Fui á minha aldeia visitar o meu tio Joaquim. É um velhote simpático já na casa dos 80.
Dei com ele sentado à mesa de lápis na mão. O meu tio só tem a 3º classe.
No fim dos cumprimentos habituais as perguntas pela família, os garotos etc, não resisti a perguntar:
- o que faz o tio que não larga o lápis?
- Ora ainda bem que aqui estás. Estou aqui a ver se entendo as contas do governo, vais-me dar uma ajuda.
- Ó tio as contas do governo também não as entendo, isso é coisa muito complicada, coisa para os economistas.
- -É só uma coisinha simples que eu estava aqui a ver se entendi.
- É assim:
- O governo diz que a economia vai crescer 2,2% e diz que vai baixar os impostos.
- Supomos (eu não emendei coitado do tio) que eu semeei a mesma terra, se ela dá mais 10 alqueires são mais 10 alqueires que eu tenho, supomos que não baixava, que as taxas eram as mesmas, eu acho que o governo ia arrecadar mais 2,2%.
- Não é assim sobrinho?
- -Sim, acho que sim.
- Então como é que o governo diz que vai baixar os impostos, vai baixar o IRS, e vai receber muitos mais milhões de Euros? Aqui há gato escondido com rabo de fora.
- Deixe lá tio que eles não vão lá estar muito tempo.
- Não gostava de morrer sem ver estes aldrabões de lá para fora. Eu só queria lá ver alguém que falasse verdade, que não fizesse dos velhotes parvos.
- Esperamos tio, esperamos!