Alguns amigos perguntam o que me aconteceu, se estou doente, e até o Fernando Esteves da “Escrita Ibérica” que, inalterável, continua sempre com a sua bela literatura, se admirou de eu estar 5 dias sem dizer mal do governo.
De facto, aprendi com o meu pai que o primeiro dever do cidadão é criticar o governo. Só que não sei por onde começar. O nosso Primeiro Ministro faz-me lembrar (sem ofensa) um soldado montado na sua metralhadora, encurralado no meio do inimigo, que desata a disparar para todos os lados. Todos menos para cima, para aí faltou pontaria, ou as munições eram de pequeno calibre.
Os portugueses parecem conformados, todos temos a consciência de que “a coisa está má” eu sou o primeiro a concordar com algumas medidas mesmo aquelas que me tocam à porta, outras, mesmo não sendo economista ou político, duvido da sua eficácia.
O aumento do IVA pode trazer alguma receita aos cofres do governo, mas o aumento da fuga e a quebra da economia que vai causar, possivelmente anulam o aumento da taxa. Esta é a 1ª de que discordo.
O aumento de taxa e de escalões do IRS vai penalizar os que sempre pagam, aqueles que trabalham por conta de outro que não podem fugir. Os outros fogem ao montante e logo também às taxas. Não sei se a taxa única não seria mais solidária.
As medidas de controlo ficam muito aquém do que é necessário. Nos grandes lucros da finança não se tocou. O sigilo bancário continua.
Concordo com a igualdade de direitos e deveres de todos os trabalhadores, sejam da função pública ou privada. Mas, e os trabalhadores por conta própria? Advogados, médicos etc, etc, qual a taxa, o quantitativo e o controlo?
E os luxos? Carrões, barcos e outros luxos? Vão ter de ser declarados ou fica-se à espera que o vizinho vá à internet espreitar?
E as penas para quem fugir e para os burlões? São penhorados imediatamente, são presos, ou continuam a ser mais casos( Vale Azevedo, Isaltino, ADSE, farmácias e outros) à espera que prescrevam?
Voltarei.