Na quinta do Padre João havia uma figueira que dava figos muito doces. Figos pretos, rachadinhos a que nós, os rapazes da aldeia, chamávamos pingo-de-mel. Não sei se tinha alguma coisa a ver com a espécie, nós chamávamos lhe assim por serem doces como o mel.
Além dos figos doces que produzia, a figueira tinha uma copa especial. Cresceu em forma de cogumelo com ramadas que se sobrepunha desde o alto até ao chão estendendo-se pela terra, formando como que uma tenda de índio.
Por fora os deliciosos figos amadurecidos pelo sol, por dentro uma sombra fresca quase impenetrável à luz. Um esconderijo eficaz contra olhos bisbilhoteiros.
Não faltavam na propriedade do meu pai figos de várias qualidades, mas os figos do padre tinham um gostinho especial.
Era difícil subir pelo tronco que era constituído por um emaranhado de ramos. Eu trepava pelas ramadas até ao cimo, sentava-me entre as folhas verdes e ficava saboreando os figos e gozando a sombra.
Além dos figos, de vez em quando, eu podia apreciar a sobrinha do padre, a Marília que tinha umas mamas roliças e dois olhos azuis como dois céus que prendiam os meus.
Como a Marília me parecia sempre bem guardada pelo tio, eu vingava-me, já que não podia comer a Marília comia-lhe os figos.
Até que um dia, estava eu sentado dentro das ramadas saboreando os figos, quando chegaram os dois, o padre e a Marília, de cesta no braço, conversando e rindo.
Apanharam alguns figos, sentaram-se dentro daquele espaço vedado das ramadas e a conversa passou a brincadeira.
As mãos do padre começaram a acariciar a Marília ao mesmo tempo que por ela ia distribuindo beijinhos, das faces passou às maminhas e destas mais para baixo. A Marília contorcia-se e dava risadinhas baixinho.
Depois o padre empurrou-a, levantou a batina e .....ui... que fungada, que gemidos, que ais tão gozados.
Eu lá em cima nem mexia um dedo para não interromper aquela cena me punha o sangue em brasa.
No auge da coisa, a Marília erguia o corpo com volúpia e revirava os olhos azuis. E aí deu pela minha presença. Mas eu já estava de dedo no nariz, fazendo sinal que não se manifestasse.
Ela aguentou. Também já não valia a pena parar e, depois, naqueles momentos, não há travões que parem a marcha.
Acabaram a colheita que lhe deve ter sabido muito bem, a fruta era boa e saíram rindo e sacudindo as roupas.
No outro dia, um pouco mais cedo, eu lá estava no mesmo poiso. A Marília apareceu, corada, calada, sem saber o que dizer, mas eu tratei de a pôr à vontade.
A minha boca não se abriria. Garanti. Mas!?......
Dali em diante, quem se abria eram as belas pernas da Marília para meu deleite e também dela.
Além de sugar os figos que só duravam o verão, eu sugava as maminhas da Marília que durava o ano todo.
Que belos figos criava a quinta do padre!
Histórias da minha infância
Publicado por João Norte em dezembro 14, 2004 03:02 PM