dezembro 28, 2003

Tempo de Balanço

É fim de Ano.

É tempo de balanço. Há apenas três meses que, por ter tido contacto com
alguns blogues de grande qualidade, iniciei esta brincadeira viciante de escrever num blogue.
É, agora tempo de balanço.

É costume em todas as coisas. Sociedades, empresas, simples pessoas, sentirem necessidade de, no fim de cada ano, fazerem o balanço do que foi a sua actividade durante esses trezentos e sessenta e cinco dias passados. Para além da necessidade de marcarmos o tempo com metas, como se o vazio da contagem nos pulverizasse no espaço ilimitado, temos também a necessidade de avaliar qualitativa ou quantitativamente, o que fizemos como pessoas ou como colectividade.
Como elemento de uma colectividade chamada “povo”, como cidadão, contribuinte e usufrutuário desse conjunto organizado a que chamamos Nação, bem gostaria de ter ferramentas que me permitissem fazer uma análise e avaliação mais cuidada e precisa do que aquela que me é permitida pela minha simples percepção de cidadão comum, sem nenhuma especialidade, sem nenhum lugar de destaque nesse todo plítico/cultural. Porém, basta-me não ser estúpido e estar atento para poder dizer, simplesmente, 2003 foi um ano desastroso para este País em que, sem pedir, nasci e onde vivo.
Quando iniciei esta página (este blogue) classifiquei a justiça como” voando sobre um ninho de cucos” e a nossa política como “ a ilha dos pássaros doidos” com a devida vénia à autora desse livro, não porque me parecesse semelhante ao livro mas exactamente porque este título assentava no desgoverno que imperava e impera.
Como eu, o resto dos dez milhões que vivem em Portugal e também os milhões que, por necessidade ou opção, emigraram e mais alguns milhares que para cá imigraram, continuamos à espera que este país, velho de mil anos, o mais velho país da Europa, tenha um governo cuja competência, isenção e dignidade nos coloquem nessa Europa sem vergonha nem mendicidade, a vermos essa luz, ainda que ao fundo de um túnel.
Parece que não!... A economia, a Educação, a Saúde, a Justiça continuam como todos sabemos, como todos sentimos, ainda que os políticos continuem a fazer do povo parvo.

Quanto aos blogues. É um universo de que só faço parte há três meses e, aqui, o balanço é positivo. Não pela minha modesta participação, mas por me ter levado ao contacto com outros bloguistas, alguns de grande qualidade( não digo quais para não ferir sensibilidades, já manifestei a minha opinião aos próprios) com quem aprendi ou em cuja leitura encontrei prazer.
Parabéns a todos, aos muito bons e aos menos bons, porque também fizeram parte deste grupo. E a todos um desejo de um próximo ano pródigo nos blogues.

Publicado por João Norte em 02:47 PM | Comentários (2)

dezembro 19, 2003

Despoluição. S. Martinho e Foz do Arelho

Tinha deixado aqui as Boas Festas e era meu intento não escrever mais nada até depois do Natal.

Porém, esta notícia obrigou-me a escrevê-la pelo contentamento que me traz.
Espero, com ansiedade, que não seja mais uma promessa.


Despoluição de S. Martinho do Porto e Foz do Arelho anunciada hoje pelo ministro do Ambiente. Será que é desta? Há quanto tempo esperam os moradores e todos que gostam daquelas praias por esta despoluição? Quantos projectos já foram anunciados? Espero, penso poder dizer- esperamos todos – que seja desta vez uma realidade. A saúde das pessoas, e a economia da região bem merecem.

Publicado por João Norte em 05:44 PM | Comentários (2)

dezembro 17, 2003

BOAS FESTAS

Espacialmente para você que me está a ler.
Também para todos:

UM BOM NATAL FELIZ ANO NOVO

Publicado por João Norte em 04:58 PM | Comentários (1)

dezembro 13, 2003

Aborto..Opinião do Bispo do Porto

Há dias comentei aqui as palavras de D. José Policarpo sobre o aborto por deficiência.

Não comentei o aborto em si mesmo. Isto é de uma forma livre. Não porque a minha opinião seja a favor ou contra o aborto e ponto final. Entendo que é um assunto demasiado melindroso para se ter uma opinião simples. Por isso entendo que, mais do que a nossa opinião, é importante deixar aos pais e aos médicos a decisão de, caso a caso, resolverem em responsabilidade e em liberdade o que devem fazer. Nenhuma mãe deixará de ter um filho se o desejar e tiver condições para o criar feliz. Implica isto que estou contra o facto de serem julgados como simples criminosas as mulheres que, pelos motivos mais variados que só elas sabem, tiveram que recorrer ao aborto.
O que eu critiquei e critico é a posição rígida e sectária da Igreja Católica sem atender a cada caso. Vem, agora, o Sr. Bispo do Porto dizer coisa parecida. Com a autoridade que lhe confere o cargo que ocupa, a sua posição é tão importante, que até dá para desconfiar se não será a própria Igreja que, sentindo a necessidade de abertura, a vai fazendo por figuras importantes, mas sem comprometer o seu chefe máximo.
Não creio que o Bispo do Porto venha a público abrir uma brecha na posição da Igreja num desrespeito ao seu superior.
De qualquer forma é bom que comece a haver opiniões diversas. Assim, os católicos serão obrigados a reflectir.

Publicado por João Norte em 06:39 PM | Comentários (1)

dezembro 06, 2003

Aborto...Contracepção...Igreja.

Já muito se tem falado nestas páginas dos blogues sobre este tema. Eu próprio
fiz uma pequena crítica às palavras de D. José policarpo.
Vou ainda acrescentar algumas palavras. Peço a Você que me Lê algum
esforço para continuar.

Tratava-se não da discussão do aborto de forma generalizada, mas do aborto por deficiência. Ora, hoje a ciência e a tecnologia permitem informar os pais das deficiências e do seu grau de que o filho irá sofrer. Porquê, então, não deixar ao médico e aos pais, a enorme responsabilidade mas também a liberdade de decidirem?
Deixemos, por agora, a análise do aborto na generalidade. Vamos falar da contracepção.
Defender que o sexo é a penas para a procriação é tão ridículo que já nem apetece falar disso. Todavia, continuamos a ouvir e a ler críticas dos senhores da Igreja que nos fazem corar de vergonha pela hipocrisia demonstrada.
Não tenho o dom da verdade nem ninguém tem. Quando Pilatos perguntou a Cristo o que era a verdade, Cristo calou-se.
Procuro apenas pensar sem peias dogmáticas. Gosto de pessoas inteligentes, lamento os estúpidos, não suporto inteligentes cínicos e hipócritas que, por serem inteligentes e informados, usam e abusam da ignorância e falta de inteligência dos outros.
Fica muito bem à Igreja a defesa da Vida. Nem outra coisa se lhe pede. Porém, que vida? Toda e qualquer forma de vida?
Então os senhores da Igreja que deixem de tomar banho, deixem de desinfectar o seu ambiente, tomar medicamentos e vacinas. Deixem-se cobrir de piolhos e pulgas, invadir por vírus, bactérias e micróbios, que também são formas de vida e, segundo a sua teoria, criados pelo mesmo deus.
Mas não precisamos de ir a seres tão pequenos para reflectir. Pensemos apenas no ser humano. A Igreja já esqueceu os milhões de mortes provocados em nome da fé e de deuses na África, na América Latina, nas Cruzadas, nas guerras religiosa de Europa durante vários séculos, ou na Irlanda até aos nossos dias?
Voltemos ao sexo apenas para procriação. Penso que a Natália Correia sintetizou muito no seu soneto ao Morgado a crítica a esta atitude. Porque talvez nem todos conheçam esse episódio, vamos aos factos.
A Igreja abençoa o matrimónio. O casal pratica o sexo sem qualquer controle ( convém lembrar que a falta dessa prática é o único motiva na lei canónica para anulação do casamento). Partimos dos 25 anos da mulher até aos 45, e teremos a hipótese de vinte filhos por casal. O que é que a Igreja quer? Transformar o Planeta inteiro no Biafra ou no Ruanda?!
Algum dos senhores da Igreja, bem anafados, se colocou na pele daquelas crianças a morrer de fome?!
Claro que os casais jamais praticaram isso. Sempre houve o recurso a formas de controle da natalidade. Quando não havia contraceptivos químicos ou os tão criticados preservativos, os casais praticavam o chamado “ coito interrompido” Qual será a diferença entre o impedimento do espermatozóide atingir o óvulo ou derramá-lo nos lençóis?!
Mas há mais a dizer. Os senhores da Igreja estudaram filosofia e psicologia. Sabem perfeitamente que, a prática do coito interrompido leve à perda da afectividade entre o casal, à procura da prostituição pelo marido, à irritabilidade e depressão na mulher. É este o amor conjugal que defendem?
Isto já vais longo, deixo para outro dia a questão sanitária.

Publicado por João Norte em 02:46 PM | Comentários (2)

dezembro 04, 2003

Metáfora à Vida

Jovem!....
Vês aquela macieira?...
Aquela ali !?...Entre as outras macieiras.
Foi o meu pai que a plantou.
E, numa Primavera,
A macieira deitou as primeiras folhas,
Olhou em volta
E viu outras macieiras,
Grandes,....com muitos frutos.
Aquela macieira pequenina
Quis ser grande, dar maçãs.
Deitou os seus ramos!...um... depois outro e outro.
Forçou as tenras raízes na terra.
Com muito esforço, colheu água, sais minerais
E outras coisas mais.
Olhou a luz
E, num sábio processo de alquimia,
Mostrou a quem a via
Flores lindas e perfumadas.
Deu maçãs,
Umas grandes, rosadas e vaidosas,
Outras pequenas, mas saborosas.
Em cada Outono,
O vento soprava os seus ramos e batia.
A cada Primavera,
A macieira renovava e crescia.
Mas o tempo foi ressequindo o seu tronco!...
Secando a pele, criando feridas.
Agora, aquela macieira está seca.
Não tarda na fogueira!
Por fim será cinza, será poeira!
Pensas que morreu?...
Não!...
Renova-se em ti!...
E naquele!... e no outro além!
Que beberam o seu sumo....
Que vão plantar macieiras...
Que vão criar alguém.

Publicado por João Norte em 05:41 PM | Comentários (0)

dezembro 01, 2003

A Crítica

O direito e o dever da Crítica

O universo do Blogue é hoje um espaço onde qualquer pessoa, que tenha um computador, pode exercer o direito de aí expressar livremente as suas ideias. Independentemente de alguns exageros, é saudável!... O limite fica na consciência de cada um. Há apenas um pormenor a que entendo chamar atenção. Hoje qualquer criança tem acesso à internete.
Todos sabemos que não há escrita neutra ou inocente, toda ela, mesmo que o seu autor não o tenha essa consciência, é carregada de intenções.
Para além das belas poesias e das prosas bem conseguidas, que sempre agradável ler, há um aspecto que me parece ser o mais importante, dentro do leque de possibilidades permitidas neste espaço: - A Crítica –seja ela política, religiosa, literária, artística, ou qualquer uma.
A crítica é um direito e um dever de todo o cidadão.
Renunciar ao direito e ao dever da crítica, é renunciar à sua qualidade de cidadão livre.

Publicado por João Norte em 06:14 PM | Comentários (0)

Se vivermos perseguidos por quimeras, se nos deixarmos apanhar
por elas, a nossa vida torna-se enferma..

Publicado por João Norte em 05:49 PM | Comentários (0)