Alguém seria capaz de explicar a um “menino ignorante” que acabo de ouvir gabar-se de “ter orgulho em ser branco” que não há homens brancos?!
Seria difícil porque aquele possivelmente nem tinha inteligência para compreender a diferença. Mas não são poucos os que ainda pensam que há “raças” humanas como há raças de cães, embora mesmo esse sejam todos cães, como os homens são todos “fisicamente” homens, independente da tonalidade da pele.
Não há homens brancos nem negros, há uns menos negros do que outros. Aos olhos de um sueco eu serei um negro.
Nos anos noventa fui a Marrocos integrado num grupo organizado pelo Centro Nacional de Cultura. Começámos a visita pelo norte de Marrocos, Tânger, e fomos até ao sul de Agadir. Duas senhoras que viajavam no grupo admiraram-se da diferença de tonalidade da pele dos habitantes do norte de Marrocos, tão escuros/claros como nós, e os do sul já mesmo quilo que se considerava negros.
Quando eu lhes expliquei que as diferenças de cor na Humanidade resultavam, não da aquisição de cor, mas sim da perda. Isto é, não foram os africanos que ganharam cor, foram os europeus que a perderam, ficaram muito espantadas.
- Tem a certeza? Sr. professor?
Apenas lhe respondi: - observem e pensem.
Claro que este rapazinho que se orgulha de ser branco, não será capaz de fazer tal coisa. Pensar.