O silêncio tem uma estranha forma de gritar.
É um grito que nos sai directamente dos lábios e nos entra no cérebro sem passar pelos ouvidos.
Assim há quem diga que não o ouve... mas garanto que o sentem.
É impossível não sentir o silêncio a gritar entre duas pessoas que fingem dormir no leito, sem fazerem amor, sem gritarem de prazer, sem apertarem as mãos, sem desenharem os rostos... Que fingem dormir e esquecer a miséria que é a sua vida em comum.
Ou quando uma mãe vê o filho toxicodependente entrar em casa e murmura consigo mesma "é tão sossegado o meu filho, tenho tanto orgulho dele..." e depois fica o silêncio a quebrar esses pensamentos.
É isso que as pessoas receiam. A capacidade que os gritos do silêncio têm de desmascarar até a mais bela esfinge. É impossível fingir que não se sente o constrangimento, o amargo de boca.
O mais belo acto de amor é partilhar o silêncio.. Deixá-lo estender-se nas nossas mãos e beijar-nos docemente os lábios. Os amantes mais felizes são aqueles que não receiam o silêncio e as suas revelações.
O silêncio é a antítese das palavras... A negação da arte. E porém é todo ele artístico, todo ele cheio de palavras, cheio de gritos, cheio de tudo e cheio de nada...
Quando ela terminou este discurso poético ele sorriu-lhe, tomou-a nos braços e sussurrou-lhe ao ouvido: "hei-de capturar a essência do silêncio numa flor de cristal para te oferecer e ver-te chorar de felicidade...". Ela retorquiu num murmúrio ainda mais subtil.. "não meu amor... o silêncio é livre. e é essa liberdade que aprendemos a recear."
Silvia Fairy
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Os meus agradecimentos à autora.
Gostava de saber escrever tão bem como o faz o Saramago. É, sem dúvida, um homem inteligente e de enorme imaginação. Não li ainda O Ensaio sobre a Lucidez, apenas li a entrevista que deu ao Diário de Notícias. Algumas críticas ao funcionamento da nossa democracia são pertinentes, e é bom que todos façamos uma reflexão sobre isso. Mas essa reflexão não pode levar ao caminho apontado por Saramago para as eleições europeias. Aliás, não sei se quando ele defende o voto em branco se refere só às eleições europeias. Penso que não, que se refere a todas. Isto é muito grave vindo de uma figura com a projecção do José Saramago. Um escritor, e para mais um prémio nobel, é um fazedor de opinião. Defender o voto em branco é quase o mesmo que defender o não voto. A nossa democracia terá (tem com certeza) muitos defeitos, mas, em meu entender, não é votando em branco ou não votando que a melhoraremos. Em quaisquer eleições, não votar num dos concorrentes é votar no outro, porque ganhará quem tiver mais votos. E o voto num ou noutro lado da bancada dá ao parlamento e ao governo a imagem da vontade e da inclinação política do eleitorado. (vejamos o caso da França). Pode o PCP pretender que os seus eleitores votem em branco. É errado, está na linha dos erros continuados do PCP após o 25 de Abril mas é um direito que lhe assiste. José Saramago não pode continuar a comportar-se apenas como um elemento do PCP, ele é um prémio nobel, isso coloca-lhe exigências intelectuais mas também, e acima de tudo, sociais. Ele tem, melhor do que muitos de nós, a consciência da importância, cada vez maior, do parlamento europeu. Como pode vir apelar ao voto em branco. Cabia-lhe sim uma responsabilidade no esclarecimento dos eleitores. Não pode continuar a querer que apenas comprem os seus livros e esquecer as obrigações que o seu estatuto lhe exige.
O nosso Presidente da República além de uma honestidade intelectual a toda a prova é um Homem muito inteligente.
A nossa constituição dá-lhe poucos poderes. Ele com toda a sua inteligência vai mandando recados às vezes com leituras diversas, outras por parábolas como um profeta pregando no deserto, aos quais o governo, por vezes, faz orelhas moucas.
Agora mandou mais um, como todos inteligentes e oportunos. “ Somos um povo que gosta de saber tudo. Não divulguem os meios de segurança”
Ora bem....Para quem é este recado?
Do povo que eu saiba, só eu e só aqui é que pediu explicações às medidas de segurança. Foi o governo, primeiro o Sr ministro da defesa a anunciar que o espaço português seria patrulhado pelos F16 e agora o primeiro ministro a acrescentar os aviões AWAC.
Portanto o recado vai inteirinho para o governo. E porquê.
Se divulgamos meios de segurança eficazes é como se disséssemos aos ladrões o código secreto do cofre. Se divulgamos meios de segurança ridículos é incentivar os terroristas a actuarem.
É esta falta de inteligência e pressa de dizer que faz coisa por parte do governo que o Sr. Presidente da República veio criticar.
Não quero o teu silêncio. O teu silêncio é opressor dos nossos sentimentos. Quero que grites. Quando nos amamos não gritas. És egoísta. Guardas para ti aquilo que sentes ou não sentes nada. Eu quero partilhar aquilo que sentes. Tu não fazes amor comigo. Tu fodes em silêncio como se foder fosse uma obrigação, um acto banal, comezinho sem interesse e sem entusiasmo. Como uma refeição sem fome e sem tempero, em qualquer dia banal da vida quotidiana. O teu orgasmo é apenas físico, mera explosão de energia, mudo, contido, sem som, nem expressão do teu rosto. Fodes sem raiva, cada vez com menos raiva. Eu não quero foder sem amor nem raiva. Não quero ser passiva, abrindo as pernas como quem abre gavetas e se deixa encher das tuas vaidades imundas. Quero esse acto como acto de amor partilhado. Quero gritar bem alto o prazer e a dor, para que o prazer e a dor penetrem nas minhas veias, no meu inconsciente, no fundo do meu passado. Quero que o teu grito fique indelével, gravado na minha memória, percorra as minhas veias como o sangue que me alimenta. Não quero que o reu grito se perca no vazio do espaço silencioso, na penumbra das noites sem história, no fundo perdido da nossa memória. Quero que os nossos gritos de amor façam calar o ruído do mar, o uivo do vento que sopra nos montes gelados do inverno do nosso viver, o grito dos fantasmas que me atormentam. Que se calem os tambores, as flautas dos poetas falhados. Quero que este grito passe de geração em geração. Se transmita no meu sangue como o pecado que herdam todos os amantes.
Eu, Zé português, gostava de ir ao futebol no Euro 2004.
Goatava de me sentir seguro. Eu e todos os meus amigos. Todos os Zés.
Fiquei a saber agora que o nosso governo nos vai garantir toda a segurança.
Acho bem!
Há uma coisa que eu, Zé português, não sei. Não sei nada de radares nem electrónica. E, por isso, peço a algum bloguista ou leitor entendido que me ajude nesta dúvida terrível.
Os radares dos aviões AWAC distinguem lá de cima uma mochila com 5 quilos de dinamite de um garrafão do Cartaxo?
Se não distinguem, o nosso governo está a gozar connosco.
- Não quero essa outra na minha casa. Passas mais tempo com ela do que comigo. Parece que só pensas nela, só gostas dela, não paras de olhar para ela. Ela ocupa-te os sentidos, ocupa-te o tempo, ocupa o teu corpo, as tuas energias. Usas as tuas mãos para acarinhar o corpo dela, modelar o corpo dela, pintar o corpo dela. Adormeces a falar dela e acordas a pensar nela. Sonhas com ela.
Não posso continuar a tolerar essa entrega dos teus carinhos. dos teus mimos, da tua inteligência, dos teus tempos livres a ela.
Sou mulher. E como todas as mulheres, sou possessiva. Quero-te só para mim. Não quero partilhar-te. Tenho ciúmes. Não posso conviver com ela porque sei que a amas, que te entregas, que ela te prende, que te arrasta sempre com ela. Não quero ir para a cama contigo e ouvir falar dela, ou saber que estás calado a pensar nela. Não quero ver-te fechado no escritório com ela, agarrado a ela, escolhendo palavras bonitas para ela. Não quero ver-te a oferecer-lhe flores, primaveras, paisagens bonitas que queria viver só contigo. Não quero ouvir-te a contar para ela as nossas viagens que deviam permanecer guardadas. Não quero que partilhes com ela as nossas vivências, as nossas experiências, o nosso espaço, o nosso tempo.
É uma intrusa, que se insinua, se intromete com os seus silêncios, as suas frases bonitas no meio de nós.
Não vale a pena negares. Eu sei que gostas dela, que não consegues viver sem ela. Ela prendeu-te, faz parte de ti. Sinto-me traída por ela. Não posso tolerar essa paixão.
Podes explicar-me?!
- A minha ESCRITA só existe porque te amo.
Depois do prémio nobel da paz para uma mulher iraniana, o prémio nobel da arquitectura para outra mulher desta vez iraquiana.
Coincidências?!...
Talvez não.
Parabéns às mulheres.
Do interior que me é inerente, e a partir dele, contornos desmaterializados saem para o espaço exterior. A sensação de limitação corpórea levou a uma reacção orgânica que se foi tornando real, numa temporalidade onde o percurso linear nem sempre foi um facto. Fraquezas, algumas delas nem sequer hercúleas, acorrentaram a libertação de vácuos alojados no meu ser. Mas a ultrapassagem acabou por vingar. E nessa capacidade, uma fuga cheia de vontade de fazer o retorno com ímpetos (totalmente) reforçados, aliados a espaços onde o racional consegue, também, dominar. A debilidade provocada por partes de um eu de mim que sai, acaba por ser fortalecida, com um retorno vitamínico e angulosamente corajoso. Um boomerang que no percurso se modifica. Penso-me num outro estádio mental. Vejo-me para além do olhar. Sinto-me numa amplitude orgásmica até aí absolutamente desconhecida. E estremeço. E movimento-me. E deslizo no espaço que me acolhe e nos objectos que me sustentam.. A possibilidade chegada de visualizar infinitos pontos de luz faz-me, pelo excessivo rigor, despertar. Acordar e aperceber-me da viagem. Acordar e aperceber-me do sonho. Acordar e juntar, nessa diferente lucidez, os eus de mim que, em convulsão, se queriam separar.
( Sandra Almeida, VOID )
Os meus agradecimentos à autora.
Se estás bem contigo
não temas a noite,
Que a morte não vem.
Há sempre um amigo,
por longe que esteja,
alguém que te veja,
que te leve ao abrigo,
do medo contido,
no funda da Alma.
Alguém que dê acalma
ao teu coração,
apague a paixão
que em fogo devora
teu corpo na hora
do sonho acordado,
fugindo ao passado,
à vida d´outrora.
Não temas amar,
este Amor de Agora!
João Norte
Em textos anteriores fiz algumas referências às diferenças do pensamento dos povos: laicos, religiosos, racionalistas, isotéricos e aludi ao peso que estes símbolos
têm na mente e nos consequentes actos das pessoas.
Hoje, ao pretender continuar este blogue, reparei que se tratava da entrada número 100.
Imediatamente, eu racionalista, laico, que afirmei pensar pela minha cabeça, dei por mim à procura de algo especial para escrever por se tratar desta entrda nº 100.
E mais, fui à prateleira à procura de " Mircea Eliade, George Gusdorf ou qualquer outro onde me socorrer de pensamentos abonatórios.
Podia ter escrito um qualquer texto, uma poesia, mas o nº 100 exigia-me algo especial. Porquê? Porque sem pensarmos todos continuamos a ser "controlados" por símbolos de ordem numérica. Todos festejamos a entrada da Primavera, o Fim do Ano e outras datas que nada são na continuidade do tempo. todos nos sujeitamos ao simbolismo dos números.
De certo, os leitores deste blogue sabem tanto ou muito mais do que eu destas coisas. Falemos então de coisas mais comezinhas.
Ontem o Público noticiava que se iam iniciar as obras da nova Catedral de Fátima e que a primeira pedra fora oferecida pelo Papa, retirada do túmulo de S. Pedro. Não sei se alguém sabe onde se encontra o corpo de S. Pedro. Não interessa. O que importa é sabermos que para os católicos,a catedral de Fátima assente sobre aquela pedra tem outro valor, um valor simbólico. A morte de S. Pedro fica, assim, ligada a Fátima.
Historicamente, continuamos a prepetuar nomes como Martin Moniz porque se deixou morrer para garantir a tomada de Lisboa aos Mouros. Ninguém ainda pediu desculpa aos espanhóis porque os conjurados atiraram o Conde Andeiro pela janela.
Ninguém no Ocidente pediu desculpas pelas cruzadas. Não foram há muito tempo as guerras religiosas na Europa entre católicos, protestantes e calvinistas. E há muito pouco tempo se queimavam pessoas por motivos religiosos.
Continuamos a referenciar e a evocar os nossos mártires. Na missa dominical a Igreja Católica evoca-os constantemente.
Afinal, não são só os outros que não pensam racionalmente, sou também eu, somos também nós.
Será importante termos isto presente.
Os atentados de Madrid provocaram um desequilíbrio nas mentalidades, nas consciências, e até nas autoridades que deviam ter a calma suficiente para ponderar e decidir.
Pessoas inteligentes parecem ter, de repente, perdido as suas capacidades. Primeiro foram ilustres analistas políticos da nossa praça que, perante todas as evidências de que não era a ETA, continuaram e ainda continuam alguns a querer convencer-nos da sua verdade. É de tal maneira que ficamos numa enorme dúvida.
São ou não inteligentes? Se não conseguiram compreender aquilo que era fácil para qualquer cidadão atento, não são tão inteligentes como nos fizeram crer até então. Se compreenderam, então são intelectualmente desonestos e não merecem a nossa confiança.
Agora são as notícias alarmistas, é uma precipitação de medidas, algumas apenas para apaziguar o medo dos menos atentos.
Na guerra, porque de uma guerra se trata, é como no jogo, seja no xadrez ou nas moedas, é importante tentar compreender o pensamento do adversário. E este adversário não funciona com o pensamento laico e racionalista do Ocidente.
Já vi algumas tentativas de análise cabalista. Embora forçadas, elas não são despropositadas. Trata-se de mentes em que os símbolos religiosos e isotéricos têm muito peso.
O que não vale a pena é pensar que pedindo ajuda à NATO ou dizer que os F16 vão patrulhar o espaço faz algum sentido. Os terroristas não vêm aí com um exército nem com uma esquadrilha de aviões. Os seus meios são outros contra os quais as armas convencionais nada podem.
Também não me parece correcto, neste momento, mostrar medo, retirar as tropas que nunca deciam ter ido.
Talvez os Serviços Secretos tenham alguma eficácia.
Serenidade e vigilância parecem-me as medidas mais acertadas.
O corpo dela é página em branco estendida na minha frente. Branca, inerte, sem oposição, sem luta, sem ódios, sem traços, sem marcas do tempo nem passado, à espera dum tempo que marque com traços de fogo, cicatrizes de sangue o rasto da minha caneta.
A minha mão pega na caneta e treme. Treme de fúria, de força e vigor, de ânsia e de incertezas. Treme, mas escreve. Escreve como se traçasse caminhos num espaço vazio de sombras, como se rasgasse montanhas e vales na escuridão dos desejos por realizar, das esperanças prometidas, dos projectos guardados, do amor contido dentro da alma que deseja e sofre.
Escrevo, e a caneta é lâmina marcando na sua pele sedosa caracteres pessoais que só eu entendo, que só eu sei o que dizem, que só eu sei o que significam. Caracteres indecifráveis a quem não ama, a quem nunca amou com paixão.
Contorno com a minha mão as formas do seu corpo com curvas de dessejo rasgando sentidos e escrevo na sua carne a força da minha carne. Escrevo uma realidade em retalhos de sonho e pedaços de sexo e hesito naquilo que escrevo primeiro. Sonho ou sexo? Sem saber o que me move com mais força, mais pressa, mais urgência. Sem saber o que vem primeiro, o sonho o sexo, o amor? Ou será o sonho, a paixão, o amor e o sexo? Que importa?!... Escrevo!
Com os meus dedos desenho o desejo no corpo dela, nos lábios dela que se estendem e oferecem aos meus lábios, aos dedos, à minha caneta que os escreve. Escrevo o meu corpo no corpo dela em texto indelével que o tempo não apagará. Escrevo no seu corpo as minhas paixões, as minhas vaidades, as minhas volúpias, os meus erros, os meus medos, as minhas ânsias a máscara da vida e da morte, antes que a morte me interrompa, e a escrita inacabada deixe o texto na escuridão da noite que se consome no tempo do espaço vazio.
Escrevo nos seus olhos o brilho que me alumia o caminho, que não sei precorrer na noite sem escrever. Escrevo como quem percorre a casa ligando as lâmpadas, abrindo as portas para que o vento empurre a alma, liberte o corpo, deixe o espírito vaguear no espaço sem limite, e o sonho correr para lá do horizonte, para lá do possível.
Na sua boca escrevo as palavras sentidas, deixadas cair em momentos de paixão sem concrole, em que o sangue nos corre nas veias fervendo, queimando os sentidos. Escrevo os silêncios. Escrevo o vento, companheiro da nossa aventura, porta-voz do nosso sofrimento.
16 de Março o contraste de 30 anos.
Há 30 anos, nas Caldas da Rainha, levantava-se o movimento militar que se ficou por um ensaio do 25 de Abril.
O povo português, os democratas atentos começaram a falar de liberdade e a sentir que a liberdade estava perto.
O tempo era de esperança, de renascer da alegria.
Hoje os portugueses atentos sofrem de sentimentos contrários. Sente-se no ar o peso e o fantasma do terror. Há motivos para apreensão e tristeza.
Há 30 anos Marcelo Caetano classificava o Movimento das Caldas de INGENUIDADE.
Hoje, por INGENUIDADE ou pouca inteligência política do nosso primeiro ministro, sofremos o medo do terror e não a alegria da esperança.
Não se pode agarrar
o tempo que se perde
nem retê-lo em cada
pulsação;
O tempo que há-de vir
e aquele que há-de ficar,
também não;
Das suas ruínas
no topo das montanhas,
e as areias finas,
terá um efémero padrão
de imensidade,
mas no coração
do homem
na felicidade,
o efémero será ainda mais efémero,
e a verdade ainda mais verdade,
por isso me pergunto
quanto valho
nesta transitória odisseia:
Se o tempo me fez escravo
ou senhor,
ou se me quis apenas sonhador
de uma epopeia!
.../...
Roxy
-------------------------------
Este poema cedido pela nossa amiga Roxy
aguardava há tempo pela sua publicação devido à avaria no intro.vertido.
Hoje achei que ele se enquadra perfeitamente no tempo que vivemos
Mais uma vez obrigado à autora.
Seria bom que todos reflectíssemos nos aspectos do ataque a Madrid.
1º O brutal e bárbaro ataque terrorista.
Serão muitas as causas para estes ataques. Diferenças culturais, ódios antigos, fanatismos religiosos, humilhações de povos e interesses económicos.
Parece-me haver de tudo isto.
Se nada ou pouco se pode fazer nas diferenças culturais e nos fanatismos religiosos, muito se pode e deve ser feito no respeito pelos povos e os seus recursos económicos.
Não é impondo modelos, espoliando recursos, aplicando a lei do mais forte que se resolvem os problemas de qualquer povo.
Os árabes sempre foram um povo orgulhoso. Usar o poder dos exércitos, das armas sofisticadas contra os seus territórios, só pode provocar ódios e guerras. E nas guerras, cada um usa as armas que tem.
Não quero com isto dizer que devemos apoiar ou pactuar com o terrorismo. É cobarde e traiçoeiro.
O Ocidente com todo o seu poder bélico nada pode contra o terrorismo. É completamente vulnerável. Está provado. Há que encontrar formas de o evitar.
É aqui que a inteligência dos políticos tem de actuar.
2ª Qualquer pessoa normal, atenta, e que pensasse independente do partido, compreendeu que o ataque a Madrid não era obra da ETA. Simplesmente, como eu e muitos disseram, convinha ao PP atirar as culpas para a ETA até passarem as eleições, porque sabia que com isso teria maior resultado eleitoral. Isto é altamente reprovável. Tão reprovável como o terrorismo. É terrorismo psicológico. Aproveitar a morte e a dor da tragédia para fins políticos próprios é nojento. O povo espanhol compreendeu. Foi ainda mais nojento que, numa manifestação que lhe era favorável haver todo o apoio, na outra onde os cidadãos exigiam a verdade, atirarem-lhe com a polícia.
É preciso ainda referir a gincana discursiva de alguns comentadores portugueses que se esforçaram para defender as teses do PP só por ser um partido da sua cor política.
O povo saberá distinguir a mentira.
Já sabemos que o povo espanhol castigou o PP.
No próprio dia 11 deixei aqui no texto " O Século da Cobardia" as minhas convicções quanto à autoria do atentado em Madrid.
Depois disse que o governo espanhol iria usar o atentado para acusar a ETA.
Não me enganei.
Algumas conclusões se podem tirar já.
Os políticos que mentem ao povo e tratam o povo como se ele fosse parvo estão fora de tempo e terão o devido resultado.
Espero que isto sirva de lição.
Gostava também de saber como vão alguns politico/comentadores portugueses, concretamente o Pacheco Pereira, justificar agora os seus grandes textos a querer convencer, e quase a chamar parvos a quem dizia que tinha sido a Alqaeda.
ESCREVI ONTEM E HOJE ÁS 8 DA MANHã.
AGORA HÁ JÁ UM COMUNICADO DA ETA
VOU ESTAR AUSENTE DOIS DIAS.
ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO, VOU CONTINUAR NA MINHA IDEIA.
O que aqui vou dizer agora não é uma certeza (nunca há certezas) é uma opinião.
Penso que o governo espanhol vai continuar a dizer que foi a ETA a culpada pelo
ataque em Madrid.
Aznar não pode vir dizer neste momento que foi a Alqaeda. Sendo a ETA a culpada
o PP subirá nas votações de domingo. Depois quando as investigações estiverem
concluídas o PP estará confortavelmente instalado no governo.
É lamentável que se tirem dividendos políticos duma tragédia destas, mas penso
que é isso que vai acontecer.
Já ontem eu e outros escrevemos que seria a Alqaeda a responsável.
Pacheco Pereira no seu Abrupto, num grande texto, quase chamava parvos a quem
assim pensava.
Aguardemos! Entretanto, vamos pedindo a Deus e aos santos que não nos toque também.
O século XX foi o século da vitória da Democracia, da tecnologia, da comunicação.
Todos nós, especialmente aqueles que ainda viveram as ditaduras, conheceram os carros à manivela e os telefones de fios, tínhamos razões de regozijo pela época que estamos vivendo.
Porém, o século XXl está a revelar-se o século da cobardia.
Não é possível, por muitas razões que se queiram procurar, encontrar justificação e muito menos aceitação para actos cobardes de terrorismo. No terrorismo nunca há heróis,só há cobardes. As mortes nunca são úteis, nem justificadas, são sempre inútesi e lamentáveis.
Mais do que isso, não há povos ou nações ao abrigo deste flagelo. Mas há uns mais
sujeitos do que outros, dependendo das atitudes dos seus governos, muitas vezes sem que essas atitudes correspondam aos interesses do povo que governam. É o caso de Portugal neste momento. Penso que corremos sérios riscos deste fenómeno de morte se estender ao nosso território (rogo que não).
O governo português meteu-se desnecessariamente num ninho de vespas.
Olá amigos.
O intro.vertido está de volta depois de um mês e meio de deserto.
Graças à competência técnica, a persistência e a paciência do nosso amigo Paulo Querido.
Hoje não vou escrever mais nada, já tenho a vista cansada, foi uma tarde toda a desinstalar e a instalar.