outubro 12, 2004
Odeio as Palavras.
Prostitutas que se prestam a tudo.
Quanto mais bonitas mais falsas, quanto mais pintadas mais ocas, quanto mais compostas mais vazias, quanto mais rebuscadas menos dizem, quanto mais meigas mais cortantes, quanto mais sedutoras mais infiéis, quanto mais prometem menos cumprem, quanto mais oferecem menos dão, quanto mais suaves mais ferem.
Já os Romanos disseram: “as palavras voam”
Voam porque nada as prende.
Quem emprega palavras bonitas não quer dizer nada com elas.
Talvez no início da linguagem tivesse uma relação com os actos!? Mas isso perdeu-se.
Publicado por João Norte em outubro 12, 2004 04:06 PM
Não concordo totalmente.
As palavras não se prostituiram: foram prostituídas...
Um abraço,
Francisco Nunes
Amigo João, as palavras podem ferir e até matar.
Mas não são elas as assassinas, mas sim quem delas faz errado uso.
Não, tu não odeias as palavras, podes estar zangado com elas mas isso é diferente :-). Por aquilo que li, tu pareces-me um amador de palavras, naquilo que o termo tem mais bonito. As palavras podem ser umas traidoras, mas também são uma das formas mais eficazes de comunicarmos com o mundo e, sobretudo, com aqueles que amamos. Boa noite para ti :-)
elas amam-te joão
Acima de tudo, as palavras devem relacionarem-se com o próprio, quando nascem e brotam, livres. Depois, concordo com "Planície Heróica"...
Um abraço.
Noto algum desencanto João Norte.
As palavras se bem usadas, podem e são uma arma poderosa, capaz de derrubar governos.
Depende de quem e de como são usadas.
De resto, já vi aqui palavras belissimas e repletas de sensibilidade.
Abraços meu amigo.
Pronto...já terminei...até estou cansada, canecos...
Andei a passear pelo teu blog e gostei do que vi. Quanto às palavras... que seria de nós sem elas? Elas não têm culpa dos actos de quem as escreve e fala. Beijos :)
Nem sempre, nem sempre ;) muitas vezes a elaboração ou enfeite serve para mascarar a falta de conteúdo, mas assumir isso como regra, é perigoso e tem um não sei quê de preconceito, não? :)
Estou a lembrar-me de Eugénio de Andrade e de Ramos Rosa. Poetas com estilos completamente diferentes - num é breve a palavra, luminosa, simples e absolutamente necessária - noutro a palavra enreda-se sobre si própria, cria laços complexos com o mundo e eu não sei de qual deles gosto mais, certo é que me exigem uma leitura e um estado de espírito diferente mas são-me ambos imprescindíveis para compreender a relação da palavra com o sentir e com o mundo exterior.
Bom domingo :)