janeiro 27, 2004

Eu cuidei ser poesia

Tenho cantado esperanças...
Tenho falado d'amores...
Das saudades e dos sonhos
Com que embalo as minhas dores...

Entre os ventos suspirando
Vagas, ténues harmonias,
Tendes visto como correm
Minhas doudas fantasias.

E eu cuidei que era poesia
Todo esse louco sonhar...
Cuidei saber o que é vida
Só porque sei delirar...
--------/-------
Antero de Quental

Publicado por João Norte em 02:47 PM | Comentários (5)

Entra-no-meu-sonho

Entra-no-meu-sonho.
Vem de vagarinho,
O mundo é medonho
P’ra viver sozinho.

Dá-me a tua mão
Vamos noite fora
Nesta escuridão
Em que vivo agora.

Deixa que as estrelas
Guiem nossos passos
Teçam bem os laços
Da nossa prisão

Reina a confusão
Neste meu viver
Pára coração,
Deixa de bater

Traz-me um novo dia
Traz entusiasmo
Na tua alegria
A força de orgasmo.

Deixa a tua mão
Guiar-me o caminho
Entra no meu sonho
Vem de vagarinho.

Publicado por João Norte em 10:42 AM | Comentários (1)

janeiro 26, 2004

Praia da Nazaré antes do Porto de Abrigo

Quando o primeiro bote se aproximou da rebentação, um silêncio pesado caiu sobre todos, como se toneladas de água os sufocassem. O Zé Gato fixou aquele minúsculo barco; os homens remavam com saber e com toda a energia de que dispunham. Não eram principiantes; eram marinheiros experimentados: Ora remavam rápido ora abrandavam, tentando esquivar-se ao quebrar de cada onda. Num instante, como um gigante emergindo das profundezas, uma onda envolveu-os num rodopiante castelo de espuma. O barquito voltou à tona, de casco para cima. O Zé Gato, como todos presentes, ficaram sem respiração. Os dois homens batiam-se como possantes animais encurralados pelo fantasma da morte. Na praia, as mulheres soltavam gritos que ecoavam contra o rugido trovão do mar. Repelavam mãos cheias de cabelos e rasgavam as próprias faces. Os homens pareciam pregados na própria areia. Imóveis, sem um gesto, sem um único som.
Ao seu lado, um deles contraía a face, cerrando os dentes. Tinha os olhos fixos, as mãos crispadas, as unhas penetrando a carne como se quisesse transmitir toda a sua energia aqueles a quem a própria se ia esgotando.
O som de uma sirene cortou o ar pesado. Saindo do portão de ferro da capitania, um barco guarnecido de bóias era empurrado para o areal. Alguns marinheiros vestiam coletes e saltavam para o barco. Mas era tudo tão longe, tão lento. Da capitania ao mar um areal tão extenso, que tudo levaria muito tempo, demasiado tempo para ser posto a navegar.
O Zé Gato sentiu crescer dentro de si a força e a raiva. Eram homens do mar como ele, batendo-se contra a morte, tão perto dele. Num gesto brusco despiu o casaco e atirou fora os sapatos, pronto para se atirar de cabeça contra aquelas pesadas muralhas de água espumosa em movimento. Uma mão pesada e forte segurou-lhe o ombro. Um velho, em que as brancas barbas e a tez queimada mostravam muitos anos de mar, mas a rigidez do corpo apresentava ainda muito vigor, tinha os músculos retesados e as lágrimas retidas a custo, disse em tom brando, mas de quem está habituado a ser obedecido:
Não jovem!... o seu gesto é nobre e valente !... Aqueles que ali se batem contra a morte, são meus filhos... mas se o salva- vidas não chegar a tempo....- e susteve, por momentos, a voz cortada pela dor.... Se eles não conseguem sair, muito menos alguém conseguirá entrar neste mar cão.... morreriam eles e todos os que tentassem salvá-los. A experiência ensinou-nos que ninguém tem o direito de deixar que se matem quatro ou mais um que seja para tentar salvar outro, quando temos a certeza de que morreriam todos.... É a nossa miséria.... o nosso destino!...
E em poucos minutos, que pareceram um infinito espectáculo dramático da impotência humana contra a força bruta da Natureza, aqueles homens valentes desapareceram perante o desespero de todos os outros como se a morte fosse uma fatalidades, como se fosse um tributo, o preço a pagar pelo direito de outros continuarem vivos e a sofrer.

Trecho do meu livro "O Vale do Moinho"

Publicado por João Norte em 10:52 AM | Comentários (1)

janeiro 24, 2004

De Comentador a Demagogo

Luís Delgado passou de comentador a bajulador e daí a demagogo barato.
É triste que, um homem que parecia inteligente, venha publicamente dizer disparates como qualquer pacóvio do nosso meio rural e Zalazarengo.
Refiro-me à sua frase “ Uma greve à sexta-feira é sempre uma boa notícia: para quem a faz, evidentemente, os outros que se amanhem” “ Diário Digital” transcrição do Público de hoje.
Saberá S. Exª pensante, que os funcionários que fazem greve perdem o ordenado do dia?
Terá pensado, S. Exª pensante, quanto isso significa para quem ganha menos de 1000 euros e com eles tem de sustentar família?
Tentou S. Exª pensante, compreender que ninguém nestas condições, faz greve sem motivos importantes?
Terá S. Exª conhecimento que o país não é só Lisboa e que muitos funcionários trabalham longe da família e se deslocam todos os dias, alguns centenas de quilómetros?
Se fosse S. Exª dirigente sindical (é coisa que parece abominar) para que dia convocaria a greve?
E se a greve fosse à quarta-feira, “os outros não tinham que se amanhar da mesma maneira?

O País está cheio de demagogos. Quando estes são ou pretendem ser políticos ou governantes, é triste mas compreende-se. Agora um cidadão que pretende ser “pensante” e fazedor de opinião, vir fazer dos outros parvos, só se faz parvo a si próprio.

Publicado por João Norte em 12:21 PM | Comentários (2)

janeiro 23, 2004

SEM PACIÊNCIA

Hoje estou sem paciência. Tentei colmatar este estado lendo e relendo.
Fui buscar um trecho já escrito para pôr aqui.
Deambulei pelos outros blogues e fui ver a lista dos donativos.
Fiquei mais aborrecido do que estava. Não é que eu tenha o direito de criticar,
nem o Paulo me passou procuração,
Mas que diabo! Há 831 blogues alojados no Weblog e só trinta contribuiram
com algum para ajudar as despezas que o Paulo estoicamente aguenta.

VÁ LÁ...! BOLAS...! (não gosto de dizer palavrões)
É uma questão de justiça e de vergonha.

Publicado por João Norte em 06:45 PM | Comentários (4)

Levava nas narinas o cheiro dela

Disse isto ao mesmo tempo que lhe puxava o rosto e a beijava. Corou, susteve a respiração e tremeu tanto que entornou o sumo. Tirei-lhe o copo da mão, pousei-o na mesa e, então, beijámo-nos sôfrega e demoradamente. Tremia mas não fugia nem recusava a minha boca e as minhas carícias. Abracei-a com meiguice. Sem qualquer brusquidão retirei a parte superior do bikini. Pressionei o meu peito contra os seus rijos seios enquanto a beijava e ficamos assim por momentos envolvidos numa ternura mútua. As minhas mãos desceram no corpo dela e o calção caiu. O meu também desapareceu. E não sei dizer se foi só a minha mão que o tirou ou se foi também alguma das dela. Continuámos abraçados, as bocas coladas num beijo doce, terno e sôfrego. Lá fora o mundo parara. O silêncio ali era total. Só o arfar dos nossos peitos que subiam e desciam se ouvia. A respiração de um queimava no rosto do outro. Deitei-a sobre o sofá. Os braços dela cercavam-me numa tenaz, as unhas dela cravavam-se nas minhas costas. O seu corpo tremia como agitado por um vulcão interior, mas não fugia do meu. Fizemos amor numa entrega mútua e total. O seu corpo entregava-se com doçura e abria-se como uma flor se abre de pétalas ao Sol. Eu mergulhava no corpo dela todos os meus sentidos. As minhas mãos perdiam-se nas ondas e nos recônditos do seu corpo. O seu cheiro, o veludo da sua pele, o sabor dos seus beijos, o calor do seu interior, de tudo me encharcava, me enchia, me saciava de uma fome de amor e sexo, que me transportava nas nuvens de um espaço sem limites, onde só o desejo contava, onde o meu espírito e o meu corpo se diluíam se fundiam no corpo dela.
Após o clímax do amor, ficámos, por momentos enlaçados. Eu beijava-lhe os olhos, a face, o pescoço e mantinha o meu corpo sobre o dela. Ela pareceu acordar de um sonho, sentiu-se nua como se só naquele momento tomasse consciência da sua nudez. Afastou-me e queria tapar-se com os braços sem saber onde os colocar. Entrei no meu quarto ali mesmo em frente e atirei-lhe o meu roupão de banho. Vestiu-o e foi tomar chuveiro.
- Espera! Tenho de ligar o esquentador. Disse eu.
- Não precisas tomo banho frio!
Eu enrolei-me numa toalha e tomei banho a seguir. Quando saí da casa de banho, estava vestida. Deu-me um beijo rápido e disse:
- Até logo. O tempo passou, estão à minha espera em casa.
Correu escada a baixo sem me dar tempo para me vestir também. Vesti-me e fui almoçar. Levava nas narinas o cheiro dela, na boca o doce dos seus beijos, nas mãos o veludo da sua pele.

Trecho do meu romance "Amores em tempos trocados"

Publicado por João Norte em 04:58 PM | Comentários (3)

SEM ABRIGO


Tenho pena de vós,
Ó infelizes,
Ó tristes almas,
...sem eira nem beira,
espíritos errantes,
seres aberrantes
“animais” feridos,
a vida traz-vos,
sofridos ... e eu,
sou a vossa panaceia!
Sou a luz,
na vossa escuridão,
sou sorriso largo
no sabor doce ...amargo
da vossa ilusão,
sou a emoção,
a verdade ... mentira
com que enchem o coração!
Sou tudo o que têm,
Ó desgraçados
eu sou a afortunada,
que tudo vos dou,
... sem ter nada!

“Roxy”
99.12.05
---------/-------
Os meus agradecimentos à autora.

Este poema (mais este) insere-se numa troca, para que convido todos
os leitores do intro.vertido.
Peço que me enviem para o e-mail.
Não serão publicados textos considerados violentos ou ofensivos.

Publicado por João Norte em 04:02 PM | Comentários (6)

Acorda mendigo

Tinha já um texto para falar das razões da greve dos trabalhadores do estado. Mas achei muito extenso.
Lembrei-me deste pequeno poema feito em Junho de 73, era eu jovem. Penso que diz tudo.

Se é preciso
Ser cego, surdo e mudo,
Merda p'ra isto tudo!

Acorda, mendigo,
Da pedra nua e fria!
Não estendas a mão à caridade!
Pega no bastão,
E, com vontade,
Exige o direito d'Alegria!
Não peças p'ra morrer,
Nem p'ra mentir!
Os algozes, um dia,
Hão-de cair!

...../.....
10 de Junho de 1973
J. Norte

Publicado por João Norte em 01:21 PM | Comentários (6)

janeiro 22, 2004

O Poeta também ri


O dia está radiante
Tenho saudades de ti.
Na luz do Sol estampado.
O brilho do teu olhar.
O mais bonito que vi.
Quando um dia passeámos
Lado a lado à beira mar
De mãos dadas prometemos
Uma vida para amar.
O mundo na nossa frente
Tudo estava por fazer.
O meu amor para ti
E p’ra ambos o prazer.
Vêm agora à minha mente
No horizonte distante
Velhos tempos das noitadas,
Lembro as nossas gargalhadas,
O poeta também ri.


Publicado por João Norte em 03:52 PM | Comentários (1)

janeiro 21, 2004

REDENÇÃO

Hoje
...é um bom dia
para morrer...!
Desejo silêncio,
escuridão,
preciso ouvir-me,
sentir-me longe deste mundo
fervilhante e gélido,
ansiedade,
intolerância,
a paciência falta
a angústia cala
a revolta
que tenho para dizer...
Sonho o túmulo,
o cheiro da terra molhada
pl'a chuva,
no meu corpo exausto,
saturado da luta
... pelo nada,
onde me revejo
e não suporto
o vazio,
que tudo me deixa
na mente torturada
pela impotência
que sinto na obrigação
de viver!

....../......

Enviado por:
"Roxy"
22.01.01

Os meus agradecimentos à autora.

Publicado por João Norte em 02:25 PM | Comentários (3)

janeiro 20, 2004

A primeira paixão

Tinha uma daquelas turmas em que as escolas agrupam os filhos dos professores, dos médicos conhecidos, e os alunos que, no ano anterior, obtiveram as melhores notas. Depois escolhem-se os melhores professorers. É um erro pedagógico em que incorrem muitas escolas. Prejudica os outros alunos e também não beneficia estes, a não ser pela escolha dos professores. Por outro lado, limita-lhes a realidade e a sociabilização.

Um dia, acabada uma unidade didáctica, entreguei a respectiva ficha de avaliação. Um dos alunos, o Paulo, filho de um casal de médicos, catorze aninhos, inteligente e sensível, amochou a cabeça na mesa e nada de trabalhar. Pensei:
- Malandro não estudou.
- Paulo, estás com sono ou o quê?
Não houve resposta. Levantei a voz.
- Paulo!...Faz o exercício!...Não vou fazer outra ficha só para ti!
O Paulo desatou a chorar convulsivamente. As lágrimas a molharem o papel e o trabalho por fazer.
Sentei-me na minha cadeira pensando comigo.
- Bonito serviço!... Para que raio andaste a estudar Pedagogia? Gritaste com o aluno sem saber o que se passa.
Mas não podia, ali em frente dos outros alunos, fazer mais nada. Quando a aula acabou, mandei sair os outros e disse-lhe.
- Paulo anda aqui falar comigo.
- Ó Paulo, eu não estou zangado contigo. Só queria o trabalho feito. Agora vou ter de preparar outra ficha só para ti. Isso dá trabalho. Entendes? Porque é que não estudaste?
Novo ataque de choro.
- Não é nada com o Stor. Desculpe! Eu faço a ficha com outra turma. Eu estudei Stor, eu sei a matéria toda.
- Então o que é que se passa?
- Eu estou apaixonado!
- Mas isso é óptimo, Paulo! Não é razão para não fazer a ficha nem para chorar!
- Pois ...Stor. Mas eu estou apaixonado pela Catarina, e ela namora com outro.
- Bom. Acalma-te lá. Para a próxima semana fazemos a ficha. Vai lá embora.
Fiquei a bater o lápis nas fichas dos alunos e a pensar. Porque é que nós esquecemos como nos marcou a primeira paixão, como foi difícil lidar com ela, quanto nos doeu? Se tivéssemos isso sempre presente, quando lidamos com os adolescentes, evitaríamos muitos conflitos, muitas incompreensões.

Publicado por João Norte em 02:22 PM | Comentários (2)

Electricidade mais barata.

Parece que, desta vez, o acordo assinado entre o primeiro ministro português José Maria Aznar e secretário espanhol Durão Barroso, pode benificiar os portugueses.
Assim seja.

Publicado por João Norte em 01:28 PM | Comentários (3)

janeiro 17, 2004

Esta Noite Sonhei


Com cruzes de fogo, fui marcando teu corpo nu.
Meus lábios eram brasas que queimavam.
Teus lábios de rubro convidavam
Ao beijo, sempre ardente, e só mais um.
Meus dedos apertavam contra mim,
Tuas costas de veludo, as brancas nádegas.
A minha boca era uma aranha,
Que percorria louca, sedenta, temerosa
Teu corpo de mármore pedestal,
Onde assento toda a fúria de animal,
De sexo e de cio embravecido.
Algo canta, algo sobe até à minha boca ávida.
Oh! Poder celebrar-te com todas as palavras,
Todas as flores de dádiva.
Cantar, arder, subir, fugir, voltar!...
Quando eu chego ao vértice mais atrevido da paixão,
Acordo!...
No meu quarto, apenas silêncio e solidão!

Publicado por João Norte em 08:45 PM | Comentários (7)

Donativos para Weblog

Caros amigos bloguistas.

Tenho acompanhado o percurso dos donativos para o Weblog.
Vão muito lentos.
Este espaço tornou-se um espaço importante onde cada um de nós deu largas à sua imaginação.
Não é justo que seja o Paulo a suportar as despesas. Ele criou o espaço e está sempre pronto a ajudar os que sabem menos (é o meu caso).
Muitos quererão ajudar mas não sabem com quanto. Por isso eu fazia aqui uma proposta de donativos.

1- Os que criaram o blogue e não escreveram mais nada, -10 euros (taxa de ocupação)
2- Os que encheram o blogue com palavrões e bonecos pornográficos , tipo a malandra, 50 euros ( multa por ofensa à moral e aos bons costumes da fé católica)
3- Os que só dizem mal do governo têm direito um desconto por serviço público, 25 euros.
4- Os que escreveram coisas variadas e bonecos engraçados , deixamos à sua consciência. (mas não vale taxa zero)
5- Os funcionários públicos que não vão ter aumento, ou 2% um mínimo, 10 euros.
6- Os desempregados, devidamente comprovado com declaração assinada pelo Bagão Felix, taxa zero.

Para aqueles que se esqueceram do número de conta- 0033 000 45212753421 05 (confirmem).
Eu já colaborei!
Vamos lá todos!... é como se comprássemos um livro.

Publicado por João Norte em 11:51 AM | Comentários (2)

janeiro 16, 2004

Lanço as palavras ao vento

Lanço as palavras ao vento,
Dou um grito à multidão.
Sufoco este lamento,
Sob as grades da prisão.
Quero perder-me na noite,
Na mais espessa escuridão.
Quero mergulhar nas ondas,
No abismo mais profundo,
Quero deixar este mundo,
Voar em qualquer cometa,
Fugir deste planeta.
Quero abrir as minas veias,
Deixar o sangue escorrer,
Descer aquela masmorra,
Agrilhoar este ser.
Quero abafar este grito,
Que me salta das entranhas.
As misérias são tamanhas,
Não quero mais assistir.
Quero morrer ou fugir
E calar o coração.
Quero a selva , quero o mato,
P”ra esconder a solidão.

Publicado por João Norte em 01:05 PM | Comentários (8)

janeiro 15, 2004

Sexo e Violência

Esta sociedade cada vez mais complicada em que vivemos, parece começar agora a acordar para um problema que, há muito vem emergindo e pondo em choque quem estava demasiado distraído. Refiro-me à violência e, mais exactamente, ao sexo e a violência.
Segundo os manuais da psicologia e da psiquiatria, o sexo sempre esteve aliado à agressividade, a força da “libido” a energia criadora. Todavia, é necessário diferenciar agressividade e violência. A agressividade é um atributo, é criativa, construtiva, a violência é brutalidade, necessidade de destruir, de vencer, de dominar, de humilhar. É um acto covarde.
Somos o único animal dotado de uma característica especial – a emotividade. E também o único em que o sexo não está apenas ligado à continuidade da espécie, mas à emoção e ao prazer. Como somos o único animal cujo comportamento sexual não é apenas resultado da força natural criativa mas também da educação. E esta resulta de múltiplos factores que seria impossível aqui referir sem tornar este texto muito chato.
A violência banalizou-se na nossa sociedade de tal maneira que deixámos de a ter em atenção nos seus efeitos imitativos. Assiste-se à violência na televisão, no cinema, nas revistas, na estrada e em casa. Se juntarmos as disfunções do comportamento humano, as taras, os traumas, a necessidade de vencer, de dominar, com os maus exemplos da educação , ou falta dela, encontraremos o caldo onde fermenta muita da violência sexual.
Não sou um especialista em psicologia, sou professor de uma disciplina que pouco tem a ver com isso. Tenho é uma larga experiência com crianças e adolescentes, e não resisto a contar aqui um caso ilustrativo.
Um dia cheguei à sala de aula e deparei com um grupinho de adolescentes muito atentas a ler uma revista. Mandei que arrumassem para começar a minha aula. Porém, os alunos insistiram para que eu visse a revista. Fiquei chocado. Era uma revista pornográfica. (tratava-se de adolescentes com 12/13 anos). Como sempre tive capacidade de dialogar com as crianças e adolescentes, chamei-lhes a atenção para os perigos que corriam. Muito educadamente as alunas pediram-me que lhes explicasse algumas coisas porque, diziam, os adultos só sabiam repreender e ninguém lhes explicava nada. Assim prestei-me a uma aula de educação sexual. Com muita calma e cuidado fui tentando fornecer explicações científicas para as dúvidas que me foram postas e alertando para os perigos de ordem psicológica física e social que o sexo pode trazer, sem fugir às respostas. Devo dizer que foi uma experiência interessante pelo comportamento respeitoso que os alunos mantiveram e como aceitaram as explicações. Mas um dos alunos, o mais indisciplinado da turma, manteve-se sempre calado. Eu perguntei-lhe:- e tu não tens dúvidas? Resposta do aluno (12 anos).
Eu... Stor, passo os serões dos Sábados a ver filmes pornográficos com o meu pai.

Publicado por João Norte em 04:53 PM | Comentários (4)

janeiro 14, 2004

Proposta de Jorge Sampaio.

Ao que isto chegou
A proposta do Presidente da República sobre o Orçamento do Estado mostra bem o descalabro e o descrédito a que este governo chegou.
Nunca na história da nossa recente Democracia houve necessidade do Presidente da República chegar a tanto.
Se o Primeiro Ministro tivesse vergonha demitia-se.
O que o Presidente da República vem dizer é mais do que a simples necessidade de encontrar outra forma de Orçamento, o que ele vem dizer é aquilo que qualquer cidadão atento já percebeu, é que as medidas deste governo estão a afundar cada vez mais o país.
E, não sei se o Presidente não terá vontade de retirar a confiança ao governo.

Publicado por João Norte em 06:01 PM | Comentários (3)

Dobragem das telenovelas

As telenovelas portuguesas no Brasil são dobradas.

Isto parece-me incrível.

Afinal que língua se fala no Brasil?

O que terá a dizer a CPLP?

Onde está a Lusofonia?

Por este andar, vamos ser nós a ter de aprender umas dezenas de dilectos
das ex-colónias.

Publicado por João Norte em 05:46 PM | Comentários (3)

A travessia do Rio ll

Para quem atravessa o Rio todos os dias

Tínhamos chegado ao Martinho. Sentámo-nos numa mesa cá fora, sob as arcadas, observando as torrentes humanas que desaguavam das ruas descendentes e se misturavam no estuário da grande praça, num colorido formigueiro que se atropelava e deaparecia em todas as direcções. Bandos de pombos levantavam da estátua equestre, que se mostrava de flanco, e voavam na sua graciosidade descontraía, indiferentes às graves decisões, aos assuntos sérios que, lá dentro, homens sisudos, nos seus fatos escuros, decidiam e assinavam.
Os barcos acostavam ou partiam com lentidão, sulcando a água turva do Rio.

. Os eléctricos passavam junto a nós, tilintando, as todas de ferro rangendo nos carris. Pessoas corriam para apanhar o primeiro transporte, ainda que houvesse outro logo a seguir, como se a vida dependesse desse gesto apressado, desse ganhar de um instante antes de terminar ali mesmo, como se esse transporte fosse o último. É um espectáculo impressionante, estar sentado e ver correr as pessoas nesta luta apressada pela vida. Todos nós nos comportamos assim, mas só quando paramos junto de um destes locais, nos apercebemos da espantosa, quase ridícula, pressa com que as pessoas quase lutam, se atropelam por um transporte imediato.
É espantoso como eu só me apercebi deste espectáculo pelo facto de estar parado. E, pela primeira vez, perguntei a mim mesmo:- Porque será que as pessoas não param?!...Será que, andando sempre a correr, se ganha tempo ou se perde tempo?!...Mesmo não falando, da ansiedade, do “stress”, quantas coisas boas nos passam ao lado sem que as vejamos?...Nesta praça, além dos arcos e da estátua, não há muito que apreciar e, sobretudo, não há algo de muito belo que nos cative a atenção. Mas não é por isso as pessoas têm necessidade de ir sempre a correr. Lisboa tem tantos recantos lindos, tantos jardins floridos, os famosos jacarandás, quem é que repara nisso, quem é que pára para cheirara uma flor, descansar, um minuto que seja, no banco do jardim, em vez de ir sempre a correr, com a ilusão de ganhar tempo. Parece que todos queremos embarcar no comboio que seja o mais rápido, na máquina do tempo, à velocidade da Luz, na ânsia de não deixar nada para trás, resolver tudo, como se cada dia fosse o último da vida, disso tivéssemos conhecimento antecipado, e não quiséssemos deixar nada por fazer, como se após a morte alguém nos apresentasse a lista do que ficou por acabar.
Naquele momento senti uma espécie de saudade da infância vivida na quinta do meu pai, onde o tempo era o que o Sol marcava, a velocidade era a da Natureza, do passo dos animais e não das máquinas. Ali, levantar cedo permitia aspirar o ar puro da manhã, iniciar as tarefas sem ir a correr para lado nenhum, nem acotovelar ninguém. E à noite, tudo parava naturalmente.

Trecho do meu livro "amores em tempo trocados"

Publicado por João Norte em 02:13 PM | Comentários (2)

janeiro 13, 2004

Lê-me que me encontras!...

Aquele que lê, faz um percurso de encontro ao universo daquele que escreve, em linhas que se cruzam, que se toca, num estranho processo de osmose. O que resulta daí não pretence ao leitor nem ao escritor, pretence a ambos, porque a leitura é sempre algo que nos enche os sentidos, satisfaz os desejos. É sensualidade, é gravidez.

Publicado por João Norte em 07:52 PM | Comentários (5)

A Travessia do Tejo

Oferta aqueles que todos dias fazem esta travessia.

As minhas idas e vindas de Lisboa para Barreiro tornaram-se rotina diária. Era um tempo aproveitado para ler ou para estudar. Geralmente havia poucos passageiros porque eu fazia o percurso inverso da maioria das pessoas que fazem a travessia para o trabalho. De manhã o grande movimento é de pessoas que moram da outra banda, trabalham em Lisboa e voltam à tarde para o Barreiro. Eu cruzava-me, às vezes com dificuldade e alguns empurrões de multidões apressadas, que saíam dos barcos como correntes da lava empurradas pela força dum vulcão, em autênticas correrias.
Havia uma outra desincidência. De Lisboa para o Barreiro viajava num barco que ostentava o nome de Estremadura, e, no regresso, noutro que dava pelo nome de Algarve. Por isso eu dizia que viajava contra as multidões e contra a geografia nacional.
Algumas pessoas como eu faziam a travessia sempre à mesma hora e no mesmo barco. Havia caras conhecidas com quem se conversava, faziam-se amizades. Foi assim que encontrei a Elsa, como eu trabalhava e vinha estudar para Lisboa. Coincidências ou talvez não! Acasos ou talvez não. É uma força incrível a das coincidências que nós nos esforçamos por ignorar. Mas as coincidências não nascem se não precisamos delas! A vida é feita de coincidências!...

Trecho do meu livro "amores em tempo trocados"

Publicado por João Norte em 07:28 PM | Comentários (1)

janeiro 11, 2004

Amor Calado (poesia)

Amor calado é amor redobrado.
É fogo mal apagado,
Coberto de cinza carpida!
É esperança perdida,
D’um bem desejado!
É vulcão que arde abafado,
Nas entranhas da Terra,
É dor que desterra
À ilha perdida!
É mal que dói,
Erosão que destrói,
Os anos da vida.
Fogo sem chama nem fumo,
Que arde sem rumo nem erupção.
Lavra no sangue que em brasa
Consome e arrasa
O meu coração!
Só quem sofreu este amor,
Pode dar valor
A tal sofrimento.
É calar, cá dentro,
O maior sentimento,
Mais digno e mais nobre,
Com manto que cobre
O meu sofrimento!
Maldita é a hora,
Em que o dever
Sobrepõe o querer de um coração!
Alma lasciva e cativa
De tanta paixão!
Se a boca abrir se pudesse,
Talvez se parecesse a enorme vulcão,
Que vasa imprudente,
Pela grande cratera,
Lava incandescente,
Que dentro retera!

Publicado por João Norte em 08:57 PM | Comentários (1)

janeiro 10, 2004

Nova Catedral de Lisboa

Segundo o Jornal Expresso, Santana Lopes vai convidar o arquitecto Oscar Niemeyer para projectar uma nova catedral para Lisboa.
Não há dúvida que as catedrais, para mais projectadas por Niemeyer, são obras importantes que embelezam as cidades.
Porém a mim contribuinte, colocam-se-me algumas perguntas:
Quem vai pagar?....
Lisboa tem várias igrejas de grande beleza fechadas ao culto, não faltam, portanto, locais onde os católicos pratiquem os seus rituais.
Numa época em que o País se encontram no pior momento económico de há vários anos, é que Lisboa se mete em projectos como a reconstrução do Parque Mayer, as Torres de Alcântara, o Túnel das Amoreiras, a Doca Pesca e a Nova Catedral?
Não serão megalomania a mais?
Sejam qual forem as fontes de receita directas evocadas, não serão sempre, em última instância, os contribuintes a pagarem?
Vamos assistir às igrejas a fazer peditórios para a construção da Catedral?

Vamos admitir que o Patriarcado de Lisboa tem dinheiro para a construção.
Não seria melhor, aos olhos de Deus, a construção de um albergue para os sem abrigo de Lisboa? Uma sopa para os desempregados com fome?

Ou é Santana Lopes que quer, a qualquer preço a pagar pelos contribuintes, fazer obra de regime’?
Não sei porquê - defeito meu- lembra-me os “palácios de Sadam!

Publicado por João Norte em 02:09 PM | Comentários (0)

janeiro 09, 2004

O Acto da Escrita

O acto da escrita é, simultaneamente feito de esquecimentos, lembranças e de derivas nas profundezas da psique, ou recreação e recriação, espectáculo de sombras e sonho, que se reflecte em nós e se projecta na escrita de acordo com as nossas preocupações e realidades.

Publicado por João Norte em 06:43 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2004

ESCRITA SENTIDA

Escrevo

Escrevo cruzando as palavras, alinhando-as, interligando-as em grupos simbólicos ao sabor dos meus sentidos, das minhas emoções, das minhas tristezas, das minhas alegrias, das minhas relações, amores e desamores. Um passa tempo!... Este tempo que parece sobrar dos afazeres, como um espaço de nada, na vida suspensa das tarefas pré definidas. Um tempo em que podemos pensar nas coisas de que gostamos. Escrevo a Natureza, o verde das plantas, o branco da neve que reflecte o sol quando este brilha, a água que escorre da montanha e canta nas pedras dos ribeiros, a música dos pássaros alegres que fazem o ninho nas copas e cantam poemas de amor á luz da madrugada, o som das tuas palavras e gemidos quando nos amamos, o bater dos nossos corações, o brilho dos teus olhos quando, ao entardecer, caminhamos de mãos dadas na praia, e as ondas vêm quebrar o silêncio dos nossos corpos que, na planura da areia quente ainda do sol de verão, se juntam numa apoteose da cópula desejada.
Escrevo na madrugada, desperto do sonho que me trouxe o passado em que nos amámos com sofreguidão e sem pressa porque o tempo era só nosso e mundo parava à nossa volta.
Escrevo à noite, quando no mundo parado, em silêncio, olho o teu rosto calmo dormindo, após um dia de luta e dever cumprido.
Escrevo nas férias que não gozámos, porque nos faltou o tempo ou o dinheiro, essa peste que a sociedade inventou para nos agrilhoar.
Escrevo para te dizer, quando não estás, que te amo e é para isso que vivo. Escrevo para te dizer o que os silêncios calaram e os gestos não foram bastantes para te dizer tudo o que queria e tudo o que te devo.
Escrevo dando-te as palavras que mente fabrica, que os sentimentos modelam e os dedos martelam, numa cadeia de gestos para chegar junto de ti quando não te posso alcançar e acolher-te nos meus braços.
Escrevo para te dizer que, perto ou longe, a distância que me separa de ti é nula porque continuas, sem interrupção nos meus sentidos.
Escrevo no ar, poemas que não passam ao papel, porque o sentimento sobra e as palavras faltam, e sem gestos nem sons, continuo escrevendo em silêncio, porque no silêncio ouço a música do amor que ecoa nos recônditos do teu corpo que se oferece à minha mente e ao meu desejo.

Publicado por João Norte em 07:48 PM | Comentários (1)

janeiro 06, 2004

Durrão Simpático-Explicação

No meu texto anterior, pela preocupação de não ser extenso, fui pouco claro,
tendo causado perplexidade a alguns leitores.
Por isso, vou tentar, embora correndo o risco de ser extenso, explicar-me
melhor.

Não achei oportuna a comunicação( repetida) do P. Ministro a vir dizer com falinhas muito meigas, que vai tudo melhorar, tentando talvez dar um pouco de ânimo aos portugueses, que estão desmoralizados, no momento em que já se sabia que o P. Da República ia fazer uma comunicação porque se sentia ofendido. O país não está bem, está revoltado, por muitas razões, sendo uma delas a trapalhada do processo casa pia e respectivo desenvolvimento judicial. Isto não quer dizer que o P. Ministro tenha responsabilidade directa no processo. Não achei aquela comunicação e aquela cara de sorriso oportuna. (É a minha opinião).
A questão das intenções políticas.
Já nesta página escrevi um texto em que defendia os jornalistas pelo facto de trazerem a público factos que deveriam ser julgados. Porem, não sou ingénuo e sei que os jornalistas e os “meios de comunicação também não”. E mesmo depois de hoje o subdirector do J N vir dar explicações continuo a pensar da mesma maneira.
O que veio a público era que, uma carta anónima existente no processo implicava Jorge Sampaio e António Vitorino. Ora soubemos depois que e referida carta continha também nomes de personalidades ligadas ao PSD e ao PP. A minha pergunta é esta:
Porque é que não se falou dos nomes todos?
Mas mais.
Durante alguns dias as televisões (todas) deram a “notícia”, chamaram comentadores, e em pano de fundo, apresentaram sempre António Vitorino numa reunião com o Sr.P. da República. Ora os srs. Jornalistas sabem, porque estudaram,( eu também estudei) o efeito psicológicos das imagens .Por isso elas não estavam ali por mero acaso. Quem teve acesso à carta viu os nomes todos. Para além da violação do segredo de justiça, do relevo dado a um papel anónimo, há esta discrepância que não é ingénua. Só quem esteve atento e viu os números ( 2 pessoas do PS 5 do PSD, 2 do PP) compreendeu, mas para quem só ouve são os nomes que foram falados e as imagens permanentes que perduram na memória.
Não sou criança nem ingénuo. E se, de início, achei que Ferro Rodrigues não teria razão, hoje já ninguém me faz acreditar na normalidade de todos os procedimentos de muitas pessoas envolvidas naquele complicado processo.

Publicado por João Norte em 02:28 PM | Comentários (0)

janeiro 05, 2004

Durão o Simpático


Aproveitando o tempo de antena, e quando já se sabia que o Presidente da República vinha fazer uma comunicação e que falaria do processo casa pia, Durão Barroso vem fazer, mais uma vez, o discurso da retoma, apaziguar a consciência perturbada dos portugueses, pôr água na fogueira em que este país se tornou, muito por culpa sua, e para o qual não encontra política válida.
O sorriso que este e outros senhores agora apresentam, contrasta com a arrogância e a sanha com que criticaram o governo anterior.
O Presidente da República pediu, mais uma vez, contensão, respeito e justiça. Mas mesmo que desta vez haja contensão e respeito pelas pessoas e pelas instituições, já ninguém tirará da cabeça dos portugueses que apenas ouvem a ideia que Jorge Sampaio, António Vitorino e outras figuras do P S estavam implicadas no processo da casa pia. Entretanto, ficamos todos sem saber quem eram os outros nomes apontados pela carta ( irrelevante) que, entretanto, teve relevo, não só no processo como em todos os média durante dias.
Parece tudo muito normal, tudo sem um propósito político estabelecido!
Tudo isto faria parecer Kafka um menino de coro

Publicado por João Norte em 09:30 PM | Comentários (2)

Pedofilia-Estou Cansado

Estou cansado!...
Estou cansado do mundo,
Deste túnel sem fundo,
Que conduz ao abismo!...
Estou cansado da hipocrisia,
Das gargalhadas vãs,
Das falsas lágrimas.
Estou cansado!...
Estou cansado das pessoas estúpidas,
Que me rodeiam,
Me olham,
Mas que não me dizem nada,
Nem eu a elas!
Estou cansado da solidão,
Do Ser dejecto,
Da vida só!
Fria!
Sem afecto!
Estou cansado das conversas de café.
Estou cansado dos palavrões da ralé,
Dos sorrisos dos “snobs”
Estou cansado da miséria dos pobres.
Estou cansado!...
Na minha mente parada,
Paira uma imagem,
Pálida,
Esbatida,
Fria,
Enevoada
Indiferente
Não deslumbro nada em frente.
A vida parece parada!
Estou cansado de tudo!
Estou cansado do nada!

Publicado por João Norte em 10:53 AM | Comentários (0)

janeiro 01, 2004

Ano Novo- Nova Esperança

Depois de um ano que deixa poucas saudades, é preciso que todos
renovemos a vontade e a esperança que as desgraças não se repitam.

Sou um pouco avesso a planos sem dados, a esperanças sem fundamentos. Mas as datas festivas, os rituais da vida, no fundo todas as festas, nas metas do tempo, não passam de rituais, servem para novos inícios, quebras da rotina, renovação da esperança, ainda que, muitas das vezes, não saibamos bem o que esperamos. Esperamos coisas melhores, cada um de nós de acordo com a sua vida, as suas necessidades. Pois que seja assim... 2004!... Para mim, para vós, para todos!...As nuvens que se acastelam no horizonte não nos deixam prever melhoras no que toca ao nosso colectivo. Porém, pior será difícil. O país parece adormecido, anestesiado por excesso de futilidades mediáticas. Por isso, como cidadão, não devo iniciar o ano sem deixar aqui, neste espaço simples de comunicação, o meu apelo à atenção e ao espírito crítico dos que lerem estas linhas.

Bom Ano a todos! Vamos ao trabalho!...

Publicado por João Norte em 02:28 PM | Comentários (0)