O deputado Francisco Louçã tinha-nos habituado a certo charme e um discurso interessante. Muitos eleitores de esquerda encontravam no BE e nas palavras de Louçã a falta de garra e de graça que se fazia sentir nos outros partidos. Louçã era inovação. Era interessante não só pela sua capacidade irónica e verbo fácil como o que parecia ser uma onda de ar fresco na esquerda.
Porém, na sua ânsia de crescer, Louçã perdeu tudo isso.
Se o BE pretende ser um grupo parlamentar respeitado tem de criar um discurso diferente, já não basta ser o jovem irreverente do parlamento, tem de se posicionar na esquerda com respeito pela mesma esquerda. Isto é, pelos partidos que se colocam desse mesmo lado da barricada. Tem de perceber que os inimigos da esquerda são o PP e o PSD.
Ora, o que está a acontecer é que o discurso não mudou e, ainda pior, o Francisco Louçã parece ter eleito como alvo preferencial das suas críticas o PS. Com uma agravante de não ser correcto.
Quando Louçã vem lembrar que nos governos de Guterres havia uma maioria de esquerda no parlamento, era bom que dissesse quando é que o BE viabilizou um Orçamento de Estado apresentado pelo PS. Bastaria ter usado a abstenção. Mas não, sempre teve contra, obrigando o PS às negociatas com a direita que ficaram famosas pelo caso do Queijo Limiano.
É, por isso, necessário lembrar ao Francisco Louçã que ele é um dos responsáveis por termos caído no governo de Durão Barroso e de Santana Lopes.
E volta, nesta campanha, a afirmar a sua indisponibilidade para negociar com o PS se este não tiver a maioria absoluta.
Por isso, o BE que até tinha a minha simpatia e a de muitos outros eleitores está a descer nas sondagens e não percebe.
A culpa de termos caído nos governos de direita cabe muito aos partidos de esquerda.
Embora o Eng. José Sócrates na seja especialmente simpático, a inteligência diz-me que é preciso votar na PS e tentar que este tenha a maioria.
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