setembro 19, 2004

O Autoritarismo confunde ( continuação)

Num dos meus textos anteriores escrevi sobre a confusão que o auritarismo lança na formação do cidadão, partindo de um texto do Rodrigo Ribeiro, prometendo voltar ao assunto.
Depois de reler o texto cheguei facilmente à conclusão que não esreveria nada melhor, nada mais claro do que aquilo que ele escreveu pelo que, com a devida vénia e apenas pretendendo que mais pessoas atentem neste tema, tomei a liberdade de transcrever parte dele.
Com um abraço ao autor.

"A relação de reverência/aversão com o autoritarismo, confunde o cidadão.
O autoritarismo não subjuga completamente o cidadão, confunde-o. O cidadão desenvolve uma relação ambígua com o poder, que oscila entre o temor, que leva à cobardia e a revolta que pode levar a actos subversivos; mas como a educação do cidadão se baseia na adaptação progressiva e comportamentos cobardes, as principais referências culturais presentes na formação do cidadão levam-no a inferir, que quanto mais cedo aprender as regras do jogo,mais depressa poderá tirar proveito dessa aliança com a mentira, e mentira porquê? Porque o que acontece na verdade, é um processo precoce de aniquilamento da consciência, quer isto dizer, que o ser humano é enterrado vivo, antes de ter possibilidade de reconhecer a face do seu rosto humano.
O cidadão comum «respeita» os dissidentes, os que se revoltam contra as injustiças praticadas ao abrigo do estado de direito e da ordem pública, mas só em momentos de crise seria capaz em desespero de causa afrontar o sistema, e mesmo assim, não saberia como lidar com a situação, um vida inteira devotada a corromper os valores da vida, da liberdade de pensamento, a adaptar-se às mentiras, a menosprezar as petições apresentadas pela consciência, as consequências de hábitos tão perversos não se pagam num momento de fúria contra o sistema, seja lá porque motivo for. O cidadão vive dividido, entre essa vontade intíma de socorrer a parte de si mesmo que sente ser a mais importante e que definha todos os dias um pouco mais, e a necessidade de se afirmar numa sociedade cruel e impiedosa, que supostamente protege os audases, que me certa medida se confundem com os mesquinhos (as excepções, porventura confirmarão a regra); neste confronto desigual ganha a cobardia, ou seja, ganha a mentira.
Na relação ambígua amor/ódio com o autoritarismo quotidiano dissipa o cidadão recursos animícos e criativos imprescindíveis à descoberta e desenvolvimento da consciência de identidade, o seu mais precioso bem, em que local místico, «oculto» supõe o ser humano que brotam as límpidas águas da liberdade incondicional de ser e comunicar? "

Publicado por João Norte em setembro 19, 2004 11:47 AM
Comentários
Caro João Norte, somos desde que nascemos condenados a uma servidão perpétua. Não posso estar mais de acordo com o texto, aliás magnífico. Um forte abraço. Afixado por: LetrasAoAcaso em setembro 20, 2004 08:31 PM
mas maior k a servidão, é a não consciência dela... rodrigo leão é brilhante e consciente. tu tb. e k fazer dessa consciência? talvez sobre apenas um pequeno reduto e na solidão dele, k existência temos ? não haverá porventura formas de resistir ? talvez... Afixado por: marta em setembro 20, 2004 09:46 PM
madre de dios, não é leão é ribeiro. mas não deixa de ser brilhante o texto. e para abrilhantar eis um do gabriel, o tal k é pensador: " até qd você vai levando porrada? até qdo você vai ficando s/ fazer nada? Até qdo você vai ser saco de porrada ? Muda k qdo a gente muda o mundo co a gente A gente muda o mundo na mudança da mente e qdo a mente muda a gente anda pra frente e qdo a gente manda ningém manda na gente Afixado por: marta em setembro 20, 2004 10:20 PM