junho 29, 2004

Durão Falou.

Durão falou. Não disse nada que não se adivinhasse. Nada além das palavras “políticas de circunstância”(delicado, simpático e cínico).
Para além destes nomes que eu próprio, que me considero educado e moderado, lhe chamo, já lhe ouvi chamar muitos. Já lhe vi atribuir defeitos e qualidades. Não há dúvida que uma qualidade tem: é esperto.
Vejamos. Eu, no lugar dele, faria parecido.
Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e acreditar que há dois anos concorreu a primeiro ministro convencido de que seria capaz de fazer alguma coisa de jeito. Não foi. O seu governo revelou-se uma desgraça. As suas medidas piores do que as anteriores. Os seus ministros péssimos.
As eleições europeias mostram-lhe o caminho da rua. Salta-lhe ao caminho uma lebre que lhe oferece prestígio (vaidade) um ordenado chorudo e uma saída tão airosa que ainda lhe permite dizer-nos que vai para nosso bem. E eu nem ponho isso em causa!
Portugal destaca-se mais no mapa da Europa. Não só tem o euro 2004 como tem o Presidente da Comissão Europeia. “ SOMOS OS MAIORES”
Agora que nos venha impingir os amigos para continuar a “colheita”, não! Muito obrigado! Os portugueses ainda sabem reconhecer que erraram e mudar de mão, apenas precisam que lhe dêem essa hipótese.

Publicado por João Norte em 02:55 PM | Comentários (6)

junho 28, 2004

Ainda o momento político

Antes deste post coloquei aqui o anterior em forma de verso que pode dar a ideia de brincadeira. Porém o assunto é sério, muito sério. Muitas vezes discordei de Pacheco Pereira, embora sempre o considerasse pessoa de grande inteligência. E, se em ocasiões anteriores discordei e publiquei a minha discordância, é justo que, agora publique a minha concordância. Possivelmente o Pacheco Pereira não leu nem vai ler o meu blogue. Não é isso que me preocupa. Tenho por costume apenas dar explicações à minha consciência e é isso que vou continuar a fazer.
Neste momento já não é só o Pacheco, dentro do PSD a levantar a voz contra a nomeação imediata de outro primeiro ministro há mais a dizer o mesmo.
Claro que eles querem um congresso no PSD para legitimar a escolha. Ora eu entendo que os mesmos argumentos servem para qualquer português dizer que só eleições gerais poderão legitimar outro governo.
Há que esteja preocupado com a reacção do Presidente da República às manifestações de rua. Eu entendo que o nosso Presidente gosta que o deixem pensar e gosta de fazer cumprir a constituição. Todos lhe reconhecemos essa qualidade. Todavia penso que não tivemos na nossa democracia um momento político exactamente a este.
Por outro lado, se o Presidente iria com certeza ouvir várias pessoas importantes, é bom que ausculte (ou escute) também o povo anónimo.
Como cidadão anónimo mas já velho, que lutou pelo 25 de Abril, acho-me no direito de pedir calma mas não silêncio.
Há outras vozes já um pouco desesperadas apontando todos os que clamam por eleições como comunistas. Esse era o “ferrete” usado no tempo de Salazar para quem discordava.
O tempo é difícil, os apetites são muitos. Vamos manter a calma mas não deixando de fazer ouvia as nossa opiniões.

Publicado por João Norte em 10:02 PM | Comentários (2)

junho 27, 2004

Pobre Povo diz Pacheco

Pobre Povo que é o nosso,
Diz o Zé Pacheco Pereira.
Ele sabe de que maneira,
Lhe têm comido os ossos

Pobre Povo vai dizendo,
O Pacheco com razão
Na sua douta homilia
Porque ainda não sabia
Em vespas da decisão.
Ele que é comentador,
Analista experimentado,
Mesmo assim foi enganado
Pelo velhaco Durão,

Pobre povo, diz Pacheco
Apanhado no momento
Não sei se o povo entende
Este “ sincero” lamento.
Zé Pacheco também come
À mesa do orçamento.

Pobre Povo, diz Pacheco
E diz com tanta razão,
Pobre nação moribunda,
Já vai dentro do caixão.

Entretanto vai Durão´
Pra Europa, é importante.
Faz-nos lembrar um Infante
Pelas terras de Sultão.

Diz ele que vai poder
Distribuir as ajudas.
O Povo fica pra ver
Ele é falso como judas.


Publicado por João Norte em 11:29 AM | Comentários (7)

junho 26, 2004

O Salto de Durão

Ter um português na presidência da Comissão Europeia não deixará, em termos de imagem de país, um aspecto positivo para Portugal.

Não quero com isto dizer que isso nos traga grandes vantagens, pelo menos vistas já como dado adquirido. Penso que a sua escolha pelos parceiros europeus tem mais a ver com as sua característica ditas dialogantes a que eu chamaria de colaborante. Não vejo que o facto de estar na presidência lhe dê mais capacidade de manobra ou negociação. Antes pelo contrário, terá de ser mais neutro e talvez seja por isso mesmo que os grandes patrões da EU ( França, Alemanha e Inglaterra) o apoiam.

Pelo lado dele, não posso deixar de considerar inteligente. Inteligente e cínico. Por um lado sobe na carreira política, ocupa um lugar onde ganha muito mais, aumenta o seu prestígio. Por outro livra-se de um atoleiro em que estava metido na situação política nacional.

Cínico! ... Após as eleições, ele primeiro ministro, vem dizer ao país que entendeu os resultados das eleições como um desafio para fazer melhor, continua a dizer que não é candidato, que o seu candidato é António Vitorino mas os portugueses não vêem uma vírgula nesse sentido. Será tudo obra do acaso? Em política tenho sempre dúvidas destes acasos.

Consequências internas:
Não sabemos neste momento qual vai ser a posição do Presidente da República, tudo são especulações. A constituição permite-lhe empossar um novo governo desde que tenha o apoio da Assembleia da República.
Ninguém tem dúvidas que o momento político precisava mais de calma governativa do que eleições. Se o Presidente optar por esse caminho ninguém os portugueses compreenderão a sua posição.

Porém, compreender não é aceitar com agrado. Os portugueses nem sequer votaram nesta maioria, votaram num partido que era encabeçado por Durão Barroso e não em qualquer outra figura do PSD.

O povo português já demonstrou, com números mais que suficientes, que não está satisfeito com o governo desta maioria. E ninguém tem dúvidas que um novo governo vai reforçar ainda a posição d a Direita. A direita tem uma particularidade que a esquerda nunca teve, uma vez no governo une-se e a certeza de que não estarão no poder mais do que os dois anos da legislatura dá-lhes essa união.

Seja qual for o primeiro ministro ou o governo que saia desta maioria e mantenha a sua continuidade é um governo que não foi eleito nem é do agrado da generalidade dos portugueses. E penso que as medidas a tomar por um governo desses serão muito mais à direita do que têm sido, contrariando assim o sinal das eleições europeias.

Publicado por João Norte em 03:38 PM | Comentários (5)

junho 25, 2004

Afinal levam-no

Chego a casa são 23:22h soube que afinal o Durão sempre vai. É um golpe que mostra bem a "honestidade" política do Dr Durão Barroso.

Será muito mau para a nossa situação interna? Deixo para amanhã a minha reflexão.

Publicado por João Norte em 11:28 PM | Comentários (1)

junho 24, 2004

Que Se F....

Hoje até eu estive a ver futebol com nervos. Gostei, os rapazes bateram-se e comonão gosto de ingleses nem com açúcar que se F.... (aqui não vêm crianças) QUE SE FODAM
pronto.

Publicado por João Norte em 10:45 PM | Comentários (3)

Referendar o Quê

Parece que agora estamos todos de acordo. É preciso referendar a constituição europeia.
Mas vão referendar o quê?! Antes de qualquer referendo impunha-se explicar aos portugueses o que vão votar. Penso, e não correrei muitos riscos de me enganar, que 80% dos portugueses com direito a voto, e talvez aqueles que mais regularmente vão colocar o papelinho na caixa, não faz ideia nenhuma o que é a constituição europeia. Muitos nem sabem o que é a EU para além de saber que têm vindo de lá uns milhões de ajudas que os portugueses gastaram mal gastas. Vão votar porque os Srs bem falantes dos partidos pedem para votar. Pode parecer exagero meu estas afirmações. Percorram o País, falem com as pessoas e ficarão a pensar como eu.
Mesmo muitas pessoas letradas não têm ligado a devida importância às questões europeias. Isso é com os políticos, é a resposta mais ouvida.
Se o referendo se limitar a uma pergunta, o que irá ser perguntado? Se queremos continuar na Europa? Se queremos continuar a fazer parta da EU? Claro que a perguntas destas todos responderiam que sim.
Vão perguntar se concorda com a constituição? Quem a leu?! Quem sabe a diferença entre a situação anterior e posterior à constituição? Vão os partidos explicar, artigo a artigo cada implicação para o nosso país? E o que é que referendam? Cada artigo por si ou todos juntos? Cada um de nós pode concordar com uns e descordar de outros. E se os portugueses votassem “não” á constituição? O governo português saía da EU como o texto prevê? E se apenas 10% dos portugueses forem votar e disserem sim ou não? Entende-se que os outros ficaram esclarecidos e representados? Esses 10 ou 20% obrigam o governo a tomar uma atitude diferente ou segue em frente como se nada tivesse acontecido?
Agora temos o “torneio” futebolesco para nos entretermos, depois vem Agosto o país vai de férias, em Setembro é mês de pensar no início das aulas onde cada um dos professores e dos novos estudantes ficou colocado.
Parece-me que Janeiro de 2005 é muito próximo para o debate chegar aos menos esclarecidos.
Por mim acho que vai ser outra “panaceia” tipo referendo ao aborto.

Publicado por João Norte em 05:31 PM | Comentários (4)

junho 22, 2004

LEVEM-NO

Que pena esta hipótese do Durão Barroso ir para a Europa não ser real. Dá vontade de pedir em todas as línguas do mundo :- Levem-no! Meter uma cunha à Srª de Fátima, à Srª d’Agrela e todos os Santos :- Levem-no!.... Levem-no, levem-no levem-no, levem-no, levem-no, ..........................levem-no..............

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Publicado por João Norte em 06:20 PM | Comentários (6)

junho 20, 2004

Foste Embora

O peso da tua ausência verga-me as costas.
No teu lugar fico a enorme escuridão.
Já não há estrelas que brilhem,
Na celeste imensidão.
Este que muito te amou,
Sofre agora a tua falta,
Porque a morte te ceifou
Olho as minhas mãos estendidas,
E não vejo os teus sinais,
Ninguém responde aos meus ais,
Ouço apenas o silêncio.
Que me vem do coração.
A casa ficou vazia,
O quarto sem calor.
Falta aqui o teu amor
Para amparo o teu regaço
Sinto do vazio cansaço,
Deste amor que não durou,
Não sei sequer o que faço.
A vida aqui não ficou,
Porque pariu contigo,
Com a morte
Voou no Espaço

João Norte

Publicado por João Norte em 10:44 AM | Comentários (6)

junho 19, 2004

O Resultado das Eleições

Perguntar-me-ão porquê falar das eleições quando já passou tanto tempo. O resultado imediato foi fácil de verificar os seus efeitos só passado algum tempo se poderão verificar.
Nos dias que se seguiram e ainda durante esta semana, houve análises para todos os gostos e especialmente um esforço titânico de alguns analistas para explicarem a favor dos seus amigos ou patrões os culpados ou os autores dos números. Desde as culpas dos bons e dos maus resultados atirados para a morte do Professor Sousa Franco que teria roubado tempo aos “artistas” do teatro da campanha, aos malditos abstencionistas que seriam todos hipotéticos votantes da coligação, houve de tudo.
Agora, começam os coligados de ambas partes a pedirem uma clarificação. Primeiro, timidamente, alguns elementos do PSD, ontem foi a vez de Lobo Xavier pedir também a clarificação. Pelo menos reconhecerem que as águas estão turvas, já é um passo. Todos os portugueses sentem que as águas deste governo estão mais que turvas, estão lodosas, poluídas, e mal cheirosas. Ambos querem ficar com a água limpa e atirar a lama para o parceiro.
Para alguns defensores do PSD, aqueles que dizem que o PSD teria mais votos se estivesse sozinho, a culpa será da impopularidade do ministro Paulo Portas e da ministra Celeste Cardona. Ninguém duvida dessa impopularidade. Mas o povo talvez não tenha esquecido as tramóias do ministro Martins da Cruz e Pedro Lince, a incapacidade do ministro da Educação actual em organizar uma coisa simples como é uma lista classificativa de professores, o desgoverno que vai na Saúde, as gafes do ministro do Interior, o peso dos imposto da Manuela Ferreira Leite e a miragem da retoma, o abandono de qualquer política do Ambiente e a venda atribulada da Galp e as outras que se vão seguir.
Foi contra isto que votaram os que votaram. E tudo isto tem um responsável. Toda esta orquestra desafinada tem um maestro, Durão Barroso.
Foi contra Durão Barroso que o povo votou.

Publicado por João Norte em 07:31 PM | Comentários (2)

junho 18, 2004

Contributo para o Euro 2004

Como não tenho a bandeira portuguesa pendurada na janela quero aqui deixar o meu contributo para melhorar a selecção.
Julgava eu que os jogadores da selecção estavam pagos para jogar à bola. Porém , todos os dia os vejo e ouço em extensas pseudo conferências de imprensa durante horas perante as câmaras que mais parecem locutores de TV do que jogadores.
Por isso, eu proponho a troca. Já que os jogadores fazem de locutores, porque não mandarmos para a selecção os jornalistas, os locutores, apresentadores, Teresa Guilherme incluída para a selecção.

Publicado por João Norte em 12:42 PM | Comentários (4)

junho 17, 2004

Histórias.

Levanto-me com o peso da solidão sobre as costas vergadas e doridas, não sei se do colchão se dos anos ou se de tudo junto e somado.
Olho-me no espelho do guarda-fatos que, sem piedade, revela na cara daquele outro eu, as rugas que o tempo cavou. O tempo não. O tempo não existiu nem teve efeitos, nem em mim nem em ninguém. Maneiras de dizer. As rugas são efeito dos trambolhões, dos trabalhos e canseiras da vida e do ganha-pão.
Nunca me dei bem com esse outro eu que aparece do outro lado do espelho e me estampa na cara a outra cara, todos dias igual, todos os dias diferente. Mais velha, mais enrugada, mais baça, mais triste, menos bonita o que é uma forma mitigada de dizer mais feia.
É impiedoso este outro eu.
Arrasto-me até à casa de banho. Só o chuveiro me faz acordar, sair do torpor da noite, recuperar alguma energia. No banho, se estou bem disposto, costumo cantar, poucas vezes, são mais as vezes que grito ou simplesmente falo. Falo com o banho, com o sabão, com as paredes. Falo muito com as paredes que, com uma arrogante falte de educação, nunca me respondem.
Não há ninguém para me responder, ninguém para dizer bom dia, ninguém para dar um beijo, ninguém para servir o café. Já estou habituado. Ou melhor, vou-me habituando, isto dos hábitos é um processo lento que não muda um homem de um dia para o outro. Vai mudando. Deixei para trás as intenções de mudar o mundo à minha maneira e fui eu mudando à maneira do mundo.
Onde foi parar aquele jovem que aparecia, anos anteriores, do outro lado do espelho? Evaporou-se por aí. Perdeu-se pouco a pouco, como a árvore vai perdendo as folhas que o vento levou, até ficar o tronco de pé ressequido.
Eu fui mudando, não só por minha vontade, mas também pela força das circunstâncias. Digo por força, porque essa coisa das circunstâncias têm muita força, muito mais do que nós. No entanto, eu também mudei por minha vontade própria. Sempre quis ser alguém. Fui agricultor, fui estudante, aprendiz, operário, chefe encarregado, empregado e desempregado, fui patrão, fui professor. Nunca fui aldrabão! Algumas vezes menti. Tive muita dificuldade em mentir, foi mais fácil não dizer toda a verdade. Toda a verdade é uma presunção. Sei lá o que é a verdade, quanto mais toda a verdade. Coisas da Linguagem.
Valeu a pena? Não tenho a certeza. Mas penso que valeu a pena. Perdi muitas coisas, ganhei outras. Importante é a forma como valorizamos o que se ganhou e desvalorizamos o que se perdeu, não lhe dando importância. Colocarmo-nos na beira da estrada, deixar passar e não nos colocarmos no centro de tudo. Uma simples flor pode valer um milhão se nos faz sorrir. Um sorriso de criança pode valer uma vida. Eu vi sorrir muitas crianças. Também vi chorar algumas.
Há dias em que aceito a vida tal como é, e deixo que o tempo passe por mim e leve o seu sopro para onde quiser. À força de viver sozinho perde-se a comunicação. Não há vontade de comunicar, o tédio toma conta de nós e afasta as pessoas, ou nós afastamo-nos delas. Ficam os livros como sedativos, como paliativos. O gosto pelo estudo, a ânsia do saber, o prazer da leitura vão-nos ocupando, monopolizando a nossa inteligência. Mas o que fica, o saber, nem sempre nos torna mais felizes. Por vezes é até o contrário. O saber transforma as coisas em nada, retira-lhes a importância, arruma-se tudo o que se aprendeu no armazém da memória, geralmente, na gaveta da nostalgia. Não lucrámos nada? Sim lucrámos. A vida, o estudo e o olhar do mundo com outros olhos enchem-nos de histórias. Tenho muitas histórias para contar.

......./...........
trecho de um romance em preparação

Publicado por João Norte em 02:28 PM | Comentários (6)

junho 15, 2004

PALAVRAS VÃS

Hoje não escrevo. Não sei escrever. Não tenho mais nada do que palavras vãs. Palavras que não dizem nada porque não falam de ti. As palavras que falavam de ti levaste-as contigo. De ti só existe ausência e as palavras não servem para gritar a tua ausência. Só o silêncio fala de ti. Apenas o coração grita com pancadas fortes e descontroladas pela falta do doce calmante das tuas palavras de amor. Dói-me o peito do teu vazio. Os meus olhos que procuram os teus, não encontram nenhuma imagem do teu corpo, escondido em qualquer madrugada que não voltou. As plantas do jardim que tu regavas, secaram pela falta da tua presença fresca. A água do ribeiro da nossa infância já não salta de pedra em pedra na cascata da nossa pressa de amor. Os salgueiros que nos escondiam perderam as folhas. São esqueletos cúmplices de uma morte que levou o amor que eles abrigavam. Já não há borboletas coloridas. Tudo é cinzento. A música dos bosques, o silvo das montanhas, o gorjeio dos pássaros silenciaram. O vento do tempo parou. Os pássaros deixaram de cantar no beirado da nossa casa. Já não há andorinhas. As minhas mãos tacteiam no vazio do espaço pesado da noite, onde a tua pele sedosa se perdeu. As bocas da madrugada sonolenta que se beijavam não se encontram. Procuro o abrigo do teu regaço. Apenas abraço o frio do lugar deixado pelo calor do teu corpo, e afago a almofada onde os teus cabelos repousavam despenteados pelos meus dedos em momentos de amor intenso. Acordo da solidão quando o medo me desperta, salto no vazio do caos do espaço entre mudas, e um tecto que ameaça cair-me em cima com toneladas que me esmagam como um mosquito na sola do sapato, olho no espelho as rugas da minha pele que já não beijas, e saio pelas estradas da noite deserta da minha tristeza onde caminhas nua nas imagens da minha memória.

Publicado por João Norte em 07:10 PM | Comentários (5)

CORPO DE MEDUSA

Fechei os olhos e sonhei.
Sonhei que caminhávamos de mão dada,
no fundo do mar sem fim.
Os nossos corpos flutuavam,
na leveza do espírito infinito.
Teu corpo nu e sem pudor,
era belo, gracioso, sedutor.
Tu puxavas a minha mão,
O meu corpo e me beijavas.
Beijavas a minha boca, o meu peito.
Descendo, descendo com suave jeito,
Beijavas cada ponto do meu ser,
Do meu corpo,
Dos meus sentidos
Excitados pelos teus beijos.
E os nossos corpos tocavam-se.
Senti o teu calor,
O calor do teu corpo ardente
Na minha mente,
O teu corpo era uma Medusa,
Que pulsava
E sugava o meu corpo,
Que se desfazia no calor do teu corpo.
Todo o meu ser diluía,
Naquele mar imenso,
Onde toda a vida teve início e se renova.
A fome de amor se alimenta,
A paixão consome.
O teu corpo húmido,
Era um buraco negro no cosmo,
Consumindo a minha energia,
E eu desaparecia na suavidade
Espacial do teu ser,
No vazio do sonho.

............./.............
João Norte

Este poema foi por mim oferecido a uma amiga que muito estimo. É aqui publicado co a sua autorização.
Os meus agradecimentos.

Publicado por João Norte em 11:23 AM | Comentários (3)

junho 14, 2004

DE VOLTA

Como prometido este blogue volta a comunicar com os seus leitores.

Antes de mais qualquer coisa a minha alegria, não digo satisfação porque seria preciso muito mais, pelo aviso feito a este (desgoverno).
Porém, não tenho ilusões que a sua sanha desgovernativa vai continuar. O seu objectivo é desmantelar tudo que seja público e tudo que ainda exista de apoio aos pobres. Agora vão ter mais pressa nas privatizações, na entrega de tudo que dá lucro às empresas dos amigos, que depois lhe darão os empregos bem pagos. Vai ser um fartar vilanagem. Eles sabem que não voltarão a ter maioria, por isso vão aproveitar os dois anos que lhe restam para encherem os bolsos dos amigos. Vão as águas, as Lezírias, a Galp, as linhas rentáveis da CP, a CGD, os hospitais, o Ensino e tudo mais onde possa haver lucros.
O Rd Durão disse isso não vai mudar, vai é fazer mais.

Publicado por João Norte em 11:46 AM | Comentários (3)

junho 10, 2004

ESTE BLOGUE ESTÁ DE LUTO

Não era minha intenção escrever hoje neste espaço em luto pela morte do Professor Sousa Franco.
Todavia, não posso deixar de expressar aqui também os mesmos sentimentos pela morte do Dr. Lino de Carvalho.

No respeito pela morte destes dois grandes Homens, neste blogue não haverá mais nada escrito até Segunda Feira.

Publicado por João Norte em 09:29 PM | Comentários (5)

junho 09, 2004

Morreu um Hmem Honesto.

Morreu Sousa Franco. Um Homem honesto.
Esperemos que a morte deste homem seja respeitada por todos.
Que o seu esforço e a alegria com que viveu os dias de campanha não tenham sido em vão.

A morte se Sousa Franco deve ser mais uma razão para que todos lhe façamos uma homenagem indo votar.

Publicado por João Norte em 11:58 AM | Comentários (5)

junho 06, 2004

A Culpa é minha. Sou mesmo Palhaço!

Há dias atrás escrevi aqui neste espaço, onde me vou entretendo com os meus desabafos que, embora lidos por poucos mas bons leitores, servem para aliviar as neuras acumuladas pela incapacidade de as descarregar em quem me apetecia.
Dizia eu que, há dias atrás, escrevia num pequeno texto a que dei o título de “ a culpa é do espelho” que me senti com cara de palhaço quando assisti ao nosso primeiro ministro, acompanhado pelos seus “segundos” ao elogio rasgado de “ Grande Patriota” a Alberto João Jardim, ao mesmo tempo que este ameaçava transformar a Madeira numa Singapura, logo que deixasse de haver fundos estruturais. Em meu modesto entender, que não o daqueles iluminados governantes, bastaria aquela afirmação para lhe retirar qualquer classificação de patriota.
Mal sabia eu que naquele território português com autonomia governativa mas continuando sugar os dinheiros públicos pagos por todos os contribuintes continentais( os tais cubanos e maçónicos na língua do “patriota” Jardim), havia nas contas públicas um défice de 327%.
Então estamos todos, e eu mais do que muitos porque sou funcionário com ordenado congelado, a sofrer uma crise da economia afundada por estes governantes em nome do equilíbrio do défice, e aquele pode ter o défice de 327% em vez de 3% e é patriota?
Agora a culpa não é do espelho, é minha. Continuo a trabalhar e a pagar impostos. Sou mesmo Palhaço!

Publicado por João Norte em 08:46 PM | Comentários (13)

Percurso

Os caminhos da vida nem sempre são direitos
Têm curvas e lombas, são muito estreitos,
Como as pessoas que todas têm defeitos.
A vida que vivemos e os caminhos que percorremos,
Não foi fácil, por vezes foi muito o que sofremos.
Não foi aquela que esperávamos,
Nem a dos planos que fizemos.
Foi outra, empurrada no sabor da circunstância,
Quase sempre vivia com sofrimento e ânsia,
Sem o leme, nem o motor nas nossas mãos,
Fomos guiados, talvez pelo destino,
Não sei, e a incerteza traz consigo a dor,
Passo a passo vencendo metas, com vigor.
Como quem desfaz os nós de corda feitos.
Procurando saberes formas, e preceitos
Desde dos remotos tempos de meninos,
Até os outros nos chamarem d’anciãos.
Com trabalho, algumas lágrimas, e suor,
Por vezes esquecendo até o próprio amor
Fomos, em cada dia, ganhando o pão.
Perdidos e encontrados, uma e outra vez,
Nos cruzamentos da boa e da má sorte.
Foi preciso agir com lucidez,
Agora há que manter a altivez
Porque, no fim desta estrada espera a morte.
....../........
João Norte 25-05-04

Publicado por João Norte em 06:04 PM | Comentários (1)

junho 05, 2004

Dia Mundial do Ambiente

Hoje que é dia mundial do ambiente, não é possível esquecer um dos problemas mais prementes por resolver no nosso país. Os resíduos industriais. Este governo que acabou com a coincineração, que teria algumas lacunas certamente, mas reduzia as muitas toneladas produzidas anualmente, o que é que fez passados dois anos do seu governo?
Onde estão as toneladas de produtos perigosos produzidos pela Quimigal, pela fábricas de Estarreja, palas fábricas de tinta, pelos Hospitais, pelas fábricas de curtumes, pelos pneus dos automóveis, etc,etc.

Publicado por João Norte em 05:21 PM | Comentários (4)

Os Media e as Eleições

São poucas as vezes que concordo com o José Pacheco Pereira, especialmente desde que ele virou acérrimo defensor de todas as asneiras feitas pelos americanos.
Hoje, porém, Pacheco Pereira tem no seu Abrupto um artigo sobre o interesse dos jornalistas apenas pelos assuntos de ”fofoca” e insulto pessoal e o desinteresse pelas questões importantes, nomeadamente pelas questões que estão em causa nestas eleições europeias.
Este desinteresse de alguns jornalistas (digo alguns) pelas coisas importantes é notória nas notícias diárias. Tenho muito respeito pela profissão de jornalista, mas como cidadão gostava que os media fossem utilizados no esclarecimento do público e não na seu maior obscurantismo.
Entendo competir ao jornalista como pessoa informada e com uma missão de informar saber escolher e dar ao público aquilo que realmente interessa ao país e não a (insultonovela) da baixa política.
De facto pouco tenho visto nos jornais e muito menos nas televisões, esclarecimentos ou debates sobre o que está em causa na EU e para que servem estas eleições. Isso sim contribuiria para diminuir a abstenção.
Dir-me-ão que compete ao cidadão estar informado. Eu digo o contrário. Compete ao jornalista informá-lo, sob pena do seu trabalho não ter sentido.

Publicado por João Norte em 04:10 PM | Comentários (2)

junho 03, 2004

ELEIÇÕES

Nas próximas eleições vote.

É a única maneira de mostrar que existe!

E que está vivo!

Publicado por João Norte em 03:01 PM | Comentários (11)

junho 02, 2004

O TEMPO

Partiste sem deixar recado. Não houve um aviso, qualquer sinal que pudesse dizer que não te encontraria ao voltar. Nem um bilhete sobre a mesa-de-cabeceira. Um adeus. Não, isso não, porque deus é uma palavra que não usavas. Não acreditavas dizias tu. Todavia tinhas medo. Tanto medo que ainda que fosse apenas um simples cumprimento, socialmente usado, tu não dizias. Talvez a tua consciência pesasse tanto que nem assim tivesses à vontade para usar palavras que te assustavam. Havia outras palavras que te assustavam. A palavra Amor. A palavra carinho. A palavra amizade. Dizias:- são palavras! Tudo são palavras! Nós somos palavras. Palavras e gestos. Como as palavras são a tradução dos gestos, tudo são palavras. Tu foste embora e não tiveste nem uma palavra nem um gesto. Apenas ausência. Não disseste até um dia, porquê? Porque sabes que esse dia nunca virá, ou tens medo dele? Não quiseste deixar rasto. Deixaste a casa limpa. Tão limpa para que as tuas impressões não ficassem nos objectos, porque tudo eram objectos para ti. Porém as tuas marcas ficaram. Há marcas nossas que são involuntária. Há marcas nossas que nunca poderemos apagar. Até a limpeza da casa que fizeste para limpar as tuas marcas é uma marca tua. Não ficou gravada nos lençóis que a máquina lavou, nem nos objectos que os detergentes limparam e desinfectaram, ficou gravada numa espécie de infecção, uma doença incurável que é a tua ausência. Não a tua ausência da casa que não a sente, mas a tua ausência de mim. E dentro de mim, a tua meticulosa limpeza, os detergentes, os desinfectantes não actuam. A tua ausência está gravada no tempo. No meu tempo. No tempo da minha memória. Esse tempo em que tu estiveste, e nós construímos não pertence a um de nós, mas a ambos e aos outros. O tempo colectivo ninguém o apaga. Talvez tenhas a ilusão de apagar o teu, embora nem isso consigas fazer. O tempo, essa entidade tão subjectiva que ninguém conseguiu ainda definir nem limitar, são os gestos e as palavras que vivemos e se sedimentaram em nós, e em redor de nós construíram o mundo. Nós, e todos que vieram antes, construímos o tempo.
Partiste, mas, numa infinitésima partícula ficaste. Ficaste no meu pensamento.

Publicado por João Norte em 06:58 PM | Comentários (3)

junho 01, 2004

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Podia escrever aqui muita coisa. Muitos poemas. Meus que tenho alguns, doutros que existem tantos.
As crianças por esse mundo!
Neste dia fico sempre com poucas palavras. As crianças são os seres que mais nos merecem. Porém, olho o mundo. Olho a fome e miséria sofrida pelas crianças, enquanto outros esbanjam louca e egoisticamente. Olho as crianças feitas soldados duma guerra que não é sua nem entendem. Olho o mundo da pedofilia. Tanto horror sobre as crianças.
Olho a agressão e a violência contra quem não tem forças para se defender.
Quanto mais olho o mundo da criança mais dúvidas tenho sobre Deus.

Publicado por João Norte em 02:30 PM | Comentários (6)