janeiro 26, 2005

Um mês depois.

Passado um mês temos uma noção mais exacta da tragédia provocada pelo maremoto na Ásia. 280 mil mortos e há ainda desaparecidos por contabilizar é, sem dúvida, um número impressionante que não podemos esquecer, nem isso nos é permitido porque as imagens que os acompanham continuam a entrar-nos em casa.
É, de facto, uma tragédia que nos obriga a participar no auxílio aos sobreviventes e a pensar no que seria possível fazer para evitar tão grande mortandade.
Todos nós nos sentimos impotentes perante a Natureza cuja força e vida própria esquecemos na nossa relação com o Planeta.
Todavia, se neste tipo de tragédias pouco poderemos fazer, outras ocorrem pelo mundo que, só porque não aconteceram de rompão mas vão acontecendo, pelas quais podíamos e devíamos fazer mais. No maremoto morreram 280 mil pessoas, no Iraque desde da invasão americana morreram 500 mil e no Sudão e outras partes do mundo muitas dezenas de milhares. E todas estas não têm como causa a natureza incontrolável mas a mão do homem. Será talvez por isso que os média não lhe dão tanto relevo, ou as imagens são menos apelativas às audiências?
E as mortes pela SIDA ou nos acidentes de automóvel? Será que estas, pelo seu quotidiano, deixaram de nos impressionar? Ou o homem deixou de ter responsabilidade e medo pelas mortes que ele próprio causa e apenas teme a natureza, embora também não a respeite.

Publicado por João Norte em janeiro 26, 2005 03:01 PM
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