Passado todo este tempo sobre a catástrofe do maremoto que vitimou cerca de 200 mil pessoas e arrasou enormes extensões, umas turísticas outras de simples pescadores, só agora que as imagens da desgraça deixaram de entrar em casa sempre que se ligava qualquer canal de televisão, sinto que vale a pena escrever sobre o assunto.
Já tinha incluído nos votos de Ano Novo umas linhas sobre aquilo que penso nos devia fazer reflectir.
Como bloguista entendo que este espaço, tenha poucos ou muitos leitores, só pelo facto de estar no ar, tem um dever que vai muito para lá do divertimento ou da crítica política.
Entre os muitos textos e artigos de jornal que se escreveram, destaco um, não pela sua grande qualidade, mas porque nos mostra como ainda continuamos a pensar e a atribuir fenómenos naturais à boa ou má vontade de Deus, mesmo quando mandamos satélites e recebemos fotografias de Titã.
Sem pretender criticar a fé de alguém, acho que é tempo de pensarmos que já ninguém desconheço que o Planeta continua vivo, com o seu interior em magma, que os continentes se deslocam e as placas da crosta flutuam sobre o interior fervente e, por isso, inconstante.
A primeira conclusão a tirar deste fenómeno é positivo, o Planeta está longe de morrer por arrefecimento. Que toda a crosta é instável e que a realidade geográfica de hoje pode não ser a de amanhã.
A segunda é que qualquer ponto costeiro está sujeito a situações idênticas.
A terceira é que cabe ao homem a responsabilidade de não ter respeitado essa realidade, construindo em qualquer lado, muitas vezes com intuitos de lucros fáceis. É tempo de o homem assumir as suas responsabilidades em vez de esperar a protecção divina para as suas asneiras e culpar o Deus por tudo que acontece.