fevereiro 16, 2005
Eu e as Palavras
Eu sou as minhas palavras.
Por vezes as palavras faltam como se o nosso ser desaparecesse, como se o nosso interior se desvasiasse e, dentro de nós não houvesse nada.
Sentimos aquela sensação de vazio, de ausência, de inexperiência como se tivéssemos acabado de cair neste mundo sem nada sabermos dele. Pessoas e coisas perecem não nos dizerem nada.
Nestes momentos a tendência, a minha, e possivelmente, a dos outros, é para o isolamento, para a solidão como refúgio. O nosso espírito recolhe-se na procura do descanso e do refazer das suas próprias imagens e lembranças.
São momentos que nem com aqueles que amamos conseguimos comunicar. O nosso silêncio agride quem nos rodeia. Nós temos consciência disso. Todavia, não conseguimos ultrapassar esse obstáculo, embora tenhamos a noção da sua existência.
São, porém, os momentos em que mais amamos quem amamos, e são eles, mesmo que nada façam para isso, que nos ajudam a ultrapassar essas quebras de energia, de força e vontade de viver porque temos de aceitar que as pessoas fazem parte da nossa vida.
A presença deles soltam as palavras, e nelas nós saímos desse casulo chamado solidão e voltamos a viver. Soltamos as palavras e soltamo-nos. A nossa forma de viver está tão representada por palavras que se as perdemos deixamos de viver.
Publicado por João Norte em fevereiro 16, 2005 10:46 AM
Não poderia estar mais de acordo com as tuas palavras. Isso passa-se exactamente comigo! Talvez por isso, adore escrever. Passo para o papel (neste caso, pc...) tudo aquilo que penso e sinto.
A interiorização dos pensamentos, talvez tenha a ver com a vida na sua forma de estar. Temos tão pouco tempo para parar, para conversar, para exprimir sentimentos...
Gostei de te ler. Obrigada pela visita e comentário no meu "refugio"... Abraço ;-)
Oi João, saudades! Há momentos assim nas nossas vidas. Nesses dias, o bom é distanciar-se da situação a fim de apreciá-la com uma visão mais objetiva. Existe o estar presente, próximo, e estar presente afastado, é um treino muito importante porque, às vezes ao envolver-se demais no drama existencial, a pessoa perde o direcionamento de si mesmo e faz coisas que poderá arrepender-se depois. A sorte é que tudo passa e saimos disso mais amadurecidos com a ajuda de quem amamos. Concordo que as palavras ajudam muito. Beijinhos e fica bem, amigo.
Oi João não consigo comentar nos blogs do SaPo. se eu escrever um recadinho aqui, poderias escrever no blog na menina marota? lá vai, rsrs:
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Menina marota, aproveito o blog do querido joão, p/ enviar-te este recadinho.
Sinto muito por não entrar no teu blog para agradecer tuas visitinhas tão simpáticas e ler teus escritos. Não sei o porque disso. Gosto muito das tuas idas ao Retalhos e espero logo ter o prazer de visitar-te ok? Qto ao meu coment, tenho logo dois, não consegues comentar em nenhum?Estranho, não é?
Um beijo doce.
Obrigada João... bjus
Eles são o nosso refugio não é? Mesmo quando apenas nos ajudam em silêncio, a nossa cura provem deles..são as pessoas mais importantes e por isso aquelas que amamos com mais força :) Como eu te entendo :) Um beijo doce
Por vezes temos dificuldade em preencher o vazio que as palavras prisioneiras nos deixam.
Mas temos por nós próprios e por aquilo que amamos de ser capazes de as soltar.
Bom dia, João... bom dia Anne... e, recebi o recado deste amigão, que o deixou lá no meu canto! Um beijo aos dois :-)
Gostei muito do que escreveste. Beijoaks :)