D. José Policarpo no 17º Econtro Nacional da Pastoral da Saúde.
Por mais que me esforce não consigo compreender.
Ou eu sou muito pouco inteligente mas sou sensível. Ou D. José Policarpo é muito inteligente mas insensível.
Com todo o respeito pela figura de D. José Policarpo, não consigo entender e muito menos aceitar que, qualquer homem inteligente e informado, diga coisas como D. José disse ontem.
“ Diante das pessoas com deficiência temos de estar preparados para intuir”(..) “ A vida não é só útil. A vida pode justificar-se apenas por ser bela”.
Não compreendo que é que D. José pretende dizer que devemos intuir. Intuir o quê?
Depois dizer que a vida pode justificar-se apenas por ser bela é uma verdade. É aqui, a meu ver, a grande contradição nas palavras e no pensamento de D José Policarpo.
Que beleza existe na vida de um deficiente profundo?
Será que D. José Policarpo alguma vez visitou um centro de deficientes profundos? Que beleza terá encontrado? Existirá alguma beleza na vida de um ser retorcido, babando-se, completamente dependente, sem ser capaz de se mover, de se alimentar, de comunicar. Será que D. José alguma vez se colocou no lugar dos pais que têm por infelicidade um filho deficiente profundo? Na tragédia que é a vida desses pais?... e desses filhos?
Não!... Com toda a certeza que não. Porque se o fez e continua a dizer coisas desta, é a personificação do cinismo, da crueldade, do desrespeito pelo sofrimento dos outros. Isso não é, não pode ser religião nenhuma.
Visitei algumas vezes, por obrigação profissional, centros de deficientes profundos. Fiquei sempre completamente apavorado. Apavorado com medo de vir a ter um filho naquelas condições. Apavorado pelo que sentia no rosto daquelas pessoas, no rosto dos pais.
Uma paixão absorvente.
Geralmente a sós. Eu sentado na minha cadeira e ela à minha frente bem no foco dos meus olhos. Tenho dificuldade em desviar os olhos dela. Ocupa-me o olhar e todos os sentidos. Apaixonado, absorto quase viciado nela, descuido todo o resto. Esqueço as horas de comer e de dormir. Esqueço as tarefas diárias, as reuniões, os encontros com os amigos e até as obrigações familiares. Atento à sua beleza, ao brilho das suas cores que retoco, às suas formas que contorno e afago, ao sentido, a beleza, a sonoridade das palavras que escuto e cuja compreensão procuro interiorizar e melhorar até ao limite do meu saber e da a minha cultura, numa intercomunicação exaustiva.
Uma interdependência mútua. Ela vive de mim e eu vivo para ela, sem nada pedirmos um ao outro. Ela deixa que eu lhe componha a roupagem, a pintura, a linguagem, a enquadre no melhor cenário como se a fosse fotografar a seguir, a exponha à apreciação dos outros sem ciúme, numa dádiva confiante na sua qualidade, na sua consistência e na aceitação e respeito que os outros terão por ela e por mim.
Somos assim, EU E A MINHA ESCRITA:
Há dias critiquei, neste blogue, uma frase de Lobo Antunes, por achar que
representava vaidade e porque não gostava da maneira como Lobo Antunes
sempre se apresentava dizendo mal dos outros.
Nunca foi minha intenção criticar a obra de Lobo Antunes. ( Quem sou eu?)
É, sem dúvida, detentor de uma obra enorme e de mérito, independentemente de se gostar ou não.
Tal como me senti no direito de o criticar, hoje sinto-me no dever de realçar
a sua atitude ao receber o prémio que lhe foi atribuído.
Lobo Antunes disse: " a atribuição dum prémio a um escritor não quer dizer
que os outros são maus"
Assim gosto Dr. Lobo Antunes! Fica sempre bem aos grandes não desprezar os outros sejam grandes ou pequenos.
Já não pode andar na rua!...
Um tipo vai andando pela rua quando, de repente, um assaltante mascarado
lhe aponta a arma e diz:
- Passa para cá o relógio!
O coitado dá-lhe o seu Rolex falso e o ladrão reclama...
- O que é isto?... Esta porcaria não vale nada! Passa a carteira!...
O homem dá-lhe a sua carteira de plástico, imitação de Pierre Cardin e
o assaltante encontra nela três passes de autocarro, duas senhas de refeição
e cinco euros.
Já meio chateado, o ladrão diz:
- Tu és mesmo uma porcaria .... o teu casaco setá gasto, os teus sapatos
estão velhos e a única coisa que parece que presta é uma reles imitação
barata! Afinal, o que é que fazes na vida?
O tipo responde, quase chorando:
- Sou professor!
E o ladrão, tirando a máscara, pede-lhe desculpa e pergunta com um
sorriso simpático.
- És mesmo? Ficaste colocado? E sem cunha? Em que escola?
O Presidente da Câmara de Seia ameaça dimitir-se ou recorrer a formas de
luta mais dura porque o hospital da cidade não tem condições humanas.
Em Torres Vedras os médicos trabalham de casacão vestido enquanto os
doentes tremem de frio em tendas que servem de hospital.
Em Santiago do Cacem as condições são ainda piores porque o Estado não
tem dinheiro para equipar o Hospital novo já concluído.
Os pais das crianças doentes em Lisboa desesperam durante 5 horas de espera
nas urgências pediátricas, com crianças acidentadas ou com pneumonias.
Podíamos continuar aqui uma lista bem longa. Enquanto isso, Durão passeia
pela Marinha e, com ar de "cherne" diz "que a Marinha Portuguesa vai ter
meios do mais moderno que existe na Europa" (cito de memória)
O défice é só para os pequenos.
A França e a Alemanha acabam de ser libertados dos espartilho do défice.
O mais curioso é que foi o governo português um dos que votaram a favor
desta libertação.
Ouvir o ministro da Alemanha dizer que o povo alemão não podia ser sacrificado nas regalias sociais, pela imposição do défice em 3%, e sabermos os sacrifícios a que estão a ser sujeitos os portugueses, exactamente nessa área, pela obsessão da ministra das finanças portuguesa que, entretanto, vota afavor da liberalização do défice alemão, dá ganas de estrangular o raio da mulher.
Será que este povo português gosta mesmo de ser espezinhado por ditadores?!
Não esqueças, Homem,
Que o dia que passou,
Resulta de outro,
Que, antes deste,
Também já passou.
E que ao medo do primeiro,
Se seguiu a esperança do segundo!
Não voltes a ter medo,
Porque o medo traz a morte.
A esperança traz o Mundo!
Breve apresentação geohistórica
Alguns cibernautas que leram aqui o trecho sobre S. Martinho do Porto,
convidaram-me a escrever mais sobre o Oeste.
Devo esclarecer que o texto anterior é um trecho literário. Porém, hoje
vou satisfazer o pedido daqueles leitores, dizendo algo sobre o Oeste.
Proponho-lhe um passeio.
Comece por visitar Óbidos. A Vila encontra-se numa península que, há
cerca de 4000 anos, era banhada por mar a norte e a poente.
Vá até uma das portas da muralha que dão para poente e admire a pla-
nície conhecida como "VÁRZIA DA RAINHA". Foi parte da Lagoa de Óbidos,
que se estendia até à Roliça, no concelho do Bombarral.
Siga Para as Caldas da Rainha. Aproveite para comprar a fruta e as horta-
liças frescas. Depois vá até à Foz do Arelho. Nesse trajecto pare e repare
para o chão ao lado da estrada e verá que está sobre um fundo marinho.
Da Foz do Arelho suba, pela estrada atlântica, para S. Martinho do Porto.
No fim da subida pare. Tem aí um panorama lindo. De um lado o Oceano.
Se houver boa visibilidade, avistará as Berlengas, Peniche e o Baleal a sul,
e a Nazaré a norte. A nascente, uma linha montanhosa em arco, desde a
Serra do Montejunto até à Serra dos Candeeiros. É uma formação geológica
do "Cretácio". Daí até ao Oceano tudo é mais novo. São zonas de sedimen-
tação.
Ao fundo, quase a seus pés, um vale que se estende da Roliça(Bombarral)
até à Maiorga (Alcobaça) é conhecido por VALE TIFÓNICO. Todo este vale
foi um mar interior que ligava ao Oceano em três pontos: A Foz do Arelho,
a Aberta de S. Martinho, e a Barquinha (Nazaré). Portanto, você está sobre
um local que foi uma ilha.
Desse mar restam apenas a actual Lagoa de Óbidos que não vai durar 50
anos e a Baía de S. Martinnho.
Volte por Alfeizerão que foi porto até ao Séc. XlV. Não se esqueça do seu
Pão de Ló. Passará sobre um ribeiro que se chama exactamente o Mareto,
e não o "Rio de Alfeizerão" com lá escreveram os analfabetos que cons-
truíram a A8.
Desejo-lhe boa viagem.
Na apresentação deste blog eu digo que só se fala português.
Já houve quem mandasse para o meu endereço as críticas mais
variadas.
Ora não se trata de ser pretensioso. Apenas não sei inglês suficiente
para falar e escrever. No meu tempo estudava-se o francês, mas
mesmo esse está muito esquecido.
Quanto ao português, faço os possíveis.
Mas vamos ao caso de hoje. BLOG ou BLOGUE?
O Paulo Querido, no seu livro, explica a origem blog, diz que se tem
aportuguesado para blogue, mas volta a utilizar blog.
Quanto aos que escrevem nestes espaços, já vi as formas seguintes:
Blogólico; Blogueres; Bloggers; Bloguistas.
Como nestes espaços, já verifiquei, escrevem pessoas altamente informadas,
eu gostava de ter a opinião de todos.
A BEM DA NOSSA LÍNGUA.
Um abraço a todos.
"O nível médio daquilo que se publica, seja onde for, é muito baixo.
Esta é a verdade em todo o mundo.
As pessoas compram coisas que falam sobre hoje e quando se
tornam ontem já ninguém vai ler."
António Lobo Antunes (in DN 2003-11-18)
Este texto merece, a qualquer pessoa atenta, uma reflexão.
Lobo Antunes é um escritor que se considera com direito ao NOBEL.
Eu não digo que o não mereça.
Vejamos este texto.
1ª parte:
Se o nível médio daquilo que se publica é baixo? Ficando o que ele publica
no topo, então todos os outros, de todo o mundo, são muito baixos.
ISTO É VAIDADE A MAIS!...
2ª parte:
As pessoas compram coisas que falam sobre hoje e quando se tornam ontem já ninguém vai ler.
Isto aponta para a informação noticiosa e não para o romance, o conto,
ou a poesia.
Ora a notícia é exactamente notícia por ser nova!
FICAMOS, POR ISSO SEM SABER SE, LOBO ANTUNES CONFUNDE NOTÍCIA
COM OUTRO TIPO DE ESCRITA, OU SE, SIMPLESMENTE, E APESAR DA
SUA EXPERIÊNCIA, DIZ COMO QUALQUER OUTRO, UMA SÉRIE DE ASNEIRAS.
O Cabo abriu a porta e, para mostrar serviço e autoridade, atirou o Chico
com uma pancada de coronha nas costas.
Sentado a uma mesa reles a servir de secretária, outro Cabo. Um rosto de
balão avermelhado, onde o álcool tinha feito estragos; um pescoço grosso de
gorila, sustentava um crânio demasiado pequeno para conter alguma inteligência; uns olhos salientes e raiados de sangue inspeccionaram,
obliquamente, o Chico. Os lábios carnudos esgarearam um sorriso, pondo
a descoberto dentes manchados de tabaco e de vinho, como teclas amarelas
de um piano velho e apodrecido.
- É você, o Francisco Rebelo?
- Sou.
- Tem documentos?
Os guardas não deram tempo ao Chico de apresentar os seus documentos.
Antes dele, meteram-lhe as mãos às algibeiras e despejaram tudo quanto
encontraram, sobre a mesa.
Mas o Cabo não se preocupou em ler os documentos.
- Porque me prenderam?! perguntou o Chico.
- Isso vais tu dizer-nos!...retorquiu o Cabo com ar de troça, enquanto abria
um canivete e limpava com ele as unhas.
- O que fazias na Marinha Grande no dia da greve?
- Fui visitar o meu pai. Sou filho do chefe da estação ferroviária.
- Isso sabemos nós!...menino!...Mas foste visto noutros sítios, fora da estação!
- Andei a passear enquanto esperava. Porquê?! É proibido?!
- Veremos!...menino!...veremos!
E dizendo esta irritante frase, aplicou uma forte bofetada na cara do Chico.
O Chico não vacilou. Levantou a cabeça e olhou de frente aquele
"pau mandado" (...)
Mais uma bofetada na cara do Chico.
Durante vinte e quatro horas interrogaram o Chico sem descanso.
(...) O Chico susteve todas as suas necessidades.(...) Sentou-se no chão de
cimento frio, encostado à parede. Pensou nos filhos (...) procurou afastar os
pensamentos. Vegetar, hibernar, para o esforço não ser tão grande.
(...) Não sabia o que lhe fazia mais raiva, o tratamento a que o sugeitavam, se
aqueles imbecis, ignorantes soldados da Guarda Republicana, que se prestavam
àquele nojento servilismo à ditadura.
(...)Ao terceiro dia libertaram o Francisco.
(...) Até à próxima!...menino!
Escrever não é fácil. Publicar parece ser mais difícil.
Há coisas que parecem mentira nos dias de hoje.
O meu romance "OVALE DO MOINHO" donde foram extraídos trechos,
já aqui publogados, encontra-se em várias Editoras em apreciação,
há 10 meses.
Hoje dirigi-me mais uma vez, pelo telefone, à pessoa responsável pelo
sector editorial de uma delas, e, curiosamente, aquela em que eu depo-
sitava mais confiança, respondeu-me que não sabia onde parava o
meu original.
Contudo, em telefonemas anteriores, a mesma pessoa deu-me respostas
do tipo:
- JÁ TEMOS ALGUMAS APRECIAÇÕES DA COMISSÃO.
- AGUARDAMOS A DECISÃO DO DIRECTOR FINANCEIRO.
- LOGO QUE TIVERMOS UMA DECISÃO ENTRAREMOS EM CONTACTO.
( nunca o fez).
E outras respostas do género, nunca esquecendo o pedido de desculpas
pelo atraso.
NÃO QUERO ACREDITAR QUE NUMA EDITORA RESPONSÁVEL SE PERCAM
ORIGINAIS.
E MUITO MENOS QUE O MESMO ROMANCE POSSA APARECER PUBLICADO
POR OUTRO AUTOR, APENAS COM ALGUMAS ALTERAÇÕES.
Hoje sonho acordado.
O meu espírito vagueia agitado,
No espaço sagrado do teu regaço.
Tenho comigo o teu cheiro, a tua voz.
Nos meus lábios, o doce dos teus.
Em imagem, o teu corpo estendido, em marfim,
Desenha em trapézio, o jardim,
Onde róseas pétalas se abrem para mim.
A tua pele, de fino veludo, convida
À carícia.
Com malícia, a tua boca
Procura o beijo,
Na louca satisfação do desejo
De Amar.
Tudo isto não foge.
Não morre.
Veio para ficar.
Não!... Não é o nome de um blog todos os que escrevem e lêem
blogs (eu escrevo assim, não sei se é correcto) já devem ter visto.
É mesmo o vento que sopra hoje. Estou farto dele. Com este tempo,
se saio de casa meto-me no café. Só dá para ver o mar de dentro do
carro. Não gosto! Gosto de estar perto das ondas a bater, a força da
Natureza mostrando-me que sou pequeno.
Passar o dia em casa, a mulher em casa, a filha em casa, não há
horários é uma "praga".
Já peguei em vários livros e não li nada com atenção. Já estraguei o
estômago com castanhas, nozes e todas as coisas que a minha mulher
guarda em latinhas.
Já percorri os outros blogs, pareceu-me que está tudo tão preguiçoso
como eu. Que grande seca!
Se estivesse sol, tinha ido à Nazaré comer uns camarões, beber uma cerveja,
sentir o cheiro do mar, e dar pasto à vista.
Fechado em casa não sei fazer nada. Tentei fazer um poema e saiu uma(M....)
Tentei escrever prosa saiu coisa pior ainda.
Vou fechar o computador, vou brincar um bocado com a minha filhota, e
vamos todos dormir.
Bons sonhos para quem ler isto! Deve ser pessoa com muita paciência!...
Paulo Portas pede "lealdade" para com os militares da G N R.
Mas que lealdade é que ele quer?
Como é que os portugueses podem deixar de serem leais com os militares?
Já algum português se recusou pagar os impostos por discordar do
envio dos militares?
Já algum português saiu deste país, e foi pelo mundo fora, a gritar:
-Sou desleal para com os militares da GNR colocados no Iraque!...
O que o Paulo Portas quer é o silêncio, é que ninguém critique!
Quando alguém critica, o Paulo Portas evoca o sentido de Estado.
Mas o que é o Estado, para esse senhor? A casinha dele?
Ou o Povo Português?
Como isto me cheira ao "Passado"
QUE GRANDE DEMOCRATA!!!!!!
Os templos, os monumentos, a História, não servem apenas para nos
legarem as obras que o Homem realizou, servem também para nos
dizerem:- Atenção!...O momento passa e jamais será reposto,
não o deixes escapar em vão!
Li num dos blogs, já não sei qual, um texto sobre
o silêncio. Achei muito bonito.
Vou acrescentar aqui um pensamento sobre o silêncio.
O SILÊNCIO É O INTERIOR DA FACHADA, O REVERSO DA
MÁSCARA, A FACE OCULTA DA PESSOA. É TAMBÉM O
TRAMPOLIM DA PALAVRA.
PRONTO!...
O Durão já se pode pôr, em bicos de pés, ao lado do Bush.
Já tem um ferido, e logo uma mulher!...
. . . . ./ . . . .
Vamos começar a pagar um preço pelo que não devemos.
E quais são as empresas portuguesas na reconstrução do Iraque?
Às vezes, ao fim de algum tempo a ouvir asneiras, já não sei
se são os outros que estão errados, ou se sou eu.
Hoje, ouvi alguém, com muita responsabilidade no uso da
nossa Língua, dizer tanta vez " O PERSONAGEM", que fui
à procura nos dicionários. Não encontrei nada que me dissesse
que a palavra "personagem" é masculina.
Alguém mais conhecedor me explica?!.....
Mais importante do que aquilo que o escritor diz
é aquilo que ele sugestiona.
Hoje, dia de S. Martinho, não venho falar do santo.
Mas da Vila de S. Martinho do Porto.
"Escolhi passar férias em S. Martinho do Porto. (...)
Achara a baía bonita, a vila acolhedora e as águas calmas, quase
sem ondas.(...)
Naquele mar, apesar de não ser grande nadador, não era provável
afogar-me. (...)
Na Segunda-feira meti-me num combóio pachorrento, daqueles que
param em todas as estações e apeadeiros, como o burro do moleiro
da minha aldeia, que parava em todas as portas.
Ao cair da noite lá cheguei.
Tinha sido uma tarde quente, de calor sufocante, daquelas que nos
põem moles como se nos consumissem todas as energias.
O combóio, que deveria ser mais velho do que a invenção do ar
condicionado, só não se assemelhava a uma tortura do Tarrafal,
porque circulava com as janelas e as desengonçadas portas todas
abertas.(...)
Compensou-me desse sacrifício, o vento fresco e a beleza do fim de
tarde, oferecida pela baía, iluminada pelo sol poente que, em enorme
disco vermelho reflectindo na água raios oblíquos, dava à vila tons
dourados de labaredas, enquanto as moradias e os edifícios junto à
praia se avolumavam, se recortavam se matizavam em tons ocres ou
metálicos, projectando sombras, e o céu se desdobrava na baía em
reflexos de arco-íris."
Trecho do meu segundo romance. "AMORES EM TEMPOS TROCADOS" ainda
em fase de acabamento.
O sonho é um bicho atrevido.
Entra sem ser convidado
Não se preocupa como é recebido,
Se vem a tempo ou vem atrasado.
Vem no silêncio da noite, calado
Vem de mansinho ou vem agitado,
Quando estou indefeso na cama sozinho.
Anda, comanda e faz remoinho,
Apossa-se de mim até acordar.
Empurra a porta sem fazer ruído.
Instala-se como o virus no computador.
Destrui planos, altera projectos.
Agradável, calmo ou aterrador,
Impõe-se, penetra na alma,
Agita, assusta ou acalma.
É lindo ou medonho.
Há tanto antivírus,
Não há antisonho.
Nunca o Durão Barroso foi tão verdadeiro.
" OS ACORDOS ASSINADOS HOJE AQUI DEVEM-SE À INTELIGÊNCIA
DE JOZE MARIA AZNAR" (cito)
Foi sito que ele disse.
Comentários para quê??????
Não pagamos. Reitoria fechada a cadeado.
Tenho, até hoje, evitado pronunciar-me sobre os movimentos
infanto/estudantis do "não pagamos".
Sou do tempo em que, nas faculdades, nos batíamos com a pide.
Isso deixou-me uma espécie de trauma que me coíbe sempre que
pretendo criticar qualquer movimento, e leva o meu inconsciente a
defender a liberdade estudantil.
Porém, o que se passa hoje nas faculdades do país, não tem nada
a ver com as lutas do meu tempo. Nós tínhamos falta de liberdade.
Eles têm liberade. (não digo a mais porque é um conceito que nunca
é de mais. O que é de mais é o uso ou abuso que se faz dele).
Nós tínhamos consciência do mundo e da sociedade em que vivíamos,
das suas necessidades, e batíamo-nos por valores que queríamos ex-
tensivos a todos.
Hoje batem-se por situações egoístas. Olham apenas para o seu umbigo
e reclamam, para si, privilégios que outros, com os mesmos direitos, não
podem reclamar. E é aí que perdem toda a razão.
Não só o valor das propinas não é nada comparado com as despesas que
os mesmos "meninos" gastam em festivais, em roupas de marca e outras
futilidades, como muito bem aponta Helena Matos no seu artigo "Geração
bledine" - Público-7-11-03, como não é nada comparada com i que pagam
aqueles que, por décimas de diferença nas notas do Secundário, tiveram de
recorrer ao superior privado. Estes pagam num mês o que os do público
pagariam num ano. Sei que o ensino devia ser gratuito para todos. Mas, se
o país o não pode dar?!
Os meninos mimados do público julgam-se superiores e esquecem qualquer
sentido de solidariedade para com os colegas que, por variadas razões,
ficaram com essas décimas a menos.
Isto levava-nos a uma análise mais profunda que não cabe aqui. Por agora,
direi apenas que sou professor há 36 anos, conheço o sistema e as suas
mazelas.
Pode criticar-se, penalizar-se ou esquecer-se os alunos que tiveram médias
de 17, 16 ou 15 valores, mas cujo curso para que se sentem vocacionados
exige 19?
O problema é demasiado complexo. Mas, o mínimo que se deve exigir
aqueles que tiveram o privilégio, nem sempre merecido, de frequentar
o ensino público, pago por todos os portugueses-sublinhoTodos-, é que
sejam conscientes, solidários, e deixem de olhar apenas para o seu umbigo.
Iria até ao moinho.
O Vale estava já mesclado de cor. Manchas verdes. Vários verdes das ervas
naturais e das culturas de inverno. O verde prata das faveiras, o verde cinza
das ervilhas cobertas de flores brancas e azuis, os tremoceiros de verde
garrafa, carregados de cachos de flores amarelas. Pequenas manchas de
árvores. As pereiras de flor branca, as searas de verde viçoso, as vinhas
despontando as primeiras parras, alternavam com os castanhos da terra
cavada de fresco. A cima da meia encosta, subiam os pinhais de verde
escuro e troncos castanhos listados de cinza, com flores amarelas, espa-
lhando, no ar, um cheiro resinoso e um pólen que causava alergias.
Vistas do fundo do Vale, as encostas assemelhavam-se a mantas de
retalhos coloridos, penduradas na parede, sob um tecto verde e amarelo
dos pinhais, encrostados no azul cristalino do céu.
No ar, aromas tão vários e tão agradáveis, que apetecia encher o peito
daquele ar fresco e perfumado. Enxames de abelhas atarefadas,
carregavam as suas patas do aromático e doce pólen, num vaivem
incansável, para fabricarem o líquido viscoso e tão doce, com que a mãe
lhe melava as torradas ao café, nas manhãs de Inverno.
A Maria desceu a encosta, passou a pequena ponte de pedra em arco
sobre a vala que conduzia a água ao moinho. (....) Nos salgueiros, de verde
cinzento, debruçados sobre as águas como chapéus de chuva abertos no
rio, brincavam cardumes de pequenos robalos. Melros e rouxinóis,
flauteavam, ao desafio, sem parar. O sol alegre e radioso das onze, cintilava
estrelinhas que dançavam na superfície móvel do rio, cujo movimento
constante era sempre diferente a cada remoinho, a cada curva, a cada
queda mais rápida.(....) A ar aquecido por jorros de luz solar, formava
miragens fantasmagóricas e coloridas.
Toda a Natureza brotava em vida, em cor, em viço, em música, em luz,
em movimento, acasalamento e amor, no eterno retorno cíclico da Vida,
habilmente marcado no tempo por mão de mestre infalível e sábio, no
qual o homem apenas se adapta e se integra.(....)
Assim que avistou a Maria, o Rafael pousou o picão, sacudiu a sua roupa
onde se misturava a farinha e o pó de pedra.(....)
- Sua marota!...faz tempo que não aparece. Esqueceu o velho amigo.(...)
Já não se lembra...tem outras coisas em que pensar?!
Dizendo isto, o Rafael esboçou um sorriso cúmplice(....)A Maria corou(...)
e não conteve as lábrimas.
....../.......
Trecho do meu romance "O Vale do Moinho"
NOTA. Este livro encontra-se ainda em apreciação nas editoras.
A governação de Durão Barroso é mais criticada pelas mulheres jovens
até 34 anos, sem instrução e de classe D/E.
( sondagem Visão)
Porquê? Muito simples.
A governação de Durão Barroso não é passível de análise por técnicos,
intelectuais ou simples letrados.
É ilógica e irracional.
Mas faz doer!... A dor não se analisa, sofre-se. E são as mulheres, embora
pouco instruídas, as mais sensíveis, são em maior número no desemprego,
e quem, mais rapidamente, sente a fome em casa.
Um dia, na vida, todos temos necessidade de fazer uma coisa, simplesmente
por essa coisa, sem esperar que nada aconteça a seguir.
. . . . . . . / . . . . . .
Hoje, a minha mulher faltou ao trabalho, para irmos os dois às compras. Fomos almoçar fora. Não digo aonde. E espero que a Ferreira Leite não leia blogs. Mas, a quem ler isto, dou um conselho.
No próximo fim-de-semana, não vá a correr para o Algarve. Vá almoçar ao Oeste; à Nazaré, a S. Martinho do porto, à Foz do Arelho, ou a Peniche.
Garanto-lhe que é bonito e come-se muito bem.
Não tenho nenhum restaurante!
Hoje estou um pouco avariado, nada sai direito.
Há dias que é melhor não fazer do que fazer asneiras.
Hoje quero partilhar este poema com todos os que já perderam alguém.
-/-
Com medo agarro as cordas do passado,
E remo o meu barco de papel.
O mar de vento em tropel,
Rebenta em castelos salpicado,
As ondas de aromas acordados.
Teimoso, calo os ruídos da memória,
E fecho os olhos ao que vai à minha volta,
Na luta incessante e sempre nova,
Da esperança que, a cada passo, se renova,
Na procura do triunfo ou da glória.
Alento do pobre condenado
Ao ritmo do tempo modelado
Pelo sopro da maré inconsciente,
Que sempre marca a vida lá na frente.
No futuro tento a fuga do presente,
Silencio os mortos sepultados.
Com as mãos tapo os sulçcos desta terra,
Calo as vozes que gritam do passado.
O medo, sempre o medo, bem colado
Nas veias do viver inacabado.
Agarro o ferro da cama enferrujado,
Enquanto o mar do tempo vai batendo,
No meu quarto escuro e pequenino...
Meu pai... Forte!... e Corajoso!....
Dorme ao lado.
No esquife que, para ele, foi talhado.
Os erros na língua portuguesa são normais. Mesmo os que melhor escrevem os cometem. Mas hoje há alguns muito frequentes. Na espécie de poema que apresento, vejam como um pequenino erro faz a grande diferença.
Já se vêem ao longe os soldados
Cansados das batalhas regressados.
Esperam as esposas de seus amados
Delícias de amores sempre adiados.
-/-
Já se vêm ao longe os soldados
Cansados das batalhas regressados.
Esperam as esposas de seus amados
Delícias de amores sempre adiados.
..........................................................................
Espero que a Inês dos "Provérbios" não venha aqui espreitar.