Sentado num banco do jardim abandonado,
Olho a cidade que se contorce,
Em fantasmagóricos volumes
E em imagens multiformes.
O calor amarra-me nesta sombra protectora,
Das árvores velhas sempre amadas.
Que guardam nas suas folhas as palavras
Dos amantes, aqui narradas.
Fechos os olhos e deleito-me no contraste fresco
Do calor que se adivinha.
Imagino o teu corpo junto ao meu,
A tua mão na minha,
Em sintonia nesta temperatura morna.
E experimento arrepios de prazer,
Que me acariciam a pele.
Neste panorama de sensualidades,
Sinto o teu cheiro
Entrego-me num sonho delicioso,
com se estivesses aqui mesmo junto a mim
E a tua pele de veludo me fizesse cócegas.
Apalpo à minha volta a desilusão.
Reconheço que estás longe.
As nossas mãos não se tocam.
Hoje, ...aqui....
há apenas saudade de ti.
João Norte