junho 14, 2005

As Reformas no Ensino

Já afirmei em poste anterior que concordo com algumas medidas propostas pelo Sr. primeiro ministro para controle do défice. Pelo menos naquelas que se dirigem aos políticos, mais não seja como medida simbólica, todos concordam. (todos menos os visados).
Mesmo outras que visam diminuir as despesas também se aceitam, embora seria mais justo se o controle da fuga aos impostos fosse mesmo eficaz.
Disse anteriormente que o governo meteu no mesmo saco gatos e ratos. Vou falar aqui apenas no que conheço bem: - o Ensino.
O Ensino está mau. Todos concordamos. Mas atirar as culpas para os professores e para os seus direitos, assim a esmo sem mais, como bode expiatório de todas asculpas, é um erro tremendo. Sem professores motivados o Ensino ficará pior e custará mais. Não é diabolizando uma classe que ela se torna divina. Há no ensino bons e maus professores. É preciso corrigir algumas coisas?... de acordo!
Vamos ao tempo de aposentação.
Sempre defendi que não faz sentido os professores do 1º ciclo aposentarem-se com menos anos de serviço ou menos anos de idade do que os seus colegas dos 2º e 3º ciclos.
Sei do que falo. Passei, na minha carreira por todos os graus de ensino. O argumento da monodocência não faz sentido porque é mais simples e muito menos cansativo trabalhar com 25 alunos sempre iguais do que com 150 que mudam a cada hora e cuja idade é bem mais problemática. Corrigir 25 trabalhos não é corrigir 150. Poderia acrescentar outras razões, mas estas chegam. Portanto, a idade para aposentação deve ser a mesma. Se uns começaram a trabalhar mais cedo, mais cedo usufruíram de um vencimento e a sua formação académica é menor.
Atirar com a idade de aposentação dos professores para os 65 anos é um erro. Poucos, muito poucos estarão, depois dos 60, em condições de leccionar e serão os alunos, o ensino e Estado os mais lesados. Faça-se um inquérito junto dos médicos e psiquiatras e verifiquem qual a classe que mais problemas de saúde apresenta.
Travar a progressão das carreiras é pior ainda. Cria uma situação de desigualdade conflituosa.
É necessária outra forma de avaliação? O ministério que a arranje! Todos concordarão. É preciso melhor formação? Dê-se-lhe! Todos concordarão. A que há agora é paga pelos próprios. As acções exigidas pelo ministério são geralmente feitas fora das horas lectivas e, de facto, pouco valem. São precisos outros escalões com maior duração, chegar mais tarde ao topo? Talvez! Mas não se pense que são apenas os graus académicos que bastam para formar professores.
Esqueceu-se a Srª ministra de dizer quanto ganha um professor em início de carreira.
Esclareça-se tudo! Não se diabolize uma classe que é um pilar de qualquer sociedade.

Publicado por João Norte em junho 14, 2005 10:39 AM
Comentários
Estou de acordo com o amigo em relação à idade de reforma, 65 anos é uma aberração, pelo que a única proposta séria seria de imediato o Governo passar as reformas de todos os Portugueses para patamares iguais aos dos Funcionários Públicos… pois em Democracia ou comemos todos ou não come ninguém…FASCISMO NUNCA MAIS! Não é compreensível que os ditos representantes dos trabalhadores (UGT e CGTP) tenham permitido esta desigualdade no tratamento dos trabalhadores Portugueses, é caso para questionar a seriedade dos mesmos… bem como dos políticos que subscreveram tamanha falcatrua… Afixado por: xico em junho 14, 2005 12:30 PM