.
O que acontece em Portugal, infelizmente não só, mas falemos do que nos é mais próximo, é que a falta desta consciência não se situa apenas nos escalões menos instruídos da sociedade, mas em todos ou até mais acentuado nos escalões de superior instrução e por isso ocupando lugares de governo quer se trate da política propriamente dita como também da gestão da economia.
E não é só mazela das classes mais desfavorecidas, é de todos.
Como diz o Rodrigo educa-se no autoritarismo e confunde-se o cidadão.
Confunde-se a estrutura mental de tal forma que poucos sabem o que são os seus direitos e os seu deveres dentro de uma sociedade democraticamente organizada.
Esta falta de consciência e de formação cívica leva imediatamente aqueles que ocupam os lugares cimeiros da sociedades a tratar os outros cidadãos com arrogância, muitas vezes com desprezo, não pensando sequer que só ocupa esse lugar porque a sociedade existe no seu todo, são os outros cidadãos que lhe pagam e são a razão da existência dos lugares por si ocupados.
Se dissermos a qualquer dos nossos governantes, gestores, magistrados, médicos, funcionários, autarcas, presidentes de quaisquer instituições por mais importantes que elas sejam, que os outros cidadãos, mesmo os mais pobres, são os seus patrões, farão, com toda a certeza, a maior cara de espanto.
Isto é tanto mais grave quando se estende aos sacerdotes das várias religiões que, como os outros titulares, se substituem ao próprio deus e manobram o ser humano na sua característica mais influenciável – a emoção e a fé – e, conscientes ou não, arrastam as multidões para comportamentos brutais o de completa subserviência.
Da mesma forma se dissermos ao vulgar cidadão que o primeiro ministro, o presidente da República é seu funcionário, que está a gastar do dinheiro que também é seu ( ou deveria ser) obteremos o mesmo espanto.
Este problema, que é estrutural, estende-se a todos os quadros intermédios. Perguntemos a um militar, a um polícia a qualquer elemento se segurança quais são os seus deveres, todos responderão – defender a Nação. Mas se perguntarmos o que é a nação? Dirão que é o governo as instância superiores e nunca o povo na sua base. Isto explica, em grande parte, a brutalidade ou o comportamento bajulador aos superiores das chamadas forças da ordem.
Eis aqui, por outras palavras, a grande “confusão” gerada por uma educação errada, desenvolvida pelo Rodrigo Ribeiro.

Continua em texto próximo.

Publicado por João Norte em setembro 15, 2004 04:24 PM
Comentários
não lhe removia nem uma vírgula... mas meu amigo... eu lembro-me sempre disso. afinal não sou tão desatenta como pensava. Afixado por: fairy_morgaine em setembro 15, 2004 11:50 PM
Excelente chamada de atenção. Um alerta premente. Abraços João Norte Afixado por: LetrasAoAcaso em setembro 16, 2004 01:27 AM