setembro 26, 2004
Porque Escrevo
Escrevo.
Umas vezes para esquecer outras para lembrar.
Para esquecer o mundo que me rodeia: a mentira, o cinismo, a hipocrisia, o interesse instalado e mal disfarçado daqueles que se acham donos do mundo e da vida dos outros como se de deuses se tratasse mas actuando como lobos esfaimados devorando.
Falta honestidade, falta dignidade, falta respeito pelos outros e, especialmente, pelos mais fracos.
Não se cilindram porque são necessários à gula e à ganância dos poderosos e dos ricos, deixam-se viver no limiar do possível. Parafusos de uma engrenagem bem montada explorada enquanto funciona e produz, para logo abandonada como ferro velho em qualquer lugar por onde se atira a sucata da humanidade.
Cada vez mais as sociedades urbanas senhoras do conhecimento avançado fruto desenvolvimento científico e tecnológico que resultaram de esforço de toda a humanidade, se encontram mais desumanas.
Cada vez mais o homem se encontra desenraizado, de costas para a Natureza que o criou e ignorando a sua harmonia.
Cada vez mais o homem se empenha na exploração e roubo do outro como se as riquezas do Planeta não pertencessem a todos.
Cada vez mais as religiões dominam os homens pela mentira, exactamente no sentido contrário aos ensinamentos que lhe estão na base.
Que Deuses são estes?
Que homens são estes?
Então, eu escrevo para lembrar a minha infância, ingénua e sã onde o amor era mesmo amor, o vizinho era mesmo o vizinho, o outro era um amigo.
Escrevo para recordar os que amei e que guardo com a mesma pureza com que os amei. As palavras que escrevo são o elo de ligação com eles, estejam onde estiverem. Escrevo porque as palavras encontrarão outros que pensam e sentem como eu. Estes sãos os amigos de agora. Próximos ou longínquos. Importa apenas que sintam como eu, mesmo que não pensem como eu.
Publicado por João Norte em setembro 26, 2004 12:33 PM
Às vezes escrevemos apenas na tentativa de organizar o turbilhão de ideias que temos na nossa cabeça! Às vezes ajuda a esquercer, outras ajuda a lembrar... nem sempre como gostariamos!
Escrever é diluir a angústia em doses homeopáticas
Escrever é fazer uma cura de desintoxicação
Escrever é resistir à mediocridade e mesquinhez de qualquer tempo e lugar
Escrever é partilhar
Escrever é amar a verdade acima de todas as coisas
Escrever é ter coragem para viver
Escrever é despertar a consciência para a mui humana necessidade de descobrir, interpretar e conpreender tanto o rosto visível, como as faces ocultas da Ignorância
Escrever é estabelecer uma plataforma de inteligibilidade comum, que possa servir a comunicação entre pessoas.
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
:)
João, ainda existem pessoas como as da tua infância, vizinhos como os de antigamente, amores sadios, crianças ingênuas. mesmo que a sociedade atual seja um convite ao contrário, podemos encontrar essas pérolas. Sou feliz por isso. E feliz por te conhecer, assim. Beijos
Escrever também é uma forma de desabafarmos as nossas angustias e temores e sobretudo uma saudável forma de convivermos com gente desconhecida.
Meu amigo, escrever, será coordenar a batalha que se trava entre o consciente e o subconsciente, entre a exteriorização e o silêncio.
Se soubesses como eu te compreendo...nem podes imaginar...Abraço, WB
Que nunca deixes de escrever... Que nunca deixes de sentir assim! Desejo de uma excelente semana
Olá vizinho João
Apesar de não usar os seus comentários há algum tempo não deixo de me deliciar com a sua escrita.
Deixei-lhe no seu post "trapalhadas e mentiras" um mail que me chegou e que penso poderá levantar muitas pistas, para as respostas às questões levantadas.
Abraço e continue com essa força!
Tenho vindo a descobrir a generosidade do amigo João Norte, a quem considero um verdadeiro amigo, embora ainda não tenha o prazer de o conhecer pessoalmente.
Escrever é sempre um acto de sublimação.
Fê-lo muito bem. Espero que de igual forma lhe tenha feito bem.
Abraços fraternos e amigos.
Ei João! Que texto- Os nossos companheiros já disseram tudo, que direi eu? Apenas que me apeteçe dar-lhe um GRANDE ABRAÇÃO daqueles à
Zecatelhado
Sinto o mesmo, pensando sobre o que sinto, mesmo que não concorde com o que pensas ;)
A escrita é catártica. é belo o que escreves, já o tinha dito noutro comentário a um post teu, (é a primeira vez, sim, que escrevo aqui como vague)
Boa semana.
Escrever é por vezes a necessidade de, abrindo muito ou pouco (depende de cada um) a alma, exorcizarmos sentimentos, amarguras, quais demónios que, de alguma forma, nos corroem. Também é a procura do entendimento dos outros, claro. Obrigada pela tua visita. Gostei muito de conhecer o teu espaço. Um abraço
sim, joão, escrita como água, como diz uma poeta, escrita de raiva, de uma geografia interior quase sempre em convulsão com o real, escrita arrancada ao quotidiano que nos dá azia, atrás de azia. também desagua em mim uma certa nostalgia que vou combatendo com o oficío de educar.
e é sempre, sempre mais difícil deixar de ter amargos de boca. será talvez essa uma das heranças da história da vida de cada um...
abraço
marta
continua a escrever que parece ser esta a forma de nos entendermos com o passado, presente e futuro...e connosco.
aquele abraço